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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A Mulher de Trinta Anos



Obra: A Mulher de Trinta Anos

Autor: Honoré de Balzac

Páginas: 230

Resumo:
Júlia, uma jovem solteira, visita um desfile com o seu pai. Encontravam-se em Paris e o desfile estava destinado à despedida de Napoleão para a guerra. Júlia fica comovida com o sofrimento de um cavalo e o pai remove-a dali. O pai, que tinha reparado na troca de olhares entre a filha e um coronel, repreende-a por não considerar aquele homem correto para casar.
 Um ano depois, os dois estavam casados e Júlia tinha um ar abatido. Devido a assuntos militares, o conde, seu esposo, teve que a deixar na casa de uma tia que vivia no campo. As duas acabam por ganhar familiaridade e confiança. Certa noite, a tia encontra Júlia a escrever uma carta e a chorar. Após alguma insistência, Júlia admite que o motivo do seu pessimismo e ódio ao casamento deve-se ao facto de ela sofrer como mulher casada. Admite amar o seu esposo como irmão e que, por vezes, sentia que ele a procurava demasiado. A tia compreende-a e apoia-a. fortalecendo assim ainda mais a relação entre as duas. Júlia viu na tia a mãe que nunca teve e que necessitava, principalmente após a morte do pai. Um criado do conde visita-as no dia seguinte e avisa Júlia de que o serviço militar do conde tinha tido sucesso e por isso ela devia mudar de cidade, de volta para Paris, com o marido. Ela parte e a tia promete visitá-los algum dia. 
 Ao chegar a Paris, Júlia recebe a notícia da morte da tia, que a deixa novamente destroçada. O marido é promovido a marquês e dá à esposa a responsabilidade de governar o dinheiro e a casa. Júlia sente-se infeliz com estas tarefas por considerar serem masculinas e a sua doença e pessimismo regressam. Tem uma filha, Helena, que fez com que a sua vida fosse menos infeliz e solitária. O marido, no entanto, torna-se frio e distante, fazendo Júlia dedicar-se inteiramente à filha para esquecer a angústia. Certa noite, o conde chega a casa, após ter visitado a senhora de Sérizy e Júlia percebe que esta tinha roubado o coração do marido. Aceita o convite desta para ir a uma festa e pretende seduzir o marido: Quando este estivesse louco de amores por ela, Júlia iria desprezá-lo. Júlia foi à festa e começou a tocar piano e a cantar. Todos a rodearam, maravilhados, mas ela interrompeu a canção ao ver Artur, um cavaleiro inglês que várias vezes a tinha seguido sem nunca dizer nada. Todos se perguntam sobre o porquê da infelicidade de Júlia e o marquês usa esta como desculpa para a sua infidelidade. Artur repreende-o e aproveita a constante ausência do marido para visitar Júlia. Os dois passeiam pela cidade e acabam por dar as mãos. Os dois confessam o seu amor e Júlia aconselha Artur a partir de Paris para não se magoarem mais com o amor proibido. Este obedece e Júlia vai para casa com o marido. O marquês parte para uma caçada e Artur visita Júlia, afirmando não ter tido coragem para a a deixar e nunca mais a ver. Júlia sente-se perdida com esta dedicação mas rapidamente acorda quando sente o marido chegar a casa mais cedo. Esconde Artur na varanda e, enquanto o marido dorme, ela leva-o para fora de casa.
 No dia seguinte, surge a notícia da morte de Artur devido ao frio que este tinha apanhada à espera de uma amante. Júlia entra num desgosto tão profundo que nem a sua filha consegue ver. Recebe a visita de um padre que acaba por lhe dar algum entusiasmo ao ouvir e corresponder a sua dor.
 Anos mais tarde, quando Júlia tinha trinta anos, recebeu a visita de Carlos de Vandenesse, um italiano com ideais interessantes e únicos. Os dois discutem sobre assuntos intelectuais diversos e acabam por ficar interessados um no outro. Carlos, mesmo sentindo-se inferior, continuava a visitar aquela mulher devido ao fascínio que sentia. O interesse amoroso crescia mas Júlia estava demasiado magoada para o aceitar como amante.
 Anos mais tarde, Júlia passeava com a sua filha Helena e com o seu filho Carlos. Carlos tenta brincar com a irmã mas esta, devido ao seu mau humor, acaba por empurrá-lo e este cai na lama. O menino falece.
 Anos depois, Júlia está em casa de Carlos quando o marido entra com Helena e Gustavo, o filho mais novo dos dois. Chegavam do teatro e vinham mal humorados, o que deu origem a várias discussões. O casal tem mais dois filhos: Moina e Abel.
 Certo dia, um homem aflito bate à porta e o marquês recebe-o, concordando com a ideia de o receber por duas horas e  dar-lhe água. Após ouvir de um polícia o crime que o homem cometeu (matar um idoso), o marquês admite não conseguir recebê-lo por mais tempo. Este preparava-se para sair quando Helena, a filha do casal, admite querer partir com o assassino. Os pais ficam abismados com a notícia e tentam impedi-la a todo o custo. Esta acaba por cumprir o seu desejo.
 Anos mais tarde, o marquês estava no meio do mar quando decide atacar um navio pirata. Neste, é atacado e os companheiros são mortos. Na altura em que o iam atacar, é reconhecido como pai de Helena, esposa do chefe do navio, e é levado para esta. Os dois partilham a saudade e o marquês parte com a certeza da felicidade da filha.
 Anos mais tarde, um dos filhos de Helena falece e esta acaba por partir com ele. Júlia encontrava-se junto da filha e ouve o apelo desta para a proteção da irmã mais nova face às desgraças da vida.
 Anos depois, Moina estava prestes a casar com um homem rico e a mãe imaginava o sofrimento que a filha teria que atravessar ao longo da vida, tal como ela. Júlia procura alertar a filha sobre as desgraças da vida mas esta, devido à impaciência de jovem, acaba por não a ouvir. Júlia falece nos braços da criada da filha, poucos minutos depois, e o seu último desejo é o de não assustar a filha. Moina, ao ver a mãe, fica com o coração destroçado e inicia o seu sofrimento.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Se não agora, quando?


Obra: Se não agora, quando?

