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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Uma Família Inglesa



Obra: Uma Família Inglesa

Autor:Júlio Dinis

Páginas:429

Resumo
Esta obra relata o quotidiano da família Whitestone, liderada por Mr.Richard Whitestone, um negociante admirado no Porto e os seus filhos: Jenny e Carlos. Mr.Richard era um homem patriarcal, apoiando sempre os costumes da Inglaterra onde nasceu e procurando instituí-los na educação dos seus filhos. Jenny era uma romântica, sempre pronta a resolver os problemas da família e Carlos era um liberal oprimido, que odiava os costumes ingleses.
 A ação inicia-se no Carnaval, quando Carlos organiza uma ceia com amigos e recebe uma carta da irmã a convidá-lo para passar o aniversário com a família. Carlos admite à irmã que não se tinha recordado de que era o seu aniversário e afirma que o melhor era não visitar a família por se ter feito amigo de liberais como ele. No dia seguinte, a casa dos Whitestone despertou com Jenny a orientar os criados para o pequeno-almoço e Mr.Richard a cuidar das suas amadas plantas, enquanto Carlos ainda dormia. Mr.Richard, ao perceber que o pequeno-almoço seria apenas entre ele e Jenny, planeia repreender o filho pela falta de postura, mal o encontre. Após a saída do pai, Jenny manda acordar o irmão para os dois se encontrarem na biblioteca. Nesta, os dois discutem sobre as saídas de Carlos e este justifica-se dizendo que um jovem não deveria ficar fechado em casa nas noites de inverno. Jenny, como sempre calma, aconselha o irmão a ter cuidado e, ao entregar o relógio que o pai lhe iria oferecer, desperta o sentimento de culpa do irmão, que afirma que, mal o Carnaval acabe, ele ficará mais caseiro. Carlos decide ainda relatar a noite passada à irmã e conta-lhe sobre um encontro que teve com uma dama. Esta jovem, acompanhada por outras da sua idade, apesar de usar uma máscara, captou a atenção de Carlos para os seus olhos lindos. Carlos decide segui-la para assim obter mais informações sobre ela mas é afastado por elas e pelas suas amigas. Carlos rouba-lhe um beijo e fica a noite a pensar nela, principalmente pelo facto de esta o conhecer e à sua família. A conselho da irmã, Carlos vai visitar o pai ao escritório mas, ao descobrir que este se encontrava na Assembleia Inglesa, decide falar com homens de negócio que vai encontrando pela rua. Após várias conversas, Carlos acaba por visitar o pai, que já estava disponível e os olhos deste enchem-se de brilho ao ter uma conversa de negócios com o seu filho.
 Jenny, que se encontrava sozinha em casa, recebe uma grande amiga sua, Cecília, filha do guarda-livros e amigo da família. Cecília é uma jovem bela e bondosa, que contrasta com a idealização de Jenny, ao apresentar-se como uma mulher burguesa com a simplicidade portuense. Cecília acaba por contar, com bastante hesitação, sobre o baile a que tinha ido na noite passada e os encontros que tivera, sem mencionar nome. Jenny não procurou dar à sua grande amiga desconforto e contou-lhe que Carlos já tinha desabafado com ela e a opinião de baxo nível que Carlos tinha das mulheres que frequentavam aquelas festas. Cecília acaba por ficar calma e perde o interesse em Carlos. Após este encontro, Cecília vai para junto do pai, na casa que ambos partilhavam. Carlos decide dar uma volta (onde acaba por fazer uma divagação sobre a sua vida) e vai jantar a casa, onde conversa com o pai e a irmã.
 Mr.Richard e Jenny decidem ir ao teatro, onde encontram Manuel Quintino, o guarda-livros da família, que lhes conta a inquietude que sente por ver que a sua filha está diferente e melancólica. Carlos acaba por aparecer e, ao entregar um lenço à irmã, que tinha obtido na noite em que viu a bela mulher, percebe que Manuel o reconhece. Jenny disfarça dizendo que Cecília tinha deixado o lenço em sua casa e o irmão acabou por agarrá-lo. Manuel esquece o assunto e Jenny, em privado, chama à atenção o irmão sobre a forma como tratou, mesmo que de forma inconsciente, a imagem de Cecília.
 No dia seguinte, Manuel Quintino vai para o seu trabalho no escritório de Mr.Richard e Cecília fica em casa sozinha. De repente, a criada chama-a para receber uma visita e Cecília depara-se com Carlos. Este pede para falarem a sós e pede-lhe perdão pelas suas ações, que lhe é atribuído. Carlos pede ainda para levar uma flor da roseira presente no exterior da casa, que o fez localizar a casa de Cecília. Após este encontro, Cecília pede à criada para não contar ao pai sobre a visita e Carlos vai para casa. Em casa, Carlos confessa todos os detalhes sobre o encontro à irmã e esta fica incomodada, sem saber porquê, com a situação, repreendendo o irmão por alimentar uma fantasia. Após esta conversa, Carlos refugia-se no quarto a ler, onde passará agora a maior parte dos seus dias, na melancolia dos românticos. Carlos decide, no entanto, visitar duas vezes Cecília: na primeira, é confrontado pelo pai desta; na segunda, é levado para um cemitério (para onde ela se dirigia), onde uma senhora idosa diz ao casal que são feitos um para o outro.
 Manuel, por seu lado, não parava de pensar na tristeza da filha e no reflexo que trazia da morte da mãe e decide ir dar uma volta. Chega a noite e Manuel não aparece, o que leva a filha a ficar aflita. Ao perceber que a criada e um amigo de família não se disponibilizavam a andar à procura a meio da noite, Cecília pede ajuda a Carlos que a cortejava debaixo da varanda nesse momento. Carlos aceita o pedido e procura por toda a cidade. Carlos acaba por encontrar Manuel, atordoado, que lhe responde que uns jovens lhe prepagarm uma partida do dia das mentiras, dizendo que Cecília tinha uma doença, o que fez com que ele andasse pelas ruas sem controlo. Carlos leva Manuel para casa e a filha, a explodir de alegria, cuida do pai enquanto médico (que Carlos mandou chamar) o examina e descobre que este tinha tido um caso de congestão cerebral. Manuel foi aconselhado pelo médico a passar alguns dias na cama, sendo cuidado pela filha, o que o deixa preocupado com a firma. Carlos, no entanto, decide ocupar a sua vaga, até que este melhore, com os conselhos do guarda-livros. Jenny desconfia desta dedicação de Carlos mas decide esperar para ver o que acontece. Carlos frequenta assim diversas vezes a casa de Manuel, que lhe vai ensinando os princípios básicos. A presença constante de Carlos incomoda o Sr. José Fortunato, o amigo da família. A empregada da família partilhava o sentimento com o Sr. José, principalmente ao saber da má fama que este tinha.
