Obra: A Comédia do Fantasma
Autor: Plauto
Resumo:
Personagens: escravo Tranião; escravo Grumião; o jovem Filólaques; a meretriz Filemácio; a escrava Escafa; o jovem Calidamates; a meretriz Délfio; o velho Teoprópides; o agiota Misergárides; o velho Simão; o escravo Fanisco e o escravo Pinácio.
Grumião acorda Tranião aos gritos. Tranião acorda mal disposto e há uma troca de insultos por Grumião ser do campo e Tranião da cidade. Grumião insulta Tranião por este gastar a fortuna do seu mestre enquanto este está fora e por viver à grega. Há uma troca de insultos e os dois partem. Entra em cena Filólaques, filho do dono da casa a fazer uma longa reflexão sobre como o homem é semelhante a uma casa e como ele se levou à própria ruína.
Chegam Escafa e Filemácio e Filemácio, ao ver Filólaques, pergunta à sua escrava se estava apresentável para ser vista pelo seu amado. Escafa ridiculariza a sua atitude, afirmando que é ridículo ela, sendo uma cortesã, se dedicar apenas a um homem que, mesmo que Filólaques a tenha comprado e libertado, ele iria acabar por a abandonar. Filemácio ameaça Escafa de a castigar severamente se ela continuasse a criticar o seu amado e Escafa passa a bajular a sua ama. Filólaques vai ter com Filemácio e convida-a para sua casa. Chega Calidamates, já bêbedo e Délfio, amada de Calidamates. Filólaques recebe-os e oferece um lugar a mesa mas Calidamates prefere deitar-se e dormir.
Tranião entra em casa a lamentar-se da desgraça a que ele e Filólaques se entregaram por terem esbanjado dinheiro do senhor com festas e agora o senhor tinha regressado. Tranião pergunta à audiência se alguém se queria oferecer para ser castigado por ele mas não houve ninguém. Entra em casa e alerta Filólaques sobre a situação. Este fica desesperado e tenta tirar Calidamates de casa mas não o consegue levantar. Tranião, ao perceber que a situação estava a piorar, tenta encontrar um plano para afastar o senhor da casa. Manda todos para dentro de casa e ordena a Filólaques que não deixe ninguém fazer barulho nem abrir a porta se alguém tocar.
Teoprópides chega e bate à porta várias vezes mas fica espantado por não ter resposta. Tranião chega e saúda o velho e, quando este afirma ter tocado à porta, Tranião faz uma cara de puro medo e afasta o amo da casa. Tranião explica que, naquela casa, um anfitrião tinha assassinado o seu hóspede e enterrado-o no terreno ao pé da casa sem honras fúnebres. Certo dia o hóspede apareceu em sonhos a Filólaques e contou-lhe a história, aconselhando-o a sair daquela casa por estar amaldiçoada. Teoprópides parte e Tranião vê o agiota, que tinha emprestado o dinheiro para Filólaques comprar a concubina, chegar. Fica atrapalhado, principalmente quando vê que Teoprópides regressa também. Teoprópides afirma que o senhor que lhe tinha vendido a casa tinha dito que a história era mentira e Tranião afirma que o dono estava a mentir. O agiota aproxima-se de Tranião a pedir o dinheiro que lhe devia e este leva-o para um sítio mais escondido. Tranião tenta convencê-lo a regressar mais tarde mas o agiota afirma que não iria sair dali sem ter recebido o dinheiro do juro. Teoprópides ouve falar de juro e procura saber o que se passava. Tranião mente, dizendo que Filólaques tinha pedido dinheiro ao agiota quando descobriu que aquela casa estava assombrada para comprar outra. Tranião convence ainda o senhor a dizer ao agiota que ele se responsabilizava por pagar a dívida no dia seguinte. O agiota parte e quando Teoprópides pergunta onde é que o filho tinha comprado a casa, o escravo fica aflito e responde que tinha sido a casa do vizinho. Teoprópides acredita e pede para ver a casa. Tranião vai sozinho ter com Simão, dono da casa e ouve-o a queixar-se da esposa. Dirige-se a ele e roga-lhe para que não conte ao seu senhor a vida luxuosa que eles levavam. Simão aceita e Tranião diz-lhe que o seu senhor gostava de ver a casa de Simão acreditou e Tranião chama Teoprópides, SImão vai para o fórum e os dois entram na casa.
Fanisco faz uma reflexão sobre como ele é um escravo obediente por ter medo de o seu senhor o castigar. Chega Pinácio, outro escravo, e acusa Fanisco de viver uma boa vida por estar na graça do seu senhor. Há uma troca de insultos.
Entretanto, Teoprópides confessa a Tranião como aquela casa era linda e como tinha sido excelente compra. Teoprópides manda Tranião chamar o filho. Fanisco e Pinácio, escravos de Calidamates, bateram à porta de Teoprópides. Este ouve e vai ter com eles. Eles afirmam que vieram ter com o seu senhor que estava ali bêbado. Teoprópides explicou que ninguém habitava aquela casa fazia uns meses e Fanisco explicou que ele ia lá praticamente todos os dias ter com o seu senhor quando este ia às grandes festas realizadas por Filólaques que tinha gasto toda a fortuna do pai dele. Diz ainda que Filólaques tinha comprado a sua amada para lhe conceder a sua liberdade e admite ter pena do pai dele. Os dois escravos vão embora. Teoprópides vê Simão e pergunta-lhe se o filho lhe tinha comprado a casa. Simão responde que não e que o escravo Tranião lhe tinha dito que Teoprópides queria ver a casa para construir um gineceu. Teoprópides percebeu a trama e pediu a Simão uns escravos e correntes.
Teoprópides fala com os escravos de Simão e explica-lhe que vai fingir que não sabe nada para apanhar Tranião desprevenido. Tranião, no entanto, ouviu a conversa e, quando vai ter com o senhor, senta-se num altar. Teoprópides finge que estava irado com Simão por este não reconhecer a compra da casa e Tranião convence-o de que é má ideia. Teoprópides insiste para que o escravo saia do altar mas este não obedece. Ambos deixam de fingir que não sabem a verdade e Teoprópides questiona-o sobre o porquê de ter feito o que fez. Tranião não se mostra arrependido de nada. Chega Calidamates que tinha sido escolhido pelo amigo para falar com o pai e apaziguar a sua ira. Tranião pede a Calidamates para o proteger e este dirige-se a Teoprópides afirmando que o filho é um jovem e que a juventude é a altura para fazer erros mas que, apesar dos erros, continua a ser filho dele. Teoprópides ficou tão emocionado que decidiu perdoar o filho desde que ele pague a despesa. Teoprópides continuava, no entanto, irado com Tranião e mostra desejo de o matar mas Calidamates suplica para que o perdoe e ele acaba por aceitar.