Autor: Primo Levi

Páginas:237

Resumo:
Leonid e Mendel acabam de se conhecer e decidem passar a noite num celeiro. Relembram momentos de infância e da Primeira Guerra Mundial. Ambos são judeus que vivem na Rússia . Leonid era um soldado e Mendel era um mercador. Uma criança camponesa viu-os e fugiu. Eles decidem partir do esconderijo antes que uns camponeses os fossem buscar e mandar prender. Refugiam-se num avião que já não funcionava. O dono do avião chegou e, devido à solidão de estar à muito tempo refugiado ali, aceitou que os dois ficassem ali por duas noites. Era russo e aceitou partilhar a sua refeição. Após essa noite, Mendel decide questionar o russo sobre os grupos de resistentes que tinha ouvido falar mas este não tinha muita informação. Os três jogam xadrez e dormem novamente.
 No dia seguinte, Mendel decide ir em direção ao local onde o russo afirmou ter visto uma vez um grupo de resistentes e Leonid segue-o. Roubam um burro e farinha a um ucraniano e procuram vendê-la ao ancião de uma aldeia. Conseguem trocá-la por tabaco. Leonid, ao saber do plano de Mendel  pensa separa-se deste por não querer mais guerra mas acabam por continuar juntos. Encontram um acampamento onde se celebra o suposto fim da Segunda Guerra Mundial. No dia seguinte, Leonid e Mendel são interrogados sobre o porquê de estarem à procura dos resistentes e foram expulsos do campo. Decidiram caminhar até um lugar que os soldados tinham dito ser constituído apenas por judeus e demoraram dez dias (atormentados pela chuva) para lá chegar. Ao chegarem são bem recebidos por serem soldados e são instruídos no trabalho auto sustentável do campo. Decidem destruir um carril para desviar um comboio alemão e prevenir um ataque. Esperam pacientemente pela chegada de aliados e pela ajuda dos resistentes. Atacam alemães num mosteiro e fogem. Ficam sem roupas nem mantimentos e sem lugar para ir devido à destruição do local anterior. Leonid separa-se e Mendel continua a viagem sozinho. Descobre outro acampamento e visita-o. É acolhido como soldado para os ajudarem na defesa dos alemães. No acampamento, todos vivem numa agitação por tentar roubar mantimentos alemães e protegerem-se dos ataques destes.
 Encontram Leonid que se encontrava atado e os membros do acampamento ficam confusos com as acusações deste ao chefe do acampamento. Decidem esconder-se numa vila. Leonid é morto e Line,a amada de Mendel é-lhe retirada, o que o deixou devastado. Mendel é convidado para realizar um casamento entre um casal do acampamento. São presos pela NKVD e o chefe do grupo, Gedale, consegue negociar e fazer com que o grupo obtenha armas para se defender. Fogem das instalações através de uns camiões que encontraram e partiram em direção a Glogau.
 Vão para a Itália e encontram uma senhora nobre de descendência judia que os acolhe e os envia para um campo que tinha sido destruído pela guerra. Ganham intimidade com a senhora e com o esposo. A obra termina com a cena de um parto e com a notícia vinda pelo jornal de que uma bomba tinha caído em Hiroshima.

domingo, 15 de outubro de 2017

D. Quixote de la Mancha


Obra: D. Quixote de la Mancha

Autor: Miguel de Cervantes

Páginas:797

Resumo:
Esta obra, dividida em duas partes com cerca de 10 anos de diferença, tornou-se um dos grandes exemplos de literatura para todas as idades. Na Mancha, vivia um fidalgo com cinquenta anos com uma sobrinha de 20 e uma criada e  um moço que, para se entreter, lia livros de cavalaria. Quis, devido ao seu forte fascínio, tornar-se um cavaleiro. Chamou Rocinante ao seu cavalo e juntou o seu nome e a sua pátria para criar o seu alter-ego: Dom Quixote de la Mancha. Preparou o seu famoso discurso e adotou uma lavradora como sua dama, apelidando-a de Dulcineia del Toboso. Parte da sua terra e, quando anoitece, encontra duas mulheres plebeias que o ajudam a encontrar abrigo, apesar de gargalharem com a forma de falar dele. Para se tornar um cavaleiro, implora ao dono da pensão que o armasse cavaleiro. Este conta a todos a loucura do seu hóspede mas, para se ver livre das confusões deste, decide fazer-lhe o favor e Dom Quixote acredita ser agora um cavaleiro oficial. Aventura-se num bosque, onde resolve o conflito entre um lavrador e o seu criado que o acusava de não lhe pagar devidamente. Tenta depois deter um grupo de mercadores mas estes chalacearam-no. Um vizinho encontra-o e entrega-o à sobrinha e ao Cura. Este, junto com o barbeiro e a sobrinha decidem queimar todos os livros de cavalaria e de poesia de Dom Quixote. Mal o cavaleiro acordou, foi-lhe dito que os seus livros tinham sido levados por um feiticeiro (que era personagem de um dos livros) e Dom Quixote decide partir novamente, desta vez com a companhia de Sancho Pança, um lavrador, que acredita nas histórias deste. Sancho Pança é um analfabeto que segue Dom Quixote e as ideias deste para assim poder ter a ilha e uma poção que o cavaleiro lhe prometeu. Encontram moinhos de vento e Dom Quixote procura combatê-los, afirmando serem gigantes; encontram monges e Dom Quixote afirma que estes são feiticeiros.
 Ouve uma canção e um conto de pastores e estes curam-lhe uma ferida. Continua a viagem e salva uma donzela da fúria do seu amo. Tenta dormir numa pensão de forma gratuita mas falha. Confunde um bando de ovelhas e carneiros por duas nações em guerra, sendo que uma transformou a outra em animais.
Liberta o seu animal de transporte e pede a Sancho que o abandone e que conte a Dulcineia as suas peripécias feitas por amor. O Cura apercebe-se da situação e diz a Sancho que existe uma princesa que podia conceder a D.Quixote o título real de cavaleiro. Eles acreditam.
O Cura decide compensar um rei por todas as tragédias que D.Quixote tinha feito e, para isso, conta-lhes várias histórias. D.Quixote continua a sua viagem e embrenha-se em mais aventuras, percebendo que as suas ações estavam a ter o efeito oposto ao que ele queria e defende-se dizendo que estava a seguir as regras da cavalaria e não da época em que vivia. Dom Quixote foi aprisionado por dois homens que diziam que ele estava encantado. Dom Quixote acreditava que o tinham feito por inveja a ele mas Sancho diz-lhe que um dos homens é o Cura, que procurava impedi-lo de fazer mais aventuras. Encontram um cabreiro que lhes conta uma história. Dom Quixote, o Cura, o barbeiro e Sancho regressam à cidade e Sancho vai ter com a mulher. Esta espera presentes para os filhos ou dinheiro para comida mas Sancho Pança apenas lhe diz para não ser curiosa que coisas mais valiosas iriam ter um dia.