 Mr.Richard preparava-se para ir para casa quando, pelo caminho, encontrou o relógio que oferecera ao filho numa montra. Curioso, entra na loja e pergunta ao vendedor sobre o relógio, ao que este responde que foi vendido por um jovem inglês que tinha chegado com uma senhora. Mr.Richard, magoado, compra o relógio e vai para casa, onde exprime a desilusão ao filho que iria desonrar a casa. Carlos tenta-se justificar, dizendo que as suas intenções são boas mas que não as pode revelar. O jantar passa silencioso e no fim deste, Jenny vai falar com o irmão e repreende-o. O pai e a irmã vão a casa de um amigo de família e Carlos, que se preparava para se encontrar com Cecília, acaba por passar a noite junto com a sua ama de infância que acabou por falecer nesse momento.
 A noite de Cecília, no entanto foi muito diferente. Já inquieta por ouvir da criada que Carlos se encontrava com outra jovem pelas ruas, Cecília esperava ansiosamente a chegada do seu amado, que não aconteceu. A criada e o Sr.José decidem criar assim um plano para afastar o casal. A criada fica responsável por inventar histórias e o Sr.José compromete-se a escrever uma carta anónima onde adverte Manuel sobre o perigo da presença de Carlos para a honra da casa. Após ler esta carta a Carlos, o Sr.Manuel decide proibi-lo de voltar àquela casa. Carlos fica desgostoso por estar longe da amada e Jenny percebe que o que este sente não é um capricho. Jenny decide pôr à prova o coração de Cecília para descobrir o que esta sentia e convida-a para o seu aniversário. Cecília fica incerta sobre a resposta e por isso não responde. Carlos escreve-lhe uma carta a expressar os seus sentimentos e a procurar saber se Cecília sentia algo por ele. Ao preparar-se para enviar a carta, Carlos depara-se com o seu antigo grupo de amigos, que o decidiu visitar por não saberem nada dele. Num tom jucoso, os amigos insinuam que Carlos tem uma amada e chegam ao ponto de agarrar na carta, o que deixa Carlos enrraivecido e pede-lhes para saírem.
 Carlos encontra-se em casa a pensar em Cecília, após ter enviado a carta a esta, quando se depara com a amada à porta de sua casa. Carlos assume logo que ela tinha vindo depois de ver a sua carta e fica no extremo da comução. Este momento, no entanto, é interrompido quando o grupo de amigos de Carlos atacam a porta de entrada para verem a amante de Carlos. Carlos atrapalhado, manda Cecília para a biblioteca, para junto de Jenny, e tenta acalmar a multidão. O grupo, no entanto, vasculha por todos os cantos pela mulher, como cães esfomeados, e, quando se preparam para tentar abrir a todo o custo a porta da biblioteca, Jenny e Cecília saem. Jenny apresenta Cecília como alguém proximo, quase sua irmã, e o grupo fica atrapalhado por encontrar uma senhora de classe social alta.
 Em casa do Sr.Manuel, após Cecília o ter abandonado no meio do passeio para ir ter com Jenny, que a tinha convidado, o guarda-livros regressou a casa. Nesta, foi invadido pela conversa da sua criada, que insinuou que Cecília e Carlos tivessem um caso, o que perturbou o homem. Manuel ainda prnsa em ler a carta que Carlos escreveu a Cecília, e que ficamos a saber que esta não leu, mas achou isso uma ofensa demasiada grande. O sr. Manuel veste o casaco e o chapéu e, inquieto, sai de casa.
 Em casa de Jenny, o pai e dois amigos de família entram para felocitar a jovem, que estava acompanhada por Cecília. Na hora de jantar, Cecília diz sentir-se mal disposta e fica no quarto de Jenny, isolada. Após o jantar, todos os que se encontravam no local ficaram abismados ao serem surpreendidos pelo Sr.Manuel, com ar de louco, a entrar pela porta.
 Todos o tentaram acalmar mas este só o conseguiu fazer após ver a sua filha, trazida por Jenny. Jenny explica-lhe que a rapariga estava com ela para celebrarem o aniversário e o homem fica mais descansado. O sr.Manuel questiona assim os anfitriões sobre a carta recebida por Cecília e Mr.Richard assume a responsabilidade, dizendo que era uma carta onde planeavam uma surpresa para Jenny. O Sr.Manuel acreditou na história e ficou como convidado. Quando todos os convidados saíram, Mr.Richard dirige-se ao seu filho e repreende-o pela atitude, acusando-o de manchar o nome da família. Mr.Richard pede ainda ao filho para viajar para a Inglaterra para não desonrar a família ainda mais. Jenny decide ir conversar com o pai e procura fazer este refletir sobre os seus motivos. O pai acaba por perceber que a posição social do Sr.Manuel podia ter tido um peso na decisão e decide escrever uma carta onde o adiciona à gestão da empresa. Jenny aconselha o pai a não dar a carta a Manuel já, espalhando primeiro a mensagem da importância deste para a empresa, para evitar ditos populares. No dia seguinte, Manuel é invadido por felicitações pelo bom trabalho e Jenny e Cecília dão um passeio. Jenny, ao ir a casa da sua amiga, depara-se com a criada e, ao ver que esta tinha bastante a dizer sobre Carlos, convida-a a ir a sua casa pela manhã.
 A mulher vai e confessa reconhecer a mulher que estava com Carlos e indicou ainda o local onde esta vivia. Jenny vai de encontro com a tal mulher, apresenta-se e questiona-a sobre a venda do relógio. A senhora confirma a história e mostra-lhe uma carta do seu filho, onde este explicava que tinha extraído dinheiro da empresa dos Whitestone para sustentar a mãe viúva e pagar as dívidas acumuladas. Jenny comove-se com a história e dirige-se ao escritório do pai. Neste, manda chamar Paulo (o culpado) e leva-o ao gabinete do pai, onde este ouve a história e o perdoa. Para resolver o conflito, Mr.Richard decide ainda dar um aumento a Paulo para este pagar as dívidas e sustentar a mãe. Jenny fica orgulhosa e decide ir dar a carta a Manuel. Este fica estupefacto e incrédulo, agradecendo vivamente a Jenny. Cecília, no entanto, fica desconfiada e pergunta a Jenny qual a sua intenção. Esta responde que não tem uma segunda intenção e aconselha Cecília a não ser tão dura com Carlos, já que Mr.Richard e a criada já estavam cientes da inocência deste.
 Após esta conversa, Jenny vai ter com o pai ao escritório e leva Carlos, que acaba por alertar o pai de que planeia casar-se com Cecília. Este adverte-o para as responsabilidades que essa ação traria e dá-lhe a benção. Carlos dirige-se a casa de Manuel e acaba, sem demoras, por pedir a mão da filha em casamento. Manuel fica eufórico com a notícia e aceita o seu genro como parte da família. Na casa de Manuel reúne-se ainda Mr.Richard e Jenny para partilhar a emoção da união das famílias. O sr. José Fortunato, ao saber da notícia, sai da casa e não regressa mais.
 Manuel torna-se um homem de negócios, sendo bastante conhecido e apreciado, Jenny e Mr.Richard vivem em casa na paz da sua casa e Cecília e Carlos vivem felizes.