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domingo, 5 de janeiro de 2020
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
Crime e Castigo
Obra: Crime e Castigo
Autor: Dostoievsky
Resumo:
Um rapaz que tinha entrado numa espécie de torpor intelectual, isolando-se, não comendo e vestindo-se com farrapos enquanto preparava o seu projeto. Chamava-se Raskolnikoff e era estudante. Foi visitar uma senhora idosa para penhorar um relógio de prata. Foi para uma taberna, onde um homem bêbado chamado Marmeladoff começou a falar com ele. Tinha sido expulso de casa quando a pessoa a quem devia dinheiro bateu na esposa. Marmeladoff tinha perdido o emprego e voltou a beber. Em casa, a família, composta pela esposa e quatro filhos, passava fome. Tinha conseguido novamente o emprego mas voltou a perdê-lo. Agarrou no dinheiro que tinha num cofre e abandonou a casa para voltar ao álcool. Marmeladoff acaba de contar a história da sua vida e leva Raskolnikoff com ele para a sua casa, de onde tinha fugido. A esposa bateu-lhe.
Raskolnikoff regressou a casa. No dia seguinte acorda com a empregada a anunciar que a dona de casa o ia denunciar à polícia por não lhe pagar a renda e recusar-se a ir embora. Recebe uma carta da mãe a avisar que a irmã de Raskolnikoff estava noiva de um advogado rico e que dentro em pouco os três estariam juntos novamente. Avisa-o ainda de que lhe iria enviar dinheiro. Ele, ao ler a carta fica irado, reprimindo a mãe e a irmã por terem aceite o casamento com um desconhecido e por a mãe estar a pensar mudar de casa sem forma de sobrevivência monetária. Percebe que a irmã se estava a sacrificar por ele e pela mãe para melhorar o estado económico da família. Começou a comparar o futuro da irmã com a esposa de Marmeladoff. Raskolnikoff sai de casa e vê uma jovem embriagada que tinha sido abusada e posta na rua. Um homem queria aproveitar-se dela e ele bateu-lhe. Chega um polícia e Raskolnikoff conta-lhe a história e pede-lhe ajuda para a levar para casa. Arrependeu-se de ter dado o dinheiro para a viagem da rapariga.
Vai beber uma aguardente e fica embriagado. Acaba por adormecer na floresta e sonha com um episódio de terror em que um homem tenta obriga o cavalo a levar muita gente mas este não consegue então espanca-o até que este morre. Acordar sobressaltado perguntando-se se aquele sonho era uma premonição de um crime que ele iria cometer no futuro. Tinha sido diagnosticado com um tumor no coração um mês antes. Raskolnikoff passou pelo mercado e descobriu que a irmã de Alena Ivanova, única companhia desta, estaria a trabalhar ali das 6 às 7 do dia seguinte, deixando assim Alena sozinha. Raskolnikoff planeia matá-la e roubar o seu dinheiro. Depois da primeira vez que ele tinha penhorado algo em Alena, ouviu uma conversa entre um estudante e um oficial sobre ela. O estudante já tinha tido os serviços dele e queixava-se de ela ser rabugenta e má, batendo e escravizando a irmã. O estudante apresenta a ideia de matar a velha e esta ideia despertou a alma de Raskolnikoff. Passou a planear o plano perfeito para conseguir matá-la e roubar o dinheiro. Chegou o dia de pôr o plano em prática. Roubou o machado de cozinha e escondeu-o no casaco. Chegou à porta de Alena sem que ninguém o visse entrar. Entrou na casa dela e deu-lhe um objeto que a ocuparia durante uns minutos a tentar abri-la. Aproveitou a distração e espetou o machado na cabeça de Alena. Passou a procurar o cofre com dinheiro dela mas apenas encontrou objetos valiosos dos penhores. Ouve um grito e vê a irmã de Alena chocada junto ao corpo. Matou-a e a partir desse momento fica desnorteado, não sabendo o que fazer. Limpa a roupa e os sapatos e preparava-se para fugir quando ouve passos nas escadas. Um homem bate à porta impaciente, sem obter resposta. Chega um jovem que afirma querer falar com Alena e que repara que a porta estava fechada com o trinque de dentro e, por isso, elas estavam em casa. Os dois desceram as escadas para se encontrarem com mais um homem e ele aproveitou para se esconder no andar inferior onde tinham estado pintores. Os três homens voltam a subir e ele aproveita para se ir embora do edifício. Vai para casa, arruma o machado e vai para o seu quarto sem conseguir dormir por estar tão desorientado e nervoso.
No dia seguinte entra Nastásia com um homem a entregar uma carta da polícia que lhe ordenava apresentar-se o mais rapidamente possível. Ele mostrou-se pronto a apresentar-se à polícia e a denunciar o seu crime. Quando lá chegou percebeu que tinha sido chamado por uma queixa feita pela senhoria por ele não pagar a renda. Na delegacia, ouviu falar sobre o sucedido no dia anterior. Os polícias não acreditavam que tinham sido os dois homens a cometer o crime. Raskolnikoff ía sair da delegacia mas desmaiou. Os polícias amparara-no e, quando ele recuperou, foi embora.
Raskolnikoff decide desfazer-se das jóias que tinha roubado e vai escondê-las debaixo de uma pedra num sítio longe de sua casa.
Decidiu ir visitar Razoumikhine e diz-lhe que já não tinha lições. O amigo ofereceu-lhe a oportunidade de ganhar dinheiro através de traduções. Ele vai embora sem dizer nada, o que deixa o amigo a pensar que ele estava louco. Raskolnikoff entrou em casa e ouviu Petrovich, o adjunto do comissário da polícia que tinha visto na esquadra, a bater na dona da pensão. Nastásia foi levar-lhe o jantar e o jovem perguntou-lhe sobre o sucedido. Nastásia afirmou que não tinha havido qualquer briga e que aquele era um delírio provocado pela febre. Raskolnikoff pede-lhe água e perde os sentidos. Acorda uns dias mais tarde cercado por Razoumikhine, Nastásia e um desconhecido. O desconhecido apresentou-se afirmando trabalhar para uma firma para onde a mãe de Raskolnikoff tinha enviado dinheiro para o filho. Ele não quer assinar a princípio mas Razoumikhine convence-o a aceitar. O homem deixa o dinheiro e vai-se embora. Razoumikhine alimenta Raskolnikoff e conta-lhe que, depois de ele ter saído de casa dele apressado, Razoumikhine procurou-o por todo o lado. Encontrou a morada e foi visitá-lo mas ele estava doente. Entretanto conheceu todos os que faziam parte do hotel e criou amizade com eles. Esteve ao lado de Raskolnikoff para ver se este acordava e jantava sempre ao pé dele.
Razoumikhine apresenta-se ainda como fiador do amigo devido à dívida que tinha. Razoumikhine afirmou ainda que Raskolnikoff, durante o delírio tinha falado de jóias e tinha pedido para ver a sua bota, que tinha manchas de sangue. Raskolnikoff adormece novamente e Razoumikhine aproveita para lhe comprar roupa nova para substituir a velha esburacada. Chega Zozimoff, um médico que fazia parte da esquadra da polícia. Zozimoff e Razoumikhine começam a falar sobre o assassínio da velha e como a polícia o estava a julgar mal. Um dos pintores que pintavam o prédio tinha sido preso por ter um par de brincos que pertenciam à velha morta. Razoumikhine não acreditava que este era o culpado.