Parte II
 Dom Quixote e Sancho encontram um bacharel que afirma que as aventuras do cavaleiro estavam a ser contadas pelo mundo através da publicação delas em livro. Os dois acreditam e Dom Quixote pede ao bacharel para dizer ao autor para escrever uma segunda parte das suas aventuras, fazendo uma ligação entre Miguel de Cervantes e as sua obra. Dom Quixote e Sancho decidem partir novamente em viagem e o cavaleiro decide visitar a sua amada. Ao encontrarem esta com mais duas lavradeiras procuram falar com estas mas são repudiados. Encontram o Cavaleiro dos Espelhos e decidem falar com ele. Discutem sobre o amor, a vida de cavaleiro e surge a ameaça de um confronto físico. Encontram mais tarde outro cavaleiro que os alimenta. Dom Quixote decide entrar numa arena para lutar com leões mas foge, dizendo ao Cavaleiro e a Sancho que tinha vencido. Vão a casa do Cavaleiro e resolvem o problema de um pastor apaixonado. Presenciam o casamento de Camacho onde a noiva se acaba por casar com Basílio, um homem pobre por quem estava apaixonada. Dom Quixote visita a cova de Montesinos onde afirma ter recebido um encantamento. Encontram um macaco que dizia ser adivinho mas que, na verdade, apenas vê o passado. Dom Quixote pergunta-lhe se o que viu na gruta foi verdade e o macaco diz que não. São enganados pelo dono do macaco. Chegaram a um rio e usam um barco para chegar ao que eles acreditam ser um castelo. Uns homens da ilha ajudam-nos a abrandar o barco para chegarem a terra mas Dom Quixote pensa que os estão a tentar afogar. Acabam por cair na água. Encontra uma caçadora que conhecia as suas aventuras e o leva para um castelo. Neste castelo Dom Quixote é aprisionado e Sancho recebe a atenção das donzelas. O duque e a donzela ficaram maravilhados com a ingenuidade dos dois por pensarem que Dulcineia estava encantada e fingiram que ela tinha sido desencantada. A donzela lê a carta que Sancho escreve à sua esposa, Teresa e mostra-a ao duque por achá-la hilariante. Encontram uma donzela que fica curiosa com as promessas de uma ilha de Dom Quixote. Ouvem uma história contada por uma senhora. Dom Quixote leva Sancho para a ilha que lhe tinha prometido e dá-lhe conselhos, continuando no castelo do duque. Sancho chega à ilha e é recebido por um mordomo. Dom Quixote decide consolar uma dama que canta uma canção melancólica e é atacado por um gato, ao qual chama de feiticeiro. Sancho Pança, na sua ilha foi perseguido, ameaçado por inimigos e nunca teve um momento de sossego. Dom Quixote envolve-se numa luta para defender uma jovem e despede-se do duque. Após sair do castelo, Dom Quixote reuniu-se novamente com o seu colega de aventuras, Sancho Pança, e os dois enfrentam uma série de acontecimentos. Após retomar ao costume de cavaleiro, Dom Quixote decide entregar-se à vida do campo e tornar-se pastor durante um ano, devido a uma promessa. Regressam à aldeia de onde eram originários e Dom Quixote é invadido por perguntas. Não responde a nenhuma e vai-se deitar por se sentir doente.
 Os médicos chegam e percebe que este está no último momento de vida. Sancho encontra-se ao seu lado e o cavaleiro pede-lhe perdão por tê-lo arrastado nas suas loucuras, que ele agora reconhece. Escreve o seu testamento e falece de forma mais pacifica que qualquer cavaleiro andante. Vale.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A Morte Lenta


Obra: A morte lenta

Autor: Emile Henry

Páginas:189

Resumo:
E. Henry, a um jovem de 20 anos, vivia uma vida trabalhadora e comum na França. Ao receber a noticia de que as autoridades francesas e alemãs o estavam a procurar, pretende atravessar a Espanha para chegar a Portugal, onde antes vivia. Durante o caminho encontra um homem com mais posses económicas, que procurava o mesmo que ele e que o ajudou a obter um certificado falso de residência. No momento de entregar os documentos para atravessar a fronteira, E.Henry comete um erro e apenas entrega um deles, fazendo com que os guardas o levassem para uma cela, sem qualquer explicação. É submetido a vários questionários e é mudado para outra cidade, onde fica num quarto com vários homens que estavam tão confusos como ele. É depois transportado para uma cela com quinze prisioneiros, onde é mal alimentado. Por fim, é levado em roupa interior para Buchenwald, onde o desinfectam várias vezes, lhe dão banho, lhe rapam o cabelo, lhe dão uma roupa listrada e lhe dão um número de identificação. Na primeira semana pode descansar, aprendendo apenas a rotina e fazendo poucos trabalhos, que eram dificultados pelo clima húmido e de nevoeiro. Após esta semana, os trabalhos tornara-se forçados, sendo obrigado a carregar vagonetas junto com 25 homens várias vezes por dia.