domingo, 10 de setembro de 2017

O Mistério de Edwin Drood


Obra:O Mistério de Edwin Drood

Autor:Charles Dickens


Páginas:442

Resumo:

Esta obra é iniciada com uma cena um tanto confusa, com Mr.Jasper a acordar de uma sessão de ópio para acalmar uma dor crónica, sem noção de nada. A personagem decide correr para a igreja, onde é responsável por dirigir o coro e o leitor fica a perceber que o seu sobrinho, Edwin Drood viria visitá-lo. Edwin (Ned), é um jovem belo mas descontente por ter como prometida uma mulher bela mas desagradável, que partilha uma amizade forte com o seu tio (ao ponto de Jasper lhe confessar estar cansado da monotonia da sua vida). Certo dia, chegam à cidade um casal de gémeos de pele morena, que se hospedaram (a mulher) no Convento onde Rose (noiva de Edwin) se encontrava e na casa dos Crisparkle (o homem). Estes gémeos foram enviados por Mr.Honeythunder para serem instruído pelo reverendo Septimus na sociedade cristã, após a morte do padrasto abusivo destes. Para celebrarem a chegada destes, os Crisparkle (a mãe do reverendo e este) organizaram um jantar em que convidaram Mr.Jasper, Edwin e a sua noiva Rose. Neste jantar, Rose canta uma canção mas acaba por ter um colapso nervoso e chorar nos ombros de Helena, irmã de Neville, criando-se assim uma amizade entre as duas. Rose confessa à sua nova companheira que o motivo do seu colapso enquanto cantava era o facto de Mr.Jasper, seu professor de canto, a olhar de maneira demasiado íntima e, por isso, a assustava. Edwin, no entanto, criou inimizade com Neville quando este lhe perguntou sobre o seu noivado e o chamou insensível e rude. Mr.Jasper foi o responsável por prevenir uma briga entre os dois.
 Este conflito gera vários rumores na cidade e Miss Crisparkle fica hesitante sobre se seria boa ideia ter um selvagem como hóspede. O reverendo, no entanto, procura convencer a sua mãe e todos os habitantes de que Neville é um homem bom e trabalhador, que está a fazer um esforço enorme por se integrar na sociedade. Tenta ainda convencer várias vezes Neville a pedir desculpa e acaba por conseguir com a ajuda de Helena, indo logo falar com Mr.Jasper para enviar uma carta ao seu sobrinho, que se encontrava em Londres. Os dois acabam assim por fazer as pazes e Edwin convida Neville para passar o Natal com ele.
 Mr.Jasper vai com     ao cemitério, para falarem sobre a campa da mulher deste e acaba por ficar curioso com o local e com Mr.Sapsea, o responsável pelas tumbas. Certa noite, Mr.Jasper decide fazer uma excursão pelas tumbas, com a ajuda de Durdles e este conta-lhe a história sobre a noite de Natal em que ouviu um gemido e um latido vindos da tumba de Miss.Sapsea. Mr.Jasper fica ligeiramente amedrontado mas curioso.
 A altura do Natal chegou e Edwin preparava-se para ir buscar Rose ao Convento e entregar-lhe o anel de família que lhe foi oferecido pelo tutor dela quando esta o chama e lhe confessa que o melhor seria desfazer o casamento, já que apenas se viam como irmão e irmã. Edwin fica um pouco chocado com a notícia mas acaba por aceitar a vontade de Rose e prepara-se para contar ao tio. Edwin decide ir dar uma volta e encontra uma mulher com aspeto adoentado. Após interrogar a mulher sobre o seu estado de saúde, Edwin oferece-lhe dinheiro para o transporte até Londres. Como pagamento, a mulher pergunta-lhe o nome, adivinha a alcunha que a sua "amada" lhe dá e avisa-o de que existe alguém chamado "Ned" (alcunha que Mr.Jasper dava ao sobrinho) que se encontra ameaçado.
 No dia de Natal, a ceia entre Edwin, Mr.Jasper e Neville aconteceu e os dois jovens foram dar um passeio. No dia seguinte, Mr.Jasper vai a casa de Mr.Crisparkle para saber do sobrinho que tinha desaparecido após o jantar e este informa-o de que não sabe de nada e que Neville tinha partido numa viagem essa manhã. Neville, que caminhava apenas com uma maleta pequena, foi levado por um grupo de homens para a cidade e encontrou Mr.Jasper e Mr.Crisparkle a conversar. Mr.Jasper, por não saber do sobrinho, descarrega a culpa em Neville e tenta atacá-lo. Neville consegue escapar, com a ajuda de Mr.Crisparkle e refugia-se numa casa com a irmã, sendo visitado apenas por um vizinho.
 Helena Landless acaba por partir do convento e Rose fica sozinha. Mr.Jasper aproveita a situação para a visitar e para lhe declarar o seu amor. Rose recusa-se a aceitar tal amor e repela-o. Rose decide escapar e vai viver para a casa do seu tutor.
Certo dia chega um jovem à cidade chamado Dick Datchery que se instala num quarto de Mr.Sapsea e conversa com Mr.Jasper sobre os proprietários. Mr.Jasper, por não encontrar a sua amada, decide regressar à loja onde começou a obra e deixar-se embriagar pelos efeitos do ópio. Após a sessão, Mr.Jasper saiu e a dona da loja, uma idosa sábia, seguiu-o e pediu informações a Datchery, que lhe foram dadas de bom grado. Datchery, no entanto, fica curioso com esta personagem e suborna uma criança para lhe dar informações.
 Rose decide viver um mês numa pensão com a administradora do Convento onde se encontrava e acabam por perceber que a proprietária da pensão não lhes oferece "paz de espírito". Mr.Jasper, certo dia, decide visitar os gémeos para confessar a Neville que se tinha enganado e que ele era inocente. Mr.Jasper implora ainda por perdão e Neville concede-lho. Existe, no entanto, uma reviravolta na história e Neville passa a ser acusado de pertencer a um bando de salteadores da Índia e que, por isso, era o responsável por ter assassinado Edwin Drood. Mr.Jasper procura defendê-lo e consegue fazer com que as suspeitas sobre este diminuíssem. Mr.Jasper convida ainda Neville a dormir em sua casa e, nessa noite, antes de irem dormir, convida-o a passearem um pouco. Neville chega a casa de Mr.Crisparkle, ofegante e afirmando que Mr.Jasper o teria insultado e agredido e ele,ao defender-se não sabia se o teria morto. Datchery e Durdles encontram o corpo de Mr.Jasper, ainda vivo, e este afirma que acolheu Neville e este o atacou sem razão. Neville é interrogado, com a presença de Mr.Jasper e criou-se uma crença de que este pertenceria mesmo ao grupo assassino da Índia, que matava os melhores amigos e desfazia-se das jóias do morto.
 O grupo de homens que se ocupava do caso decide ir à catedral para procurar um corpo com o anel que Edwin ainda deveria ter e, ao reparar que Mr.Jasper foi diretamente a um corpo, o grupo desconfiou que talvez tivesse sido ele. Esta hipótese veio a confirmar-se quando Datchery admitiu estar a espiá-lo desde que chegou e que tinha visto a cena em que ele atacava Neville. Mr.Jasper admite os seus crimes e que pertencia à ceita indiana de que Neville era acusado de pertencer.
 Mr.Jasper foi condenado à prisão domiciliária e, para comemorar a libertação de Neville, foi feita uma festa no Convento. Nesta festa apareceram todas as personagens que circundavam a história e foi confirmado um casamento entre Neville e Rosa. Foi ainda revelado que Dick Datchery era Mr.Porter, um amigo das personagens que foi visitar Londres e um amante antigo da diretora do Convento, que se encontrava disfarçado para revelar a identidade de Mr.Jasper a pretexto de Mr.Grewgious. Mr.Jasper suicidou-se com um veneno.
 Devo realçar que esta obra não foi terminada já que, no dia seguinte a escrever esta última cena, o autor faleceu, deixando um mistério a rodear esta célebre obra.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O Coração das Trevas