Chega Petro Petrovitch, noivo da irmã de Raskolnikoff. Diz a Raskolnikoff que a mãe e a irmã estavam a caminho dali, e que vão ficar numa pensão até se mudarem para a casa nova, naquela cidade. Petro, Zozimoff e Razoumikhine conversavam sobre o crime quando Raskolnikoff se exaltou e insultou o noivo da irmã. Este vai embora, ofendido e Raskolnikoff aproveita para pedir a todos que saíssem do quarto para ele ficar sozinho. Zozimoff e Razoumikhine saem e comentam o facto de o doente se exaltar sempre que falam no crime. Raskolnikoff vestiu-se e saiu de casa sem que ninguém percebesse. Percorreu as ruas até entrar numa taberna para pedir os jornais dos últimos quatro dias. Começou a lê-los mas foi interrompido por Zozimoff que o interrogava sobre a sua saída e sobre o que ele estava a ler. Raskolnikoff mostrou saber coisas sobre Zozimoff, procurando intimidá-lo. Este não se rende e Raskolnikoff começa a falar com Zametoff sobre um caso de um grupo que falsificava notas. Os dois falam sobre o crime contra a velha e Zametoff pergunta a Raskolnikoff o que é que ele faria se fosse o assassino e este responde descrevendo o que tinha feito. Raskolnikoff pergunta a Zozimoff se ele alguma vez tinha suspeitado que ele era o assassino e Zozimoff afirma que antes tinha suspeitado mas já não suspeitava.
Raskolnikoff saiu e foi para a sua casa. Encontrou Razoumikhine, que lhe dá um raspanete por ter saído e convida-o a ir à inauguração da sua casa à noite. Raskolnikoff continua a caminhar em direção à esquadra da polícia mas desvia o caminho para pensar bem no que ia fazer. Encontra a casa da velha e decide entrar. Sobe até ao quarto dela e vê que estão a fazer obras. Dois operários questionaram-no sobre o que ele ali estava a fazer e quem ele era mas ele apenas respondeu que, se eles quisessem saber, tinham que ir com ele à esquadra. Vai-se embora. Pelo caminho encontrou uma multidão que cercava
Razoumikhine se comprometeu a ir ter com elas quinze minutos depois para as atualizar sobre o filho. Este assim faz e informou-as de que Raskolnikoff estava a dormir. Tal como prometido, mais tarde, levou Zozimoff para junto das senhoras para lhes contar os detalhes sobre a doença do filho. Zozimoff procurou sossegar as duas. Zozimoff e Razoumikhine partiram para a pensão de Raskolnikoff, onde iriam passar a noite. O médico afirma que achou a mãe de Raskolnikoff bonita mas Razoumikhine defende-a. Razoumikhine aproveita ainda para dizer ao médico que este iria dormir no quarto da patroa e que ele se devia interessar por ela e fazer-lhe a corte.
No dia seguinte, Razoumikhine vai tomar chá com a mãe e irmã de Raskolnikoff à pensão onde elas estavam e os três falam sobre Raskolnikoff. A mãe deste destaca os comportamentos errados que ele tinha tido por ter ofendido o noivo da irmã e ter aceite casar-se com a filha da dona da pensão, que entretanto tinha morrido. O noivo da irmã ficou tão ofendido que lhe escreveu uma carta a dizer que as ia visitar à noite e que, se lá estivesse Raskolnikoff, ele ia embora. Os três decidem ir visitar Raskolnikoff e este parecia melhor, pedindo desculpas à irmã e à mãe pelas suas ações na noite anterior. A irmã dele, no entanto, via na cara dele uma apatia que ia contra as suas palavras. Todos sentiam que aquela desculpa era forçada. Raskolnikoff começa a querer puxar conversa para impedir um momento de silêncio mas sentia que era um incómodo enorme manter uma conversa com a mãe e a irmã mesmo apesar de estarem três anos sem se ver. Falam novamente sobre o casamento de Dounia, irmã dele e Raskolnikoff continua a defender que o casamento devia ser anulado. Dounia procurava defender o seu noivo e o seu casamento mas Raskolnikoff contra-ataca sempre com argumentos. Decidem que ele vai estar em casa quando Petro Petrovitch as for visitar mesmo este tendo pedido o contrário.
Entra Sónia, filha de Marmeladoff a convidá-lo para assistir no dia seguinte ao funeral do pai. A mãe e irmã de Raskolnikoff ficaram comovidos e foram-se embora. Sónia também não demorou muito mais tempo e foi-se embora. Raskolnikoff aproveita para dizer a Razoumikhine que tinha um mal pendurado na casa da velha assassinada que tinha pertencido ao seu pai e que era de grande valor para a família. Enquanto Sónia regressava a casa, foi perseguida por um homem desconhecido. Este tentou falar com ela mas esta fugiu o mais rápido possível.
Razoumikhine levou Raskolnikoff, a pedido deste, para casa do juiz de instrução que estava a tomar conta do caso da morte da velha e que queria falar com todos os que lá tinham objetos penhorados. Os dois entraram com Raskolnikoff a tentar parecer o mais feliz e descontraído possível. Estava também na sala Zozimoff. Porfírio, o juiz, interroga Raskolnikoff, mencionando um artigo que este escrevera onde fazia uma reflexão sobre o crime, afirmando que o criminoso, enquanto praticava o crime estava sempre doente e apresentava a ideia de que alguns homens podiam cometer crimes por serem superiores à lei. Porfírio procurou testar Raskolnikoff ao máximo, procurando confrontá-lo para saber se ele tinha uma ligação ao crime. Raskolnikoff decide sair a meio do interrogatório com Razoumikhine e pelo caminho confessa ao amigo que sentia que o juiz e o médico desconfiavam dele. O amigo afirma que não e que ele não se devia preocupar com a opinião dos outros.
Raskolnikoff regressa a casa e o dvornik apresenta-o a um homem baixo que andava à procura dele. O homem vai-se embora e o estudante persegue-o. Interroga-o sobre o seu interesse nele e o homem chama-lhe assassino, partindo com um sorriso malicioso. Raskolnikoff, agitado, decide regressar a casa. Deita-se e começa a meditar sobre a sua vida, ganhando raiva da velha por a ter piorado. Sai para a rua sem dar por si e encontra o homem baixo novamente que o convida a ter com ele. Levou-o ao quarto da velha que estava sentada a um canto e ria. Raskolnikoff pegou no machado e atacou-a com ele mas esta não morria. Acordou aflito e percebeu a figura de um homem sentado a um canto..