 E. Henry mantinha assim uma rotina de acordar cedo, trabalhar até tarde, ter apenas a pausa do meio dia, ser por vezes agredido e deitar-se tarde. Devido ao trabalho forçado, começou a mancar e foi levado à enfermaria. Foi mudado de posto e depois foi mudado novamente, sendo agora responsável por descarregar rapidamente camiões de areia. Ficou febril e a enfermaria deixou-o repousar durante alguns dias no seu quarto. Após recuperar-se foi enviado para o trabalho na via-férrea, onde tinha que se levantar mais cedo e por vezes chegava atrasado, sendo castigado. Conseguiu fingir-se de pedreiro e foi para transferido para outro campo, onde a comida era melhor, tinham mais horas para dormir e o trabalho era menos intenso. Confessou que não era pedreiro e, após ter sido castigado, foi enviado para a terraplanagem. E. Henry pôde finalmente escrever aos amigos e familiares, dando pequenas informações (já que existia um limite de mensagens). Certo dia, a cidade mais próxima foi bombardeada e os presos daquele campo presenciaram tudo, a alguma distância. O trabalho naquele campo foi interrompido, devido aos estragos da bomba. Iniciaram a construção de várias casas, tendo o trabalho reduzido devido ao Inverno. Encontra um trabalhador que falava português, que lhe contou a história sobre um carvalho junto da lavandaria onde Goethe gostava de escrever e que, quando este carvalho ardesse, simbolizaria a perda da Alemanha. Alguns campos obtiveram o privilégio de receber prostitutas, para satisfazer as necessidades dos prisioneiros, mas que foram transformadas em enfermeiras devido ao número excessivo de feridos. Vários prisioneiros chegaram ao campo, de várias nacionalidades, e E. Henry acabou por simpatizar com alguns, especialmente com os russos. Presencia um acontecimento marcante no qual um piano chega ao campo e os generais perguntam se alguém sabia tocar. Um russo afirma que apenas conhecia uma música e toca-a. A música era de Tchaikovski e que representava a vitória dos russos sob Napoleão. Alguns guardas perceberam a mensagem mas fingiram que não, para não sofrerem uma humilhação. O verão chega novamente e o trabalho forçado regressa, sendo piorado por um castigo violento que E. Henry levou.
 O número de trabalhadores no campo diminuiu devido ao inverno rigoroso, aos bombardeamentos e às experiências científicas. A árvore de Goethe ardeu durante um bombardeamento. E. Henry encontra trabalho no jardim e, mais tarde, fica responsável de cuidar de uma carrinha, fazendo com que pudesse sair do campo para a vigiar e auxiliar. Numa viagem destas, uma fábrica foi bombardeada e ele e o comandante conseguiram escapar vivos. A partir daí, o comandante foi mais compreensivo com ele e procurava dar-lhe alguma variedade de alimentos. Com medo de regressar a Buchenwald, combina com um colega fugir mas este afirma que o melhor era esperar pelos soldados americanos que estavam a libertar prisioneiros de vários campos. Regressaram a Buchenwald e o trabalho intenso continuou, sendo agora mais difícil de suportar devido à hesitação coletiva pelo momento em que os americanos os iam visitar. Ao chegar ao campo, percebeu que a doença tinha morto vários prisioneiros e enchido as enfermarias. Os guardas agrediam ainda mais os prisioneiros e a fome era ainda mais predominante. Devido à ameaça de libertação por parte dos americanos, os SS procuravam evacuar o máximo de presos possíveis e havia a regra de 25 enforcamentos por dia. E. Henry encontra um amigo próximo e os dois celebram o reencontro. Os alemães procuraram evacuá-lo mas E. Henry conseguiu escapar. No dia seguinte, os soldados americanos finalmente chegaram e os prisioneiros, como forma de agradecimento, dava-lhes pequenos pertences que tinham, como uma beata de um cigarro. Conseguiu regressar à França, após dois anos em Buchenwald e procurou recuperar a sua saúde junto com a família. Contactou amigos e ex-companheiros e procurou saber notícias sobre os sobreviventes. Encontra o seu velho amigo e várias vezes se encontram no café para matar saudades.
 Muitos morreram, outros viveram nos bosques que rodeavam os campos como nativos, outros ficaram traumatizados para toda a vida e outros perderam membro.Todos partilham um passado que está escrito nos campos de concentração e nas lojas onde se encontram malas com peles tatuadas e cabeças encolhidas de prisioneiros