Obra: O Coração das Trevas

Autor:Joseph Conrad

Páginas:143

Resumo: Este clássico da literatura é iniciado com a chegada de Marlowe a um navio onde iria começar uma viagem a África. Na época histórica do narrador, a África era um grande centro de atração de estrangeiros devido à abundância de matérias primas como o diamante e ouro, sendo um dos grandes interessados o rei da Bélgica. O personagem revela-se hesitante e com o pressentimento de que aquela não é uma viagem comum mas decide arriscar. Ao chegar a África,  depara-se pela primeira vez com os trabalhos forçados, as doenças e assassinato a que os nativos eram expostos sem uma pena que os condenasse. Marlowe fica chocado com o ambiente que o rodeia e começa a perceber a essência cruel daqueles trabalhos, chegando a afirmar: "Era um bando que apenas queria arrancar tesouros às entranhas da terra, sem intenção mais nobre que a do gatuno arrombador de cofres". Marlowe, ao aproximar-se do que ele chama "o coração das trevas", ou seja, o centro de organização das explorações no país, ouve falar de Kurtz, um homem que muitos defendiam como um exemplar perfeito de líder e de homem. Marlowe fica ansioso por conhecer esta figura mas, enquanto a equipa percorre o rio, ele tem a sensação de que se encontra num cenário pré-histórico e reflete sobre a visão racista dos "brancos" da sua época. Ao ser confrontado pela figura de Kurtz, após uma viagem turbulenta, Marlowe considera-o o exemplo supremo de lei, já que todos lhe obedeciam e o seu poder era imenso, capaz de fazer africanos lutarem entre si. Kurtz revela traços de loucura quando, por exemplo, obriga os africanos a verem-no como um deus supremo que mata quem lhe desobedece, o que ultrapassava os limites da sua obrigação. Kurtz adoece e Marlowe fica responsável por ele, admitindo ter ficado a conhecer mais sobre a "alma" do outro. Marlowe fica ainda mais curioso e decide questionar Kurtz sobre o seu método de escravizar um povo e conseguir ser adorado genuinamente como um deus pelo mesmo povo. Neste encontro, Marlowe encontra Kurtz no momento da sua morte gritando "Horror! Horror!" e fica abismado.
 Após a grande desilusão de Marlowe ao não ter o seu mistério revelado, parte do local. Ao chegar ao porto, encontra a namorada de Kurtz, que espera pelo seu amado, e, quando ela lhe pergunta quais foram as últimas palavras de Kurtz, este acaba por contrariar o seu ideal de não mentir e responde-lhe que foi o nome dela.
 Esta obra torna-se uma quase auto-biografia do autor, que também trabalhava na Marinha e que descreveu a sua última viagem neste livro.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Bíblia Sagrada