Svidrigailoff começa a relatar a verdade sobre a sua vida e sobre a sua esposa. Svidrigailoff fala ainda das visões que tem tido da mulher. Raskolnikoff ouviu-o, apesar da inimizade que os dois tinham. Svidrigailoff tinha amado a irmã de Raskolnikoff mas ofendeu a sua honra mas, apesar disso, foi falar com Raskolnikoff para dizer que o pretendente atual desta não era bom homem. Svidrigailoff propõe propõe ainda oferecer uma quantia de dinheiro para indemnizar a irmã de Raskolnikoff peça que lhe fez e apresenta a intenção de a voltar a ver. Raskolnikoff recusa qualquer proposta e Svidrigailoff parte.
Razoumikhine chega e os dois dirigem-se para casa de Loujine. Razoumikhine procurou saber mais sobre Svidrigailoff com quem se tinha encontrado nas escadas mas não obteve repostas e, por isso, começou a falar sobre o seu dia. Os dois chegaram a casa de Loujine e a mãe e a irmã de Raskolnikoff chegaram um pouco mais tarde por terem tido dificuldades na viagem.
A mãe de Raskolnikoff menciona a morte da esposa de Svidrigailoff e começam todos a falar sobre ele. Raskolnikoff confessa que este o tinha visitado e menciona a proposta que ele tinha feito mas não explica em que consistia. Pedro Petrovitch aproveita a situação para acusar Raskolnikoff de o ter ofendido e procura esclarecer as coisas. Mãe, irmã e Raskolnikoff unem se contra Pedro, mencionando a vez em que difamou a rapariga que encontrara com Raskolnikoff. Pedro queixa se ainda do facto de o seu pedido para falar com Dounia e Pulquéria sobre Raskolnikoff a sós foi negado e Pulqueria impõe se, afirmando que elas não estavam submissas a ele. Dounia pede a Pedro que saia e este assim faz.
Raskolnikoff aproveita para apresentar a oferta de Svidrigailoff. Razoumikhine apresentou a proposta de juntar o seu dinheiro com o que Dounia iria ganhar e criarem um negócio de tradução de livros. Raskolnikoff levanta se subitamente, pronto a sair, e pede à irmã e à mãe que se afastem dele por uns tempos. Pede ainda a Razoumikhine para cuidar das duas e parte. Raskolnikoff visita Sónia e procura saber sobre o seu futuro. Procura saber sobre o estado da sua madrasta e dos filhos desta. Ao ver a miséria em que Sónia vivia, Raskolnikoff propõe que os dois fujam juntos. Sónia considera o louco e não deseja abandonar a família. Raskolnikoff promete lhe que regressará no dia seguinte para lhe contar quem tinha morto Isabel. Svidrigailoff ouviu a conversa atrás da porta e preparou se para ouvir o que Raskolnikoff ia dizer no dia seguinte. No dia seguinte Raskolnikoff vai à delegacia para ser interrogado por Porfirio. Este começa por falar sobre assuntos aleatórios e menciona que está a tratar de um caso em que tem a certeza de quem é o culpado mas está a persegui-lo lentamente. Raskolnikoff exalta-se e afirma que não tolera que Porfirio o acuse de estar relacionado com o duplo homicídio. Porfirio fica confuso e afirma que Raskolnikoff estava a ter um surto devido à sua doença. Porfirio afirma que não tem quaisquer suspeitas de Raskolnikoff mas este não acredita. Nicolau entra na delegacia e confessa ter assassinado a velha e a irmã. Petrovitch andava inquieto por perceber que o seu noivado com Dounia estava terminado. Essa noite ia haver um jantar na casa de Catarina Ivanovna com o dinheiro que Raskolnikoff lhe tinha dado. Petrovitch convida Sónia para propôr criar uma subscrição para Catarina conseguir algumas doações. Esta aceitou e Catarina Ivanovna estava irada durante o jantar por ter pedido a Amália Ivanovna que convidasse pessoas distintas e amigas do morto mas em vez disso tinha convidado "porcos e lambões" que só se interessavam pela comida. Catarina aproveitou a ocasião para apresentar a sua missão de abrir uma casa de educação para meninas nobres, sendo Sónia a geri-la. Há uma troca de insultos entre Catarina e Amália e surge Petrovitch. Este dirige.se a Sónia e informa-a do desaparecimento de uma nota em sua casa no momento em que Sónia lá tinha estado. Sónia afirma ser inocente e Catarina revista-a para mostrar a sua inocência. Uma nota cai do seu bolso. André, companheiro de quarto de Petrovitch, afirmou que tinha visto Petrovitch colocar a nota no bolso dela.
Raskolnikoff apoia esta ideia defendendo que ele estava a tentar fazer Sónia passar por ladra para que a família se voltasse contra ele por a ter ajudado. Petrovitch vai-se embora. No dia seguinte, Raskolnikoff vai visitar Sónia e confessa o seu assassinato. Sónia tem como primeira reação beijá-lo por ele ser mais desgraçado que ela e depois procurou saber as razões. Depois de uma longa explicação por parte de Raskolnikoff, Sónia aconselha-o a entregar-se à polícia. Raskolnikoff aceita esta decisão e Sónia dá-lhe uma cruz para ele usar nesse momento. Chega André a avisar que Catarina tinha enlouquecido após a terem expulsado da casa. Sónia vai ter com ela. Chega a irmã de Raskolnikoff que lhe diz que Demitri lhe tinha contado que perseguiam o irmão e que este estava atormentado com isso. Dounia despede-se do irmão e parte. André encontra Raskolnikoff e informa-o de que Catarina anda a cantar nas ruas com as filhas a dançar. Os dois vão ao local e tentam convencê-la a ir para casa. Esta ignora e continua o seu espetáculo. Chega um polícia que a repreende por estar a fazer muito barulho. Enquanto procurava pelos seus filhos, Catarina caiu e teve uma hemorragia. O polícia e um desconhecido ajudaram-nos a levar Catarina para casa de Sónia. Catarina oscilou entre momentos de loucura e de lucidez até que faleceu. Dimitri chamou Raskolnikoff à parte e afirmou que iria pagar o funeral a colocar as crianças num orfanato e pede-lhe para contar a Dounia o seu gesto. Afirma ainda ser vizinho de Sónia e, por isso, ouviu a sua confissão mas afirma que não iria revelar nada.