terça-feira, 19 de setembro de 2017

To kill or be killed


Obra:To Kill or Be Killed

Autor:Munro Carson

Páginas:139

Resumo:
 Antes de começar o resumo desta obra, devo realçar que este livro é um mistério da literatura por não ser nada conhecido, ao ponto de não haver uma tradução para português. Esta obra é iniciada quando uma personagem, que ficamos a saber através de pensamentos que trabalhava como motorista em assaltos a bancos, se encontra a fugir pelas ruas de um grupo que o quer matar. A personagem acabou por ser baleada mas conseguiu levantar-se e continuou a fugir, até se deparar com um muro de areia que tentou escalar. A missão foi cumprida e a personagem acabou por se esconder num vagão de mercadoria que passava nesse momento, despistando assim o grupo. No dia seguinte, o sujeito finge-se de morto e acaba por roubar um carro. A meio do caminho, troca de carro e, ao ter um acidente com este, caminha quase sem forças. Com as poucas forças que ainda tinha, rastejou até uma casa onde encontrou um conhecido que o quis socorrer mas a personagem (cujo nome foi revelado- Tom Jeepers) nunca chegou à casa vivo.
 Noutro cenário, uma jovem conduzia a grande velocidade por uma rua deserta, quando vai contra um carro. O tentar evitar um impacto ainda maior, a rapariga acaba por cair por um pequeno precepício. Ambos saem vivos e a rapariga decide ir ter com a outra vítima, um homem. Após várias tentativas de pedir desculpa, os dois acabam por tentar salvar o carro da rapariga para poderem pedir ajuda. Ao perceber que esta tentativa era falhada, o homem começa a caminhar pela estrada sem nenhuma palavra. A mulher acaba por perceber que ele está a ir-se embora e começa a correr a todo o custo atrás dele. Finalmente é capaz de o alcançar e, após uns minutos, acabam por descansar um pouco. A mulher rapidamente percebe que os seus pés incharam e já não conseguem entrar no sapato. Ao perceber a falta de interesse que o homem tinha pelas suas dores, decide continuar a caminhada antes que o sol se acabasse de pôr. Os dois acabam por se abrigar num campo junto da estrada, prontos para passar ali o resto da noite. A mulher, que já tinha um ligeiro interesse na fisiologia do homem, observou-o enquanto este acendia uma fogueira e comia pão com queijo e café. O homem acaba por partilhar a refeição e a mulher aproveita para o consciencializar sobre a rudeza das suas ações perante uma dama de classe superior. O homem parece não se preocupar com a posição social desta e admite trabalhar no campo. A mulher fica mais curiosa e continua a fazer-lhe perguntas. Ao descobrir que o homem pintada, a mulher tocou no auge da curiosidade e questionou-o várias vezes sobre a venda das obras, ao que ele respondia que pintava apenas por gosto. Após uma longa conversa, Diana pede ajuda a Eddy para remover um espinho no seu dedo e o desejo carnal que já sentia acabou por ser despertado em fúria. Ao ser rejeitada e ignorada, Diana trocou o desejo por raiva. Eddy encarregou-se de ir buscar madeira para construir uma espécie de cama improvisada para os dois dormirem naquela noite. No dia seguinte, os dois limparam-se num lago e continuaram a viagem. Uns passos mais e um agricultor passou, oferecendo boleia aos dois. Durante toda a viagem, agora feita com maior facilidade, Diana murmurava para si o quanto odiava Eddy, sem nunca acreditar verdadeiramente.
 Ao chegarem a uma pequena aldeia, o agricultor chama alguns conhecidos para se prepararem para ir buscar o carro de Diana e, enquanto isso, esta tenta fazer com que Eddy fique mais tempo com ela. Tenta oferece-lhe dinheiro mas este recusa e então pede-lhe que a beije. Eddy nega este pedido a princípio mas, depois de bastante insistência, dá-lhe um beijo. Ao perceber que o beijo que lhe foi dado não continha nenhuma emoção além de pena, Diana alvoroça-se e começa a bater em Eddy, fazendo com que este lhe dê alguns estalos na cara. Diana, chocada, corre porta fora e vai ter com o agricultor. O agricultor chama os seus filhos, que atacam Eddy. Ao ver esta cena, Diana sente a culpa e grita que tinha sido ela a começar a luta, algo que ninguém acreditou. Durante quatro dias Diana ficou na casa do agricultor, com ar melancólico, até que o seu carro ficou composto.
 Diana conduz pela estrada fora, até que encontra Eddy. Sai do carro sem hesitar e corre para junto dele. Eddy tenta ter o mínimo de conversa possível com Diana mas acaba por ceder, após muita insistência, e aceita a boleia. Os dois instalam-se em cabanas diferentes e Eddy mostra-se mais mais atencioso com ela. Depois de dormirem, Diana tenta a todo o custo manter Eddy mais tempo junto de si mas acaba por ir para o seu apartamento sozinha.
 Começa assim a terceira história. Nick Carter é um empresário de sucesso que vendia bens roubados há 5 anos. Tinha uma equipa do seu lado que estava pronta a fugir do negócio a qualquer custo. Havia ocorrido um assassinato na cidade e a equipa de Carter levou o corpo para junto dele, contando a situação. Após várias perguntas sobre o acontecimento, Nick decidiu que, já que a polícia não sabia do crime, o deviam ignorar. Momentos mais tarde, Nick viu-se ameaçado por um polícia, que o encontrou sozinho, e perguntou-lhe por Tony Markham. Ele afirmou não conhecer mas, após vários momentos de tortura física, acabou por acusar o seu gangue de o ter feito. O polícia sentenciou que ia fazer o que foi feito ao seu irmão (Tony) e assassina-o no meio da rua. Len era um dos empregados e membros da gangue de Nick, que se encontrava num quarto com uma jovem que trabalhava na empresa. Quando se encontravam no momento de sedução, alguém bate à porta e ele vai atender. Após ver o rosto conhecido, fica em choque e o "polícia" pergunta-lhe pelos outros membros do gangue. Len afirma não saber e o assassino de Nick acaba por afogar Len. Após várias ameaças e um estalo, acaba por deixar a rapariga que se encontrava no quarto sair.
 Diana encontrava-se num bar quando Regan se aproximou dela e tentou seduzi-la como costumava fazer. Diana afirmou não estar com disposição e pediu-lhe que a levasse a casa. Ao chegarem ao local, Diana convida-o para tomar uma bebida e este aceita. Regan tenta novamente seduzi-la, já que o pai dela era um homem de negócios e ele procurava um emprego na empresa. Diana acaba por adormecer e, uma hora depois, acorda e pede desculpa a Regan. Este, que se encontrava a ler, decide ir embora e, mal entra no carro, tem o pescoço e os braços partidos. O assassino caminhou até ao apartamento de Diana e esta abriu a porta a Eddy. Este, com uma força bruta, acabou por ter relações com Diana, contra a total vontade dela. No dia seguinte, Diana admite que apenas tinha tido relações com dois homens, estando noiva com um deles antes de ter sido morto, e Eddy percebe que o seu ataque de ciúmes face a Regan tinha sido incorreto.
 No escritório da empresa, os três restantes membros da gangue discutiam sobre a recepcionista e o atraso desta quando chega um homem que pretendia fazer negócio com a empresa. Os quatro foram para o escritório de Nick e o homem remove uma arma do seu casaco, disparando sobre os três. Escapa do edifico e caminha calmo pelas ruas. Diana passou a noite à espera do seu amado, composta para este, mas Eddy não apareceu. Duch Morgan, um dos três homens atingidos no escritório, acabou por sobreviver e procurou saber o que tinha acontecido aos seus colegas. Após muito pesquisar, descobre que um deles tinha estado em casa de Diana e questiona-a, afirmando ser um amigo de Eddy. Esta afirma que o conhece mas não sabe onde ele está.
 Diana decide iniciar uma busca incessante por Eddy e acaba por encontrar a sua casa. Ao ver, Diana à porta de sua casa, Eddy fica repleto de alegria e abraça-a carinhosamente, admitindo não a ter visitado por arrepender-se por tê-la tratado como uma mulher comum. Eddy e Diana encontram-se abraçados entre lençóis quando Duch Morgan dispara sobre a coluna de Eddy, deixando-o paralisado. O assassino dirige-se também a Diana e acaba por alvejá-la, matando-a. Após ter cumprido a sua missão, Duch dirige-se a um bar e tenta seduzir uma mulher. Ao perceber que esta lhe impunha limites, decide violá-la brutalmente.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Uma Família Inglesa