Obra: Bíblia Sagrada

Autor:Vários

Páginas: 1701

Resumo: Esta obra, uma das únicas a levar séculos a ser escrita, apresenta a evolução de um mundo criado por Deus, personagem vital ao longo da história. Deus cria o mundo em seis dias, por ser um ser para além da natureza e no sétimo descansou, não voltando a aparecer de forma tão direta. Este Deus cria, a partir do barro do planeta recém-nascido, um ser humano de sexo masculino. Por não estar satisfeito, Deus cria também um ser humano do sexo feminino, fazendo-o primeiro com o barro (não ficando satisfeito com o resultado) e depois a partir de uma das costelas de Adão. O casal vive assim na Terra, num local chamado Paraíso Terrestre, até que Eva, o ser feminino, come um fruto de uma árvore proibida e os dois são expulsos do Paraíso. Fora do Paraíso, o casal tem dois filhos: Caim e Abel, com a ajuda de Deus. Estes dois irmãos são criados com o hábito de fazer oferendas a Deus para mantê-lo satisfeito. Caim considera que Abel está a ser mais beneficiado por Deus que ele e acaba por assassinar o irmão, escondendo-o de Deus. No entanto, este acaba por descobrir o segredo de Caim e condena-o a vaguear pela Terra com uma marca para que ninguém o magoe. Caim une-se a uma mulher, cuja existência não foi referida anteriormente, e dá à luz Henoc, cuja linhagem continua. Adão e Eva dão à luz Set e os homens e mulheres começam a multiplicar-se na Terra, começando a apresentar corrupção. Deus fica descontente e prepara-se para destruir todos os seres humanos até que Noé ganha a sua esperança por ser justo. Deus decide assim criar uma inundação colossal, que limpasse todos os Homens da Terra, salvando apenas Noé que está numa arca com um casal de todos os animais na Terra e a sua esposa. No sétimo dia do sétimo mês, a arca chega a Terra e os três filhos de Noé ganham a missão de povoar a Terra. Muitos anos depois, Deus decide visitar a Terra e vê que o povo está a construir uma torre que vai contra dois dos seus princípios: tenta alcançar Deus por tentar ser tão alta que chega ao céu e pretende juntar todos os humanos num local (Deus queria que se espalhassem). Deus decide assim mudar o idioma dos habitantes para não acabarem a torre e espalhou-os pela Terra. Deus elege Abraão para espalhar a sua mensagem aos povos, com a recompensa de que a sua linhagem ia ser longa mas que ia ser submetida à escravidão e teria de ser circuncidada. Abraão tem Isaac que tem Jacob e Esaú. Estes irmãos estão em constante luta, já que Jacob procura conquistar a primogeneidade do irmão e a bênção do pai, coisa que consegue. Jacob tem vários filhos com as duas esposas, acabando por casar a sua filha com o homem que a violou em troca de poder transmitir a mensagem de Deus ao povo. Jacob tem José, responsável por salvar o povo egípcio da fome, espalhando a mensagem de Deus ao Faraó.
 No Egito, nasce Moisés, que irá encontrar uma chama no deserto onde irá ouvir Deus. Deus dá a Moisés a responsabilidade de salvar o seu povo do Egito das mãos do novo Faraó. Moisés parte com os elegidos do povo e o Egito é invadido por pragas. Deus aparece numa nuvem a este povo libertado e começa a ditar os Dez Mandamentos. Deus dita também uma série de regras que irão compor o cristianismo e, ao perceber que os Homens se estavam a desviar do seu caminho, ganha uma face vingativa e autoritária, tendo Moisés que o acalmar e aconselhar. Deus oferece um quase-manual do que os cristãos devem ou não fazer, ditando até quais os animais puros para serem oferecidos e comidos. Deus marca ainda as festas que devem ser celebradas e quais devem ser os sacrifícios que todos devem dar a santuários.
 O povo de Deus é dividido, pelas ordens deste, por funções: aqueles que podem lutar, os que cuidam dos santuários, as mulheres, etc. Pelo caminho até à "terra prometida", Deus fica ainda mais irado do que antes, quase destruindo o povo por este apresentar as suas queixas e o trabalho de Moisés de o acalmar aumenta ("Ordena aos filhos de Israel: Apresentai-Me no devido tempo as minhas ofertas, os meus alimentos e as ofertas queimadas de perfume agradável"). Na terra prometida, Deus convence Balaão a construir mais santuários para o adorarem e converte-o. Deus ordena a Moisés que junte um exército para se vingarem dos maus tratos dos madianitas aos filhos de Israel, numa Guerra Santa. Moisés acaba por falecer e Josué toma o seu lugar, liderando o seu povo numa conquista violenta de Israel, a terra prometida por Deus. Depois de conquistados, os terrenos foram distribuídos pelas tribos do povo de Deus e vários santuários foram erguidos em Israel. Josué morre e Judá toma o seu lugar, conquistando várias terras através da violência. Os séculos passaram e a geração que nunca tinha tido contacto direto com Deus começou a desviar-se do caminho dele e Deus decide pôr as várias regiões à prova, submetendo-as à ditadura política e ordenando a destruição de templos pagãos. No entanto, Deus elegeu 300 pessoas para serem guiadas por Gedeão e sobreviverem ao extermínio dos infiéis da cidade de Israel. Juízes governavam o povo de Deus para que este não saísse do caminho e o povo acabou por passar fome e dificuldades.