Razoumikhine foi visitar Raskolnikoff e repreende-o por não se preocupar com a mãe e com a irmã. Aproveitou e referiu que o assassino da velha tinha sido descoberto e era um dos pintores que se encontravam no local do crime. Razoumikhine sai e chega Porfírio. Porfírio começa por se desculpar pela atitude interrogatória e desconfortável com que tinha abordado Raskolnikoff na última vez. Faz um longo monólogo sobre o caso da velha e no fim afirma saber que Raskolnikoff era o verdadeiro culpado. Afirma que iria prendê-lo mas primeiro dá-lhe a oportunidade de se entregar para assim a sua pena ser reduzida. Após uma discussão entre os dois na qual Raskolnikoff não admitia ser o culpado do crime, Porfírio foi-se embora. Raskolnikoff não perdeu tempo e foi ter com Dimitri. Após uma longa conversa sobre a noiva deste e sobre o crime de Raskolnikoff, este parte e Dimitri encontra-se com Dounia. Leva-a para sua casa e mostra-lhe o local onde ouviu Raskolnikoff confessar o seu crime. Dounia ficou incrédulo e Dimitri ofereceu-se para o ajudar desde que Dounia ficasse com ele. Esta recusa e este fica irado. Dounia pega num revólver para se defender mas este consegue acalmar-se e manda-a sair. Dounia foge. Dimitri sai de casa e vai entregar dinheiro a Sónia e à sua noiva. Fica a dormir num hotel. Teve pesadelos a noite toda. Decidiu sair de madrugada para a sua viagem. Um guarda encontrou-o e questionou-o e Dimitri alvejou-o.
Raskolnikoff foi a casa da mãe despedir-se, sem lhe dizer para onde ía. Chegou ao seu quarto e encontrou Dounia. Esta consolou-o e deu-lhe apoio. Raskolnikoff despediu-se dela e foi a casa de Sónia. Pediu-lhe a cruz que esta tinha prometido oferecer-lhe caso ele se entregasse. Partiu sem se despedir dela. Raskolnikoff dirigiu-se à delegacia, tendo noção de que Sónia o seguia e confessou o seu crime.
A ação avança. Raskolnikoff estava à nove meses preso na Sibéria. Dimitri tinha-se suicidado. Raskolnikoff tinha confessado que tinha morto a velha para melhorar as suas condições de vida. Foi condenado a oito anos de trabalhos forçados. Dounia casou com Razoumikhine. Sónia usou o dinheiro de Dimitri para ir para a Sibéria e visitar Raskolnikoff sempre que quisesse. Raskolnikoff estava abatido e apático, não querendo falar com ninguém. A mãe de Raskolnikoff faleceu. Raskolnikoff todos os dias ponderava que teria sido melhor suicidar-se do que se ter entregue. Certo dia, Raskolnikoff estranhou a ausência de Sónia. Mais tarde disseram-lhe que esta estava doente mas não era nada de grave. Dias mais tarde Sónia voltou a visitá-lo, já recuperada e Raskolnikoff abraçou-se aos seus joelhos, percebendo que a amava.
Autor: Dostoievsky
Resumo:
Um rapaz que tinha entrado numa espécie de torpor intelectual, isolando-se, não comendo e vestindo-se com farrapos enquanto preparava o seu projeto. Chamava-se Raskolnikoff e era estudante. Foi visitar uma senhora idosa para penhorar um relógio de prata. Foi para uma taberna, onde um homem bêbado chamado Marmeladoff começou a falar com ele. Tinha sido expulso de casa quando a pessoa a quem devia dinheiro bateu na esposa. Marmeladoff tinha perdido o emprego e voltou a beber. Em casa, a família, composta pela esposa e quatro filhos, passava fome. Tinha conseguido novamente o emprego mas voltou a perdê-lo. Agarrou no dinheiro que tinha num cofre e abandonou a casa para voltar ao álcool. Marmeladoff acaba de contar a história da sua vida e leva Raskolnikoff com ele para a sua casa, de onde tinha fugido. A esposa bateu-lhe.
Raskolnikoff regressou a casa. No dia seguinte acorda com a empregada a anunciar que a dona de casa o ia denunciar à polícia por não lhe pagar a renda e recusar-se a ir embora. Recebe uma carta da mãe a avisar que a irmã de Raskolnikoff estava noiva de um advogado rico e que dentro em pouco os três estariam juntos novamente. Avisa-o ainda de que lhe iria enviar dinheiro. Ele, ao ler a carta fica irado, reprimindo a mãe e a irmã por terem aceite o casamento com um desconhecido e por a mãe estar a pensar mudar de casa sem forma de sobrevivência monetária. Percebe que a irmã se estava a sacrificar por ele e pela mãe para melhorar o estado económico da família. Começou a comparar o futuro da irmã com a esposa de Marmeladoff. Raskolnikoff sai de casa e vê uma jovem embriagada que tinha sido abusada e posta na rua. Um homem queria aproveitar-se dela e ele bateu-lhe. Chega um polícia e Raskolnikoff conta-lhe a história e pede-lhe ajuda para a levar para casa. Arrependeu-se de ter dado o dinheiro para a viagem da rapariga.
Vai beber uma aguardente e fica embriagado. Acaba por adormecer na floresta e sonha com um episódio de terror em que um homem tenta obriga o cavalo a levar muita gente mas este não consegue então espanca-o até que este morre. Acordar sobressaltado perguntando-se se aquele sonho era uma premonição de um crime que ele iria cometer no futuro. Tinha sido diagnosticado com um tumor no coração um mês antes. Raskolnikoff passou pelo mercado e descobriu que a irmã de Alena Ivanova, única companhia desta, estaria a trabalhar ali das 6 às 7 do dia seguinte, deixando assim Alena sozinha. Raskolnikoff planeia matá-la e roubar o seu dinheiro. Depois da primeira vez que ele tinha penhorado algo em Alena, ouviu uma conversa entre um estudante e um oficial sobre ela. O estudante já tinha tido os serviços dele e queixava-se de ela ser rabugenta e má, batendo e escravizando a irmã. O estudante apresenta a ideia de matar a velha e esta ideia despertou a alma de Raskolnikoff. Passou a planear o plano perfeito para conseguir matá-la e roubar o dinheiro. Chegou o dia de pôr o plano em prática. Roubou o machado de cozinha e escondeu-o no casaco. Chegou à porta de Alena sem que ninguém o visse entrar. Entrou na casa dela e deu-lhe um objeto que a ocuparia durante uns minutos a tentar abri-la. Aproveitou a distração e espetou o machado na cabeça de Alena. Passou a procurar o cofre com dinheiro dela mas apenas encontrou objetos valiosos dos penhores. Ouve um grito e vê a irmã de Alena chocada junto ao corpo. Matou-a e a partir desse momento fica desnorteado, não sabendo o que fazer. Limpa a roupa e os sapatos e preparava-se para fugir quando ouve passos nas escadas. Um homem bate à porta impaciente, sem obter resposta. Chega um jovem que afirma querer falar com Alena e que repara que a porta estava fechada com o trinque de dentro e, por isso, elas estavam em casa. Os dois desceram as escadas para se encontrarem com mais um homem e ele aproveitou para se esconder no andar inferior onde tinham estado pintores. Os três homens voltam a subir e ele aproveita para se ir embora do edifício. Vai para casa, arruma o machado e vai para o seu quarto sem conseguir dormir por estar tão desorientado e nervoso.