Obra: Uma Família Inglesa

Autor:Júlio Dinis

Páginas:429

Resumo
Esta obra relata o quotidiano da família Whitestone, liderada por Mr.Richard Whitestone, um negociante admirado no Porto e os seus filhos: Jenny e Carlos. Mr.Richard era um homem patriarcal, apoiando sempre os costumes da Inglaterra onde nasceu e procurando instituí-los na educação dos seus filhos. Jenny era uma romântica, sempre pronta a resolver os problemas da família e Carlos era um liberal oprimido, que odiava os costumes ingleses.
 A ação inicia-se no Carnaval, quando Carlos organiza uma ceia com amigos e recebe uma carta da irmã a convidá-lo para passar o aniversário com a família. Carlos admite à irmã que não se tinha recordado de que era o seu aniversário e afirma que o melhor era não visitar a família por se ter feito amigo de liberais como ele. No dia seguinte, a casa dos Whitestone despertou com Jenny a orientar os criados para o pequeno-almoço e Mr.Richard a cuidar das suas amadas plantas, enquanto Carlos ainda dormia. Mr.Richard, ao perceber que o pequeno-almoço seria apenas entre ele e Jenny, planeia repreender o filho pela falta de postura, mal o encontre. Após a saída do pai, Jenny manda acordar o irmão para os dois se encontrarem na biblioteca. Nesta, os dois discutem sobre as saídas de Carlos e este justifica-se dizendo que um jovem não deveria ficar fechado em casa nas noites de inverno. Jenny, como sempre calma, aconselha o irmão a ter cuidado e, ao entregar o relógio que o pai lhe iria oferecer, desperta o sentimento de culpa do irmão, que afirma que, mal o Carnaval acabe, ele ficará mais caseiro. Carlos decide ainda relatar a noite passada à irmã e conta-lhe sobre um encontro que teve com uma dama. Esta jovem, acompanhada por outras da sua idade, apesar de usar uma máscara, captou a atenção de Carlos para os seus olhos lindos. Carlos decide segui-la para assim obter mais informações sobre ela mas é afastado por elas e pelas suas amigas. Carlos rouba-lhe um beijo e fica a noite a pensar nela, principalmente pelo facto de esta o conhecer e à sua família. A conselho da irmã, Carlos vai visitar o pai ao escritório mas, ao descobrir que este se encontrava na Assembleia Inglesa, decide falar com homens de negócio que vai encontrando pela rua. Após várias conversas, Carlos acaba por visitar o pai, que já estava disponível e os olhos deste enchem-se de brilho ao ter uma conversa de negócios com o seu filho.
 Jenny, que se encontrava sozinha em casa, recebe uma grande amiga sua, Cecília, filha do guarda-livros e amigo da família. Cecília é uma jovem bela e bondosa, que contrasta com a idealização de Jenny, ao apresentar-se como uma mulher burguesa com a simplicidade portuense. Cecília acaba por contar, com bastante hesitação, sobre o baile a que tinha ido na noite passada e os encontros que tivera, sem mencionar nome. Jenny não procurou dar à sua grande amiga desconforto e contou-lhe que Carlos já tinha desabafado com ela e a opinião de baxo nível que Carlos tinha das mulheres que frequentavam aquelas festas. Cecília acaba por ficar calma e perde o interesse em Carlos. Após este encontro, Cecília vai para junto do pai, na casa que ambos partilhavam. Carlos decide dar uma volta (onde acaba por fazer uma divagação sobre a sua vida) e vai jantar a casa, onde conversa com o pai e a irmã.
 Mr.Richard e Jenny decidem ir ao teatro, onde encontram Manuel Quintino, o guarda-livros da família, que lhes conta a inquietude que sente por ver que a sua filha está diferente e melancólica. Carlos acaba por aparecer e, ao entregar um lenço à irmã, que tinha obtido na noite em que viu a bela mulher, percebe que Manuel o reconhece. Jenny disfarça dizendo que Cecília tinha deixado o lenço em sua casa e o irmão acabou por agarrá-lo. Manuel esquece o assunto e Jenny, em privado, chama à atenção o irmão sobre a forma como tratou, mesmo que de forma inconsciente, a imagem de Cecília.
 No dia seguinte, Manuel Quintino vai para o seu trabalho no escritório de Mr.Richard e Cecília fica em casa sozinha. De repente, a criada chama-a para receber uma visita e Cecília depara-se com Carlos. Este pede para falarem a sós e pede-lhe perdão pelas suas ações, que lhe é atribuído. Carlos pede ainda para levar uma flor da roseira presente no exterior da casa, que o fez localizar a casa de Cecília. Após este encontro, Cecília pede à criada para não contar ao pai sobre a visita e Carlos vai para casa. Em casa, Carlos confessa todos os detalhes sobre o encontro à irmã e esta fica incomodada, sem saber porquê, com a situação, repreendendo o irmão por alimentar uma fantasia. Após esta conversa, Carlos refugia-se no quarto a ler, onde passará agora a maior parte dos seus dias, na melancolia dos românticos. Carlos decide, no entanto, visitar duas vezes Cecília: na primeira, é confrontado pelo pai desta; na segunda, é levado para um cemitério (para onde ela se dirigia), onde uma senhora idosa diz ao casal que são feitos um para o outro.
 Manuel, por seu lado, não parava de pensar na tristeza da filha e no reflexo que trazia da morte da mãe e decide ir dar uma volta. Chega a noite e Manuel não aparece, o que leva a filha a ficar aflita. Ao perceber que a criada e um amigo de família não se disponibilizavam a andar à procura a meio da noite, Cecília pede ajuda a Carlos que a cortejava debaixo da varanda nesse momento. Carlos aceita o pedido e procura por toda a cidade. Carlos acaba por encontrar Manuel, atordoado, que lhe responde que uns jovens lhe prepagarm uma partida do dia das mentiras, dizendo que Cecília tinha uma doença, o que fez com que ele andasse pelas ruas sem controlo. Carlos leva Manuel para casa e a filha, a explodir de alegria, cuida do pai enquanto médico (que Carlos mandou chamar) o examina e descobre que este tinha tido um caso de congestão cerebral. Manuel foi aconselhado pelo médico a passar alguns dias na cama, sendo cuidado pela filha, o que o deixa preocupado com a firma. Carlos, no entanto, decide ocupar a sua vaga, até que este melhore, com os conselhos do guarda-livros. Jenny desconfia desta dedicação de Carlos mas decide esperar para ver o que acontece. Carlos frequenta assim diversas vezes a casa de Manuel, que lhe vai ensinando os princípios básicos. A presença constante de Carlos incomoda o Sr. José Fortunato, o amigo da família. A empregada da família partilhava o sentimento com o Sr. José, principalmente ao saber da má fama que este tinha.