 Samuel foi um jovem que foi entrega pela mãe a um santuário de Deus e que cresceu com vocação religiosa, tornando-se num profeta escolhido por Deus. A arca sagrada da aliança, oferecida por Deus, foi roubada e escondida e Samuel foi o responsável por converter aqueles que não queriam sofrer com a fúria de Deus, batizando pela primeira vez. Samuel envelheceu e David, após derrotar Golias, procura-o e compromete-se a destronar Saul, o rei de Israel. David consegue-o e torna-se rei. David foi um rei justo e que se preocupou em proclamar os ideais de Deus e em unir a nação, até que foi castigado por cobiçar a mulher de outro, tendo o seu filho recém-nascido morto. David dedicou-se ao seu povo e a Deus. Salomão, filho de David, passa a reinar e após este, o reino divide-se em dois: Israel e Judá que são levados à ruína devido à ganância dos seus reis. Nestes reinos, os profetas são os responsáveis por manter viva a palavra de Deus. A este ponto começa a nascer uma religião chamada judaísmo, formada pelo povo de Deus, e que se torna a sua religião oficial. O templo torna-se o local principal para o povo se reunir como uma comunidade. Esta obra especifica bastante os problemas, as reflexões, provérbios e as orações deste povo de Deus, podendo o leitor ter uma análise detalhada.
 Existem vários profetas importantes que têm a missão de defender Deus: Isaías, que defende que Deus é absoluto; Jeremias que defende a visão dos camponeses e abomina os falsos ídolos; Ezequiel, que tenta manter a esperança em Deus apesar do sofrimento do povo (Jerusalém acaba por desmoronar e são dedicados vários cantos e lamentações a este) e oferece passos para construir um mundo novo; Daniel, que se revolta contra os poderosos para que o Reino de Deus seja instalado; Oseias, que após ter sido abandonado pela esposa, concentra-se na religião e na denuncia de idolatrias a que chama "prostituições"; Joel, que recorre à penitência e jejum para salvar o povo de uma praga; Amós, que defendia que a fúria de Deus, no dia do Juízo Final, ia atingir todas as nações, até o povo de Deus, e por isso foi expulso; Abdias, que defendia a solidariedade entre irmãos; Jonas, que realça o facto de Deus não se preocupar com nações mas sim com a Humanidade; Miqueias, que denuncia as injustiças sociais; Naum, que demonstra que Deus acompanha a História e que nada lhe pode escapar; Habacuc, que confronta Deus sobre as dificuldades do povo; Sofonias, que criticava os estrangeiros; Ageus, que pretendia unir todos para reconstruir o Templo de Deus; Zacarias, que manteve a fé do povo quando este estava a ser dominado por estrangeiros;  Malaquias, que defende que a religião não deve ser feita de leis rígidas mas sim de compaixão e amor.
 Pelas palavras de Mateus, outro profeta, o leitor fica a saber que nasceu o filho de Deus. Este filho foi colocado por Deus na barriga de uma mulher virgem que, por não ser casada, foi criticada e desprezada pelo povo. Jesus teve como missão converter mais pessoas aos ensinamentos de Deus, fazer milagres e acompanhar os seus doze apóstolos. Havia no entanto, um rei chamado Poncio Pilatos que não gostou da ideia de haver um novo "rei do povo" e decidiu crucificar Jesus. Os apóstolos Marcos, Lucas, João, Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas descrevem o caminho de vida de Jesus Cristo, mencionando a sua ressurreição e o seu desaparecimento poucos dias depois desta, reafirmam os princípios cristãos e denunciam as injustiças (principalmente Paulo).
 A obra termina com um capítulo intitulado "Apocalipse", escrito por João, que atribui premonições para o futuro da Humanidade, avisando que a ira de Deus voltará a ser sentida e que o dia do Juízo Final irá chegar e os infiéis serão novamente destruídos.
 Esta obra acaba por se tornar confusa e contraditória, o que é de esperar devido à diversidade dos seus escritores, mas aconselho a todos a lerem-na como um pedaço de literatura, independentemente da religião.