No dia seguinte entra Nastásia com um homem a entregar uma carta da polícia que lhe ordenava apresentar-se o mais rapidamente possível. Ele mostrou-se pronto a apresentar-se à polícia e a denunciar o seu crime. Quando lá chegou percebeu que tinha sido chamado por uma queixa feita pela senhoria por ele não pagar a renda. Na delegacia, ouviu falar sobre o sucedido no dia anterior. Os polícias não acreditavam que tinham sido os dois homens a cometer o crime. Raskolnikoff ía sair da delegacia mas desmaiou. Os polícias amparara-no e, quando ele recuperou, foi embora.
Raskolnikoff decide desfazer-se das jóias que tinha roubado e vai escondê-las debaixo de uma pedra num sítio longe de sua casa.
Decidiu ir visitar Razoumikhine e diz-lhe que já não tinha lições. O amigo ofereceu-lhe a oportunidade de ganhar dinheiro através de traduções. Ele vai embora sem dizer nada, o que deixa o amigo a pensar que ele estava louco. Raskolnikoff entrou em casa e ouviu Petrovich, o adjunto do comissário da polícia que tinha visto na esquadra, a bater na dona da pensão. Nastásia foi levar-lhe o jantar e o jovem perguntou-lhe sobre o sucedido. Nastásia afirmou que não tinha havido qualquer briga e que aquele era um delírio provocado pela febre. Raskolnikoff pede-lhe água e perde os sentidos. Acorda uns dias mais tarde cercado por Razoumikhine, Nastásia e um desconhecido. O desconhecido apresentou-se afirmando trabalhar para uma firma para onde a mãe de Raskolnikoff tinha enviado dinheiro para o filho. Ele não quer assinar a princípio mas Razoumikhine convence-o a aceitar. O homem deixa o dinheiro e vai-se embora. Razoumikhine alimenta Raskolnikoff e conta-lhe que, depois de ele ter saído de casa dele apressado, Razoumikhine procurou-o por todo o lado. Encontrou a morada e foi visitá-lo mas ele estava doente. Entretanto conheceu todos os que faziam parte do hotel e criou amizade com eles. Esteve ao lado de Raskolnikoff para ver se este acordava e jantava sempre ao pé dele.
Razoumikhine apresenta-se ainda como fiador do amigo devido à dívida que tinha. Razoumikhine afirmou ainda que Raskolnikoff, durante o delírio tinha falado de jóias e tinha pedido para ver a sua bota, que tinha manchas de sangue. Raskolnikoff adormece novamente e Razoumikhine aproveita para lhe comprar roupa nova para substituir a velha esburacada. Chega Zozimoff, um médico que fazia parte da esquadra da polícia. Zozimoff e Razoumikhine começam a falar sobre o assassínio da velha e como a polícia o estava a julgar mal. Um dos pintores que pintavam o prédio tinha sido preso por ter um par de brincos que pertenciam à velha morta. Razoumikhine não acreditava que este era o culpado.
Chega Petro Petrovitch, noivo da irmã de Raskolnikoff. Diz a Raskolnikoff que a mãe e a irmã estavam a caminho dali, e que vão ficar numa pensão até se mudarem para a casa nova, naquela cidade. Petro, Zozimoff e Razoumikhine conversavam sobre o crime quando Raskolnikoff se exaltou e insultou o noivo da irmã. Este vai embora, ofendido e Raskolnikoff aproveita para pedir a todos que saíssem do quarto para ele ficar sozinho. Zozimoff e Razoumikhine saem e comentam o facto de o doente se exaltar sempre que falam no crime. Raskolnikoff vestiu-se e saiu de casa sem que ninguém percebesse. Percorreu as ruas até entrar numa taberna para pedir os jornais dos últimos quatro dias. Começou a lê-los mas foi interrompido por Zozimoff que o interrogava sobre a sua saída e sobre o que ele estava a ler. Raskolnikoff mostrou saber coisas sobre Zozimoff, procurando intimidá-lo. Este não se rende e Raskolnikoff começa a falar com Zametoff sobre um caso de um grupo que falsificava notas. Os dois falam sobre o crime contra a velha e Zametoff pergunta a Raskolnikoff o que é que ele faria se fosse o assassino e este responde descrevendo o que tinha feito. Raskolnikoff pergunta a Zozimoff se ele alguma vez tinha suspeitado que ele era o assassino e Zozimoff afirma que antes tinha suspeitado mas já não suspeitava.
Raskolnikoff saiu e foi para a sua casa. Encontrou Razoumikhine, que lhe dá um raspanete por ter saído e convida-o a ir à inauguração da sua casa à noite. Raskolnikoff continua a caminhar em direção à esquadra da polícia mas desvia o caminho para pensar bem no que ia fazer. Encontra a casa da velha e decide entrar. Sobe até ao quarto dela e vê que estão a fazer obras. Dois operários questionaram-no sobre o que ele ali estava a fazer e quem ele era mas ele apenas respondeu que, se eles quisessem saber, tinham que ir com ele à esquadra. Vai-se embora. Pelo caminho encontrou uma multidão que cercava
Razoumikhine se comprometeu a ir ter com elas quinze minutos depois para as atualizar sobre o filho. Este assim faz e informou-as de que Raskolnikoff estava a dormir. Tal como prometido, mais tarde, levou Zozimoff para junto das senhoras para lhes contar os detalhes sobre a doença do filho. Zozimoff procurou sossegar as duas. Zozimoff e Razoumikhine partiram para a pensão de Raskolnikoff, onde iriam passar a noite. O médico afirma que achou a mãe de Raskolnikoff bonita mas Razoumikhine defende-a. Razoumikhine aproveita ainda para dizer ao médico que este iria dormir no quarto da patroa e que ele se devia interessar por ela e fazer-lhe a corte.
No dia seguinte, Razoumikhine vai tomar chá com a mãe e irmã de Raskolnikoff à pensão onde elas estavam e os três falam sobre Raskolnikoff. A mãe deste destaca os comportamentos errados que ele tinha tido por ter ofendido o noivo da irmã e ter aceite casar-se com a filha da dona da pensão, que entretanto tinha morrido. O noivo da irmã ficou tão ofendido que lhe escreveu uma carta a dizer que as ia visitar à noite e que, se lá estivesse Raskolnikoff, ele ia embora. Os três decidem ir visitar Raskolnikoff e este parecia melhor, pedindo desculpas à irmã e à mãe pelas suas ações na noite anterior. A irmã dele, no entanto, via na cara dele uma apatia que ia contra as suas palavras. Todos sentiam que aquela desculpa era forçada. Raskolnikoff começa a querer puxar conversa para impedir um momento de silêncio mas sentia que era um incómodo enorme manter uma conversa com a mãe e a irmã mesmo apesar de estarem três anos sem se ver. Falam novamente sobre o casamento de Dounia, irmã dele e Raskolnikoff continua a defender que o casamento devia ser anulado. Dounia procurava defender o seu noivo e o seu casamento mas Raskolnikoff contra-ataca sempre com argumentos. Decidem que ele vai estar em casa quando Petro Petrovitch as for visitar mesmo este tendo pedido o contrário.