 Mr.Richard preparava-se para ir para casa quando, pelo caminho, encontrou o relógio que oferecera ao filho numa montra. Curioso, entra na loja e pergunta ao vendedor sobre o relógio, ao que este responde que foi vendido por um jovem inglês que tinha chegado com uma senhora. Mr.Richard, magoado, compra o relógio e vai para casa, onde exprime a desilusão ao filho que iria desonrar a casa. Carlos tenta-se justificar, dizendo que as suas intenções são boas mas que não as pode revelar. O jantar passa silencioso e no fim deste, Jenny vai falar com o irmão e repreende-o. O pai e a irmã vão a casa de um amigo de família e Carlos, que se preparava para se encontrar com Cecília, acaba por passar a noite junto com a sua ama de infância que acabou por falecer nesse momento.
 A noite de Cecília, no entanto foi muito diferente. Já inquieta por ouvir da criada que Carlos se encontrava com outra jovem pelas ruas, Cecília esperava ansiosamente a chegada do seu amado, que não aconteceu. A criada e o Sr.José decidem criar assim um plano para afastar o casal. A criada fica responsável por inventar histórias e o Sr.José compromete-se a escrever uma carta anónima onde adverte Manuel sobre o perigo da presença de Carlos para a honra da casa. Após ler esta carta a Carlos, o Sr.Manuel decide proibi-lo de voltar àquela casa. Carlos fica desgostoso por estar longe da amada e Jenny percebe que o que este sente não é um capricho. Jenny decide pôr à prova o coração de Cecília para descobrir o que esta sentia e convida-a para o seu aniversário. Cecília fica incerta sobre a resposta e por isso não responde. Carlos escreve-lhe uma carta a expressar os seus sentimentos e a procurar saber se Cecília sentia algo por ele. Ao preparar-se para enviar a carta, Carlos depara-se com o seu antigo grupo de amigos, que o decidiu visitar por não saberem nada dele. Num tom jucoso, os amigos insinuam que Carlos tem uma amada e chegam ao ponto de agarrar na carta, o que deixa Carlos enrraivecido e pede-lhes para saírem.
 Carlos encontra-se em casa a pensar em Cecília, após ter enviado a carta a esta, quando se depara com a amada à porta de sua casa. Carlos assume logo que ela tinha vindo depois de ver a sua carta e fica no extremo da comução. Este momento, no entanto, é interrompido quando o grupo de amigos de Carlos atacam a porta de entrada para verem a amante de Carlos. Carlos atrapalhado, manda Cecília para a biblioteca, para junto de Jenny, e tenta acalmar a multidão. O grupo, no entanto, vasculha por todos os cantos pela mulher, como cães esfomeados, e, quando se preparam para tentar abrir a todo o custo a porta da biblioteca, Jenny e Cecília saem. Jenny apresenta Cecília como alguém proximo, quase sua irmã, e o grupo fica atrapalhado por encontrar uma senhora de classe social alta.
 Em casa do Sr.Manuel, após Cecília o ter abandonado no meio do passeio para ir ter com Jenny, que a tinha convidado, o guarda-livros regressou a casa. Nesta, foi invadido pela conversa da sua criada, que insinuou que Cecília e Carlos tivessem um caso, o que perturbou o homem. Manuel ainda prnsa em ler a carta que Carlos escreveu a Cecília, e que ficamos a saber que esta não leu, mas achou isso uma ofensa demasiada grande. O sr. Manuel veste o casaco e o chapéu e, inquieto, sai de casa.
 Em casa de Jenny, o pai e dois amigos de família entram para felocitar a jovem, que estava acompanhada por Cecília. Na hora de jantar, Cecília diz sentir-se mal disposta e fica no quarto de Jenny, isolada. Após o jantar, todos os que se encontravam no local ficaram abismados ao serem surpreendidos pelo Sr.Manuel, com ar de louco, a entrar pela porta.
 Todos o tentaram acalmar mas este só o conseguiu fazer após ver a sua filha, trazida por Jenny. Jenny explica-lhe que a rapariga estava com ela para celebrarem o aniversário e o homem fica mais descansado. O sr.Manuel questiona assim os anfitriões sobre a carta recebida por Cecília e Mr.Richard assume a responsabilidade, dizendo que era uma carta onde planeavam uma surpresa para Jenny. O Sr.Manuel acreditou na história e ficou como convidado. Quando todos os convidados saíram, Mr.Richard dirige-se ao seu filho e repreende-o pela atitude, acusando-o de manchar o nome da família. Mr.Richard pede ainda ao filho para viajar para a Inglaterra para não desonrar a família ainda mais. Jenny decide ir conversar com o pai e procura fazer este refletir sobre os seus motivos. O pai acaba por perceber que a posição social do Sr.Manuel podia ter tido um peso na decisão e decide escrever uma carta onde o adiciona à gestão da empresa. Jenny aconselha o pai a não dar a carta a Manuel já, espalhando primeiro a mensagem da importância deste para a empresa, para evitar ditos populares. No dia seguinte, Manuel é invadido por felicitações pelo bom trabalho e Jenny e Cecília dão um passeio. Jenny, ao ir a casa da sua amiga, depara-se com a criada e, ao ver que esta tinha bastante a dizer sobre Carlos, convida-a a ir a sua casa pela manhã.
 A mulher vai e confessa reconhecer a mulher que estava com Carlos e indicou ainda o local onde esta vivia. Jenny vai de encontro com a tal mulher, apresenta-se e questiona-a sobre a venda do relógio. A senhora confirma a história e mostra-lhe uma carta do seu filho, onde este explicava que tinha extraído dinheiro da empresa dos Whitestone para sustentar a mãe viúva e pagar as dívidas acumuladas. Jenny comove-se com a história e dirige-se ao escritório do pai. Neste, manda chamar Paulo (o culpado) e leva-o ao gabinete do pai, onde este ouve a história e o perdoa. Para resolver o conflito, Mr.Richard decide ainda dar um aumento a Paulo para este pagar as dívidas e sustentar a mãe. Jenny fica orgulhosa e decide ir dar a carta a Manuel. Este fica estupefacto e incrédulo, agradecendo vivamente a Jenny. Cecília, no entanto, fica desconfiada e pergunta a Jenny qual a sua intenção. Esta responde que não tem uma segunda intenção e aconselha Cecília a não ser tão dura com Carlos, já que Mr.Richard e a criada já estavam cientes da inocência deste.
 Após esta conversa, Jenny vai ter com o pai ao escritório e leva Carlos, que acaba por alertar o pai de que planeia casar-se com Cecília. Este adverte-o para as responsabilidades que essa ação traria e dá-lhe a benção. Carlos dirige-se a casa de Manuel e acaba, sem demoras, por pedir a mão da filha em casamento. Manuel fica eufórico com a notícia e aceita o seu genro como parte da família. Na casa de Manuel reúne-se ainda Mr.Richard e Jenny para partilhar a emoção da união das famílias. O sr. José Fortunato, ao saber da notícia, sai da casa e não regressa mais.
 Manuel torna-se um homem de negócios, sendo bastante conhecido e apreciado, Jenny e Mr.Richard vivem em casa na paz da sua casa e Cecília e Carlos vivem felizes.

domingo, 10 de setembro de 2017

O Mistério de Edwin Drood


Obra:O Mistério de Edwin Drood

Autor:Charles Dickens


Páginas:442

Resumo:

Esta obra é iniciada com uma cena um tanto confusa, com Mr.Jasper a acordar de uma sessão de ópio para acalmar uma dor crónica, sem noção de nada. A personagem decide correr para a igreja, onde é responsável por dirigir o coro e o leitor fica a perceber que o seu sobrinho, Edwin Drood viria visitá-lo. Edwin (Ned), é um jovem belo mas descontente por ter como prometida uma mulher bela mas desagradável, que partilha uma amizade forte com o seu tio (ao ponto de Jasper lhe confessar estar cansado da monotonia da sua vida). Certo dia, chegam à cidade um casal de gémeos de pele morena, que se hospedaram (a mulher) no Convento onde Rose (noiva de Edwin) se encontrava e na casa dos Crisparkle (o homem). Estes gémeos foram enviados por Mr.Honeythunder para serem instruído pelo reverendo Septimus na sociedade cristã, após a morte do padrasto abusivo destes. Para celebrarem a chegada destes, os Crisparkle (a mãe do reverendo e este) organizaram um jantar em que convidaram Mr.Jasper, Edwin e a sua noiva Rose. Neste jantar, Rose canta uma canção mas acaba por ter um colapso nervoso e chorar nos ombros de Helena, irmã de Neville, criando-se assim uma amizade entre as duas. Rose confessa à sua nova companheira que o motivo do seu colapso enquanto cantava era o facto de Mr.Jasper, seu professor de canto, a olhar de maneira demasiado íntima e, por isso, a assustava. Edwin, no entanto, criou inimizade com Neville quando este lhe perguntou sobre o seu noivado e o chamou insensível e rude. Mr.Jasper foi o responsável por prevenir uma briga entre os dois.
 Este conflito gera vários rumores na cidade e Miss Crisparkle fica hesitante sobre se seria boa ideia ter um selvagem como hóspede. O reverendo, no entanto, procura convencer a sua mãe e todos os habitantes de que Neville é um homem bom e trabalhador, que está a fazer um esforço enorme por se integrar na sociedade. Tenta ainda convencer várias vezes Neville a pedir desculpa e acaba por conseguir com a ajuda de Helena, indo logo falar com Mr.Jasper para enviar uma carta ao seu sobrinho, que se encontrava em Londres. Os dois acabam assim por fazer as pazes e Edwin convida Neville para passar o Natal com ele.
 Mr.Jasper vai com     ao cemitério, para falarem sobre a campa da mulher deste e acaba por ficar curioso com o local e com Mr.Sapsea, o responsável pelas tumbas. Certa noite, Mr.Jasper decide fazer uma excursão pelas tumbas, com a ajuda de Durdles e este conta-lhe a história sobre a noite de Natal em que ouviu um gemido e um latido vindos da tumba de Miss.Sapsea. Mr.Jasper fica ligeiramente amedrontado mas curioso.
 A altura do Natal chegou e Edwin preparava-se para ir buscar Rose ao Convento e entregar-lhe o anel de família que lhe foi oferecido pelo tutor dela quando esta o chama e lhe confessa que o melhor seria desfazer o casamento, já que apenas se viam como irmão e irmã. Edwin fica um pouco chocado com a notícia mas acaba por aceitar a vontade de Rose e prepara-se para contar ao tio. Edwin decide ir dar uma volta e encontra uma mulher com aspeto adoentado. Após interrogar a mulher sobre o seu estado de saúde, Edwin oferece-lhe dinheiro para o transporte até Londres. Como pagamento, a mulher pergunta-lhe o nome, adivinha a alcunha que a sua "amada" lhe dá e avisa-o de que existe alguém chamado "Ned" (alcunha que Mr.Jasper dava ao sobrinho) que se encontra ameaçado.
 No dia de Natal, a ceia entre Edwin, Mr.Jasper e Neville aconteceu e os dois jovens foram dar um passeio. No dia seguinte, Mr.Jasper vai a casa de Mr.Crisparkle para saber do sobrinho que tinha desaparecido após o jantar e este informa-o de que não sabe de nada e que Neville tinha partido numa viagem essa manhã. Neville, que caminhava apenas com uma maleta pequena, foi levado por um grupo de homens para a cidade e encontrou Mr.Jasper e Mr.Crisparkle a conversar. Mr.Jasper, por não saber do sobrinho, descarrega a culpa em Neville e tenta atacá-lo. Neville consegue escapar, com a ajuda de Mr.Crisparkle e refugia-se numa casa com a irmã, sendo visitado apenas por um vizinho.
 Helena Landless acaba por partir do convento e Rose fica sozinha. Mr.Jasper aproveita a situação para a visitar e para lhe declarar o seu amor. Rose recusa-se a aceitar tal amor e repela-o. Rose decide escapar e vai viver para a casa do seu tutor.
Certo dia chega um jovem à cidade chamado Dick Datchery que se instala num quarto de Mr.Sapsea e conversa com Mr.Jasper sobre os proprietários. Mr.Jasper, por não encontrar a sua amada, decide regressar à loja onde começou a obra e deixar-se embriagar pelos efeitos do ópio. Após a sessão, Mr.Jasper saiu e a dona da loja, uma idosa sábia, seguiu-o e pediu informações a Datchery, que lhe foram dadas de bom grado. Datchery, no entanto, fica curioso com esta personagem e suborna uma criança para lhe dar informações.
 Rose decide viver um mês numa pensão com a administradora do Convento onde se encontrava e acabam por perceber que a proprietária da pensão não lhes oferece "paz de espírito". Mr.Jasper, certo dia, decide visitar os gémeos para confessar a Neville que se tinha enganado e que ele era inocente. Mr.Jasper implora ainda por perdão e Neville concede-lho. Existe, no entanto, uma reviravolta na história e Neville passa a ser acusado de pertencer a um bando de salteadores da Índia e que, por isso, era o responsável por ter assassinado Edwin Drood. Mr.Jasper procura defendê-lo e consegue fazer com que as suspeitas sobre este diminuíssem. Mr.Jasper convida ainda Neville a dormir em sua casa e, nessa noite, antes de irem dormir, convida-o a passearem um pouco. Neville chega a casa de Mr.Crisparkle, ofegante e afirmando que Mr.Jasper o teria insultado e agredido e ele,ao defender-se não sabia se o teria morto. Datchery e Durdles encontram o corpo de Mr.Jasper, ainda vivo, e este afirma que acolheu Neville e este o atacou sem razão. Neville é interrogado, com a presença de Mr.Jasper e criou-se uma crença de que este pertenceria mesmo ao grupo assassino da Índia, que matava os melhores amigos e desfazia-se das jóias do morto.
 O grupo de homens que se ocupava do caso decide ir à catedral para procurar um corpo com o anel que Edwin ainda deveria ter e, ao reparar que Mr.Jasper foi diretamente a um corpo, o grupo desconfiou que talvez tivesse sido ele. Esta hipótese veio a confirmar-se quando Datchery admitiu estar a espiá-lo desde que chegou e que tinha visto a cena em que ele atacava Neville. Mr.Jasper admite os seus crimes e que pertencia à ceita indiana de que Neville era acusado de pertencer.
 Mr.Jasper foi condenado à prisão domiciliária e, para comemorar a libertação de Neville, foi feita uma festa no Convento. Nesta festa apareceram todas as personagens que circundavam a história e foi confirmado um casamento entre Neville e Rosa. Foi ainda revelado que Dick Datchery era Mr.Porter, um amigo das personagens que foi visitar Londres e um amante antigo da diretora do Convento, que se encontrava disfarçado para revelar a identidade de Mr.Jasper a pretexto de Mr.Grewgious. Mr.Jasper suicidou-se com um veneno.
 Devo realçar que esta obra não foi terminada já que, no dia seguinte a escrever esta última cena, o autor faleceu, deixando um mistério a rodear esta célebre obra.