domingo, 13 de agosto de 2017

1984


Obra: 1984

Autor: George Orwell

Páginas: 300

Resumo:
 Este clássico impactante e intemporal narra a vida de Winston numa sociedade futurista opressora, governada pela oligarquia e vigiada pelo Grande Irmão. Nesta sociedade existem ministérios próprios para tratar de cada assunto, existindo até quem seja responsável, no Ministério da Verdade, por apagar as evidências de um passado que o Partido Interno não autorize ou queira alterar. Winston é um dos responsáveis por este trabalho, destacando-se dos seus colegas por ter um ódio escondido por este sistema, revelando ser consciente do que se passa e da influência do governo nas pessoas, o que o leva a estar deprimido. Este ódio pela sociedade em que vive, leva a que Winston tenha uma certa admiração pela plebe, ou proles como são chamados, já que estes são considerados livres e têm o poder de destruírem o estado, reflexo da opinião do próprio Orwell.
 No ano em que Winston se encontra e que ele acredita ser o ano de 1984, o mundo está dividido em três grandes potências: a Oceânia, onde Winston se encontra e que representa a antiga Inglaterra e EUA, a Euroásia e a Lestásia. Winston não tem qualquer recordações da sua infância, além de meros sonhos com a face da mãe, já que o Partido acredita que o passado pode ser alterado (e trata de o alterar várias vezes apagando as provas) e por isso não deve ser de confiança. Há uma língua própria, a novilingua, que é constantemente trabalhada por responsáveis para ser encurtada e máximo possível para não dar margem a conspirações contra o governo e assim prever o crimepensar. As crianças eram incentivadas a servir o dever desde jovens, sendo vistas como heróis nacionais caso denunciassem os próprios pais por serem contra o partido. O Partido Interno procurava extinguir o prazer, as relações pessoais e os sentimentos para assim controlar melhor a população, expondo o rosto do Grande Irmão por todo o lado como único símbolo que devia ser venerado. As pessoas são constantemente vigiadas através das televisões, por vezes sem noção e, quando Winston descobre que tem um canto no quarto que não consegue ser alcançado pelas cameras, elege-o como sítio ideal para esconder o diário onde exprime os seus pensamentos. No processo de controlo mental da população é ainda introduzido o duplopensar, onde dois conceitos antagónicos devem ser considerados igualmente corretos caso o Grande Irmão assim o afirme.
 Winston, integrado no Partido Externo, acaba por conhecer Júlia, uma mulher que ele considerava ser uma agente secreta que esperava que ele criticasse o governo para o denunciar mas que rapidamente descobre ser apenas uma mecânica das máquinas que fazem filmes porno para os proles se divertirem. Os dois são fortes opositores do Partido e acabam por encontrar vários pontos de encontro desprovidos de vigilância. Winston fascina-se por Júlia à medida que a vai conhecendo ainda mais, por ver nela uma rebelde como ele, apesar de muito mais nova. Um dos pontos prediletos do casal era um quarto por cima de uma loja de antiguidades numa rua de proles.
 O casal, em especial Winston, capta a atenção de O'Brien, um homem misterioso que o convida a sua casa. No encontro, O'Brien apresenta-se como membro da Fraternidade, a sociedade secreta inimiga do Partido e os dois acabam por se interessar e juntar nesta sociedade. Para se juntarem a esta Fraternidade, Winston precisa de ler o livro de Goldstein, o líder da oposição, que explica com detalhes os motivos da guerra, menciona a mudança para o estado atual, explica o lema, a constituição e a missão da sociedade e do Partido Interno. Certa noite, no quarto por cima da loja de antiguidades, o casal vê-se invadido e percebe que o dono da loja era um membro da Polícia do Pensamento disfarçado e que havia um telecrã escondido no quarto que os vigiava. O edifício encontra-se cercado e Winston é enviado para o Ministério do Amor, onde torturavam os condenados por traição. Neste Ministério, encontra dois conhecidos: um poeta condenado por usar a palavra "Deus" num dos seus poemas para fazer uma rima e um colega seguidor rigoroso do Partido que foi acusado pela filha de ter conspirado contra o Partido enquanto dormia. Winston é ainda mais surpreendido quando descobre que O'Brien faz parte do Partido Interno e que este vai ser o responsável por lhe fazer uma lavagem cerebral através de tortura, humilhação e manipulação.
 Depois de todo o sofrimento, Winston estava a começar a aceitar o Grande Irmão e, portanto, a curar-se mas O'Brien percebeu que esta entrega não era total e aumentou o nível de tortura. Winston é enviado para a sala 101, a sala mais temida do ministério, onde são usados os maiores medos de cada indivíduo. Winston é ameaçado com ratazanas, o seu maior medo, e fica tão afetado com a situação que chega a implorar que o castigo seja aplicado a Júlia. O leitor consegue perceber a entrega total de Winston ao Partido quando este escreve no pó da mesa 2+2=5, uma referência ao momento em que O'Brien lhe diz que, se o Partido disser que 2+2=5, todos têm que aceitar. 
 Esta distopia termina com Winston a ver a notícia sobre a vitória do Partido em África, levando depois com uma bala na nuca (maneira comum de matar os convertidos), aliviado por amar finalmente o Grande Irmão.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O ano da morte de Ricardo reis