Entra Sónia, filha de Marmeladoff a convidá-lo para assistir no dia seguinte ao funeral do pai. A mãe e irmã de Raskolnikoff ficaram comovidos e foram-se embora. Sónia também não demorou muito mais tempo e foi-se embora. Raskolnikoff aproveita para dizer a Razoumikhine que tinha um mal pendurado na casa da velha assassinada que tinha pertencido ao seu pai e que era de grande valor para a família. Enquanto Sónia regressava a casa, foi perseguida por um homem desconhecido. Este tentou falar com ela mas esta fugiu o mais rápido possível.
Razoumikhine levou Raskolnikoff, a pedido deste, para casa do juiz de instrução que estava a tomar conta do caso da morte da velha e que queria falar com todos os que lá tinham objetos penhorados. Os dois entraram com Raskolnikoff a tentar parecer o mais feliz e descontraído possível. Estava também na sala Zozimoff. Porfírio, o juiz, interroga Raskolnikoff, mencionando um artigo que este escrevera onde fazia uma reflexão sobre o crime, afirmando que o criminoso, enquanto praticava o crime estava sempre doente e apresentava a ideia de que alguns homens podiam cometer crimes por serem superiores à lei. Porfírio procurou testar Raskolnikoff ao máximo, procurando confrontá-lo para saber se ele tinha uma ligação ao crime. Raskolnikoff decide sair a meio do interrogatório com Razoumikhine e pelo caminho confessa ao amigo que sentia que o juiz e o médico desconfiavam dele. O amigo afirma que não e que ele não se devia preocupar com a opinião dos outros.
Raskolnikoff regressa a casa e o dvornik apresenta-o a um homem baixo que andava à procura dele. O homem vai-se embora e o estudante persegue-o. Interroga-o sobre o seu interesse nele e o homem chama-lhe assassino, partindo com um sorriso malicioso. Raskolnikoff, agitado, decide regressar a casa. Deita-se e começa a meditar sobre a sua vida, ganhando raiva da velha por a ter piorado. Sai para a rua sem dar por si e encontra o homem baixo novamente que o convida a ter com ele. Levou-o ao quarto da velha que estava sentada a um canto e ria. Raskolnikoff pegou no machado e atacou-a com ele mas esta não morria. Acordou aflito e percebeu a figura de um homem sentado a um canto..
Svidrigailoff começa a relatar a verdade sobre a sua vida e sobre a sua esposa. Svidrigailoff fala ainda das visões que tem tido da mulher. Raskolnikoff ouviu-o, apesar da inimizade que os dois tinham. Svidrigailoff tinha amado a irmã de Raskolnikoff mas ofendeu a sua honra mas, apesar disso, foi falar com Raskolnikoff para dizer que o pretendente atual desta não era bom homem. Svidrigailoff propõe propõe ainda oferecer uma quantia de dinheiro para indemnizar a irmã de Raskolnikoff peça que lhe fez e apresenta a intenção de a voltar a ver. Raskolnikoff recusa qualquer proposta e Svidrigailoff parte.
Razoumikhine chega e os dois dirigem-se para casa de Loujine. Razoumikhine procurou saber mais sobre Svidrigailoff com quem se tinha encontrado nas escadas mas não obteve repostas e, por isso, começou a falar sobre o seu dia. Os dois chegaram a casa de Loujine e a mãe e a irmã de Raskolnikoff chegaram um pouco mais tarde por terem tido dificuldades na viagem.
A mãe de Raskolnikoff menciona a morte da esposa de Svidrigailoff e começam todos a falar sobre ele. Raskolnikoff confessa que este o tinha visitado e menciona a proposta que ele tinha feito mas não explica em que consistia. Pedro Petrovitch aproveita a situação para acusar Raskolnikoff de o ter ofendido e procura esclarecer as coisas. Mãe, irmã e Raskolnikoff unem se contra Pedro, mencionando a vez em que difamou a rapariga que encontrara com Raskolnikoff. Pedro queixa se ainda do facto de o seu pedido para falar com Dounia e Pulquéria sobre Raskolnikoff a sós foi negado e Pulqueria impõe se, afirmando que elas não estavam submissas a ele. Dounia pede a Pedro que saia e este assim faz.
Raskolnikoff aproveita para apresentar a oferta de Svidrigailoff. Razoumikhine apresentou a proposta de juntar o seu dinheiro com o que Dounia iria ganhar e criarem um negócio de tradução de livros. Raskolnikoff levanta se subitamente, pronto a sair, e pede à irmã e à mãe que se afastem dele por uns tempos. Pede ainda a Razoumikhine para cuidar das duas e parte. Raskolnikoff visita Sónia e procura saber sobre o seu futuro. Procura saber sobre o estado da sua madrasta e dos filhos desta. Ao ver a miséria em que Sónia vivia, Raskolnikoff propõe que os dois fujam juntos. Sónia considera o louco e não deseja abandonar a família. Raskolnikoff promete lhe que regressará no dia seguinte para lhe contar quem tinha morto Isabel. Svidrigailoff ouviu a conversa atrás da porta e preparou se para ouvir o que Raskolnikoff ia dizer no dia seguinte. No dia seguinte Raskolnikoff vai à delegacia para ser interrogado por Porfirio. Este começa por falar sobre assuntos aleatórios e menciona que está a tratar de um caso em que tem a certeza de quem é o culpado mas está a persegui-lo lentamente. Raskolnikoff exalta-se e afirma que não tolera que Porfirio o acuse de estar relacionado com o duplo homicídio. Porfirio fica confuso e afirma que Raskolnikoff estava a ter um surto devido à sua doença. Porfirio afirma que não tem quaisquer suspeitas de Raskolnikoff mas este não acredita. Nicolau entra na delegacia e confessa ter assassinado a velha e a irmã. Petrovitch andava inquieto por perceber que o seu noivado com Dounia estava terminado. Essa noite ia haver um jantar na casa de Catarina Ivanovna com o dinheiro que Raskolnikoff lhe tinha dado. Petrovitch convida Sónia para propôr criar uma subscrição para Catarina conseguir algumas doações. Esta aceitou e Catarina Ivanovna estava irada durante o jantar por ter pedido a Amália Ivanovna que convidasse pessoas distintas e amigas do morto mas em vez disso tinha convidado "porcos e lambões" que só se interessavam pela comida. Catarina aproveitou a ocasião para apresentar a sua missão de abrir uma casa de educação para meninas nobres, sendo Sónia a geri-la. Há uma troca de insultos entre Catarina e Amália e surge Petrovitch. Este dirige.se a Sónia e informa-a do desaparecimento de uma nota em sua casa no momento em que Sónia lá tinha estado. Sónia afirma ser inocente e Catarina revista-a para mostrar a sua inocência. Uma nota cai do seu bolso. André, companheiro de quarto de Petrovitch, afirmou que tinha visto Petrovitch colocar a nota no bolso dela.
Raskolnikoff apoia esta ideia defendendo que ele estava a tentar fazer Sónia passar por ladra para que a família se voltasse contra ele por a ter ajudado. Petrovitch vai-se embora. No dia seguinte, Raskolnikoff vai visitar Sónia e confessa o seu assassinato. Sónia tem como primeira reação beijá-lo por ele ser mais desgraçado que ela e depois procurou saber as razões. Depois de uma longa explicação por parte de Raskolnikoff, Sónia aconselha-o a entregar-se à polícia. Raskolnikoff aceita esta decisão e Sónia dá-lhe uma cruz para ele usar nesse momento. Chega André a avisar que Catarina tinha enlouquecido após a terem expulsado da casa. Sónia vai ter com ela. Chega a irmã de Raskolnikoff que lhe diz que Demitri lhe tinha contado que perseguiam o irmão e que este estava atormentado com isso. Dounia despede-se do irmão e parte. André encontra Raskolnikoff e informa-o de que Catarina anda a cantar nas ruas com as filhas a dançar. Os dois vão ao local e tentam convencê-la a ir para casa. Esta ignora e continua o seu espetáculo. Chega um polícia que a repreende por estar a fazer muito barulho. Enquanto procurava pelos seus filhos, Catarina caiu e teve uma hemorragia. O polícia e um desconhecido ajudaram-nos a levar Catarina para casa de Sónia. Catarina oscilou entre momentos de loucura e de lucidez até que faleceu. Dimitri chamou Raskolnikoff à parte e afirmou que iria pagar o funeral a colocar as crianças num orfanato e pede-lhe para contar a Dounia o seu gesto. Afirma ainda ser vizinho de Sónia e, por isso, ouviu a sua confissão mas afirma que não iria revelar nada.
Razoumikhine foi visitar Raskolnikoff e repreende-o por não se preocupar com a mãe e com a irmã. Aproveitou e referiu que o assassino da velha tinha sido descoberto e era um dos pintores que se encontravam no local do crime. Razoumikhine sai e chega Porfírio. Porfírio começa por se desculpar pela atitude interrogatória e desconfortável com que tinha abordado Raskolnikoff na última vez. Faz um longo monólogo sobre o caso da velha e no fim afirma saber que Raskolnikoff era o verdadeiro culpado. Afirma que iria prendê-lo mas primeiro dá-lhe a oportunidade de se entregar para assim a sua pena ser reduzida. Após uma discussão entre os dois na qual Raskolnikoff não admitia ser o culpado do crime, Porfírio foi-se embora. Raskolnikoff não perdeu tempo e foi ter com Dimitri. Após uma longa conversa sobre a noiva deste e sobre o crime de Raskolnikoff, este parte e Dimitri encontra-se com Dounia. Leva-a para sua casa e mostra-lhe o local onde ouviu Raskolnikoff confessar o seu crime. Dounia ficou incrédulo e Dimitri ofereceu-se para o ajudar desde que Dounia ficasse com ele. Esta recusa e este fica irado. Dounia pega num revólver para se defender mas este consegue acalmar-se e manda-a sair. Dounia foge. Dimitri sai de casa e vai entregar dinheiro a Sónia e à sua noiva. Fica a dormir num hotel. Teve pesadelos a noite toda. Decidiu sair de madrugada para a sua viagem. Um guarda encontrou-o e questionou-o e Dimitri alvejou-o.
Raskolnikoff foi a casa da mãe despedir-se, sem lhe dizer para onde ía. Chegou ao seu quarto e encontrou Dounia. Esta consolou-o e deu-lhe apoio. Raskolnikoff despediu-se dela e foi a casa de Sónia. Pediu-lhe a cruz que esta tinha prometido oferecer-lhe caso ele se entregasse. Partiu sem se despedir dela. Raskolnikoff dirigiu-se à delegacia, tendo noção de que Sónia o seguia e confessou o seu crime.
A ação avança. Raskolnikoff estava à nove meses preso na Sibéria. Dimitri tinha-se suicidado. Raskolnikoff tinha confessado que tinha morto a velha para melhorar as suas condições de vida. Foi condenado a oito anos de trabalhos forçados. Dounia casou com Razoumikhine. Sónia usou o dinheiro de Dimitri para ir para a Sibéria e visitar Raskolnikoff sempre que quisesse. Raskolnikoff estava abatido e apático, não querendo falar com ninguém. A mãe de Raskolnikoff faleceu. Raskolnikoff todos os dias ponderava que teria sido melhor suicidar-se do que se ter entregue. Certo dia, Raskolnikoff estranhou a ausência de Sónia. Mais tarde disseram-lhe que esta estava doente mas não era nada de grave. Dias mais tarde Sónia voltou a visitá-lo, já recuperada e Raskolnikoff abraçou-se aos seus joelhos, percebendo que a amava.
sábado, 28 de dezembro de 2019
A Paz
Obra: A Paz
Autor: Aristófanes
Resumo:
A comédia nasceu do culto de Dioniso. As dionísias eram festas de sabor popular e representavam o regresso das vindimas através de uma procissão alegre e galhofeira enquanto se faziam comentários píncaros sobre os espetadores. A comédia devia ser desbocada e cheia de gracejos de mau gosto. Em Atenas, a comédia perdeu a sua linhagem plebeia e aprimorou o seu estilo. As comédias eram julgadas por um júri constituído por cinco cidadãos tirados à sorte entre os espetadores. O comediógrafo que representasse em último lugar tinha mais probabilidade de ganhar por o público ter mais presente a peça. A ordem era tirada à sorte.
Obra:
Dois escravos andavam atarefados a alimentar um escaravelho. Um dos escravos comenta que o seu senhor. Trigeu rogava sempre a Zeus para que parasse de varrer a terra senão ia eliminar a população e que tinha trazido aquele escaravelho para este o levar a voar até Zeus. Chega Trigeu que sobe no escaravelho pronto para ir perguntar a Azeus o que ele tencionava fazer com os Gregos. O escravo e uma filha de Trigeu procuram convencê-lo do contrário mas sem sucesso.
Trigeu chega à morada de Zeus e encontra Hermes, que lhe diz que os deuses tinham ido embora porque estavam fartos dos Gregos e das suas súplicas. Hermes diz que os Gregos só gostavam de estar em Guerra. A Guerra enterrou a Paz para ela não poder sair. A Guerra aparece e vai destruindo várias cidades gregas. O Tumulto chorava e a Guerra bateu-lhe e mandou-o ir buscar um pilão. Trigeu pede a Dioniso que o Tumulto não consiga trazer nada e ele chega de mãos vazias. A Guerra manda o Tumulto buscar um pilão à Lacedemónia mas também eles o tinham perdido.
Trigeu apela ao coro de Gregos que se unam para desenterrar a Paz. Hermes apanha-o antes de realizar o plano e diz-lhe que Zeus condenou à morte os que tentassem desenterrar a paz. O coro e Trigeu usaram a persuasão e a admiração por Hermes para o convencerem a deixá-los seguir com o plano. Quando Trigeu diz que o Sol