Obra: O ano da morte de Ricardo Reis

Autor: José Saramago

Páginas: 494

Resumo:
 Esta obra do brilhante autor José Saramago destaca-se na vida do autor não só por ser considerado o seu Magnum opus mas também por ser o livro que o aproximou e o fez conhecer a sua esposa Pilar, sendo também o livro preferido desta. Esta obra surgiu quando Saramago decidiu dar uma morte ao único heterónimo de Fernando Pessoa, e seu preferido, a quem nunca foi atribuída uma morte. O próprio autor chegou a admitir que, quando jovem, acreditava que Ricardo Reis era um leitor independente, descobrindo mais tarde que se tratava de um heterónimo.
 A obra é iniciada quando Ricardo Reis, um médico e poeta, regressa a Lisboa após muitos anos de exílio no Brasil, devido à instalação da República em Portugal (devo realçar que Reis era um defensor da monarquia). Reis encontra uma Lisboa chuvosa e melancólica, decidindo ir para um hotel para se estabelecer. Nos seus primeiros dias em Lisboa, Ricardo Reis ocupa páginas com as suas divagações pela Lisboa que ele tinha abandonado, divagações estas típicas de Saramago. O leitor tem a informação de que Fernando Pessoa tinha morrido nesse mesmo ano com uma doença proveniente do excesso de álcool, através de uma notícia que Ricardo Reis lê no jornal. Reis decide visitá-lo ao cemitério e começa uma reflexão sobre a vida e obras do autor.
 No hotel onde Ricardo Reis se instala, acaba por conhecer uma criada de seu nome Lídia, nome este presente em vários poemas do poeta devido à influência de Horácio. Reis fica fascinado por esta criada e acaba por dedicar muitos poemas a esta, como o conhecido "Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio". Reis faz amizade com os funcionários do hotel e com dois hóspedes: Marcenda e o seu pai, originários de Coimbra. Marcenda chama a atenção de Ricardo Reis por não conseguir movimentar a mão esquerda. Reis começa a aproximar-se da família e chegam a ir ao teatro juntos.  Ricardo Reis aceita Marcenda como sua paciente e compromete-se a curar a mão desta, mesmo percebendo que a deformidade está associada a fatores externos como a morte da mãe desta e a procura do pai por uma amante.
 No dia da passagem de ano, as divagações lisboetas encontram um fim pouco provável quando Reis chega ao seu quarto de hotel e encontra o fantasma de Fernando Pessoa. Pessoa explica-lhe que, depois de mortas, as almas têm o direito de deambular pela Terra durante 9 meses para compensar os meses de gravidez e é o tempo que demora a que alguém seja totalmente esquecido. Pessoa faz referência a um dos seus poemas, ao afirmar que é estranho olhar para o espelho e apenas ver o seu exterior, não se conhecendo a si mesmo.
O livro acaba por assumir um caráter político, quando Reis inicia reflexões sobre a situação económica e política na Europa, fazendo referência aos diversos ditadores. Reis obtém várias informações nos jornais que ele lê religiosamente e que, mais tarde, usará para atualizar Fernando Pessoa na situação do mundo, levando a que seja referido o poema "Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia". A certa altura, a situação política de Portugal começa a afetar Ricardo Reis quando a PVDE solicita a presença dele, o que faz com que muita gente o veja de forma desconfiada e o considere uma pessoa polémica. Ricardo Reis vai ao encontro da PVDE e descobre que um dos superiores o chamou por ter um interesse no médico que saiu do Brasil, no momento após uma revolução neste, e no qual tinha uma clínica estável e próspera. Reis ganha um interessado, Victor, que tem contactos com o gerente do hotel onde Reis estava instalado, e que vai ficar curioso sobre o médico.
 Reis decide mudar-se para uma casa e Lídia prontificou-se a visitá-lo sempre que possível. Com a chuva constante, a melancolia de uma casa abandonada e a solidão, a casa tornou-se o cenário perfeito para Reis se dedicar à escrita de vários poemas. Fernando Pessoa vai visitá-lo e acabam por discutir o significado de solidão.
 Ricardo Reis acaba por se relacionar com Marcenda quando esta o visita na casa nova, mas ela despede-se dele e não tenciona voltar a vê-lo. Reis encontra uma clínica para exercer a sua profissão, mesmo estando apenas a substituir um colega médico. Reis sofre várias críticas por parte da vizinhança por receber na sua casa Lídia e Marcenda mas não se deixa afetar por elas. Reis ainda se envolve várias vezes com Marcenda até que esta afirma ter perdido a esperança e, por isso, não irá regressar a Lisboa. Reis decide ir a Fátima, onde sabia que Marcenda iria estar mas desilude-se quando tem que aguentar um dia abrasador e não encontra a sua pretendida. Ricardo Reis regressa a Lisboa onde encontra uma Lídia calma e sem muitas questões sobre a visita inesperada do seu amado.
 Ricardo Reis encontra-se numa melancolia, chegando a ponderar regressar ao Brasil por sentir que Portugal não era o seu país. Lídia fica grávida e Reis não pretende perfilhar o filho. Nas ruas e jornais há uma presença vincada de confrontos políticos, estando o povo a apoiar Salazar. Ricardo Reis perde a paixão pela vida que lhe restava e entra no tédio. Lídia visita-o, a chorar, e diz-lhe que o irmão, Daniel, e os  outros marinheiros estavam a preparar uma revolta política. Reis vai ter com ele para o convencer a desistir do plano mas não consegue falar com ninguém e os navios são atacados pelo governo.
 Reis tenta falar com Lídia para lhe dar os pêsames mas não a consegue encontrar. Fernando Pessoa vai visitá-lo a casa para se despedir, já que o seu tempo tinha acabado. Ricardo Reis decide acompanhá-lo para a morte, levando o livro The god of the labyrinth, muito mencionado ao longo da obra, para livrar o mundo de mais um enigma (tal como Saramago livrou o mundo do enigma da morte de Ricardo Reis).
 Esta obra foi a escolha acertada para o estudo de José Saramago dos alunos do 12.º ano, introduzida no ano lectivo de 2017/2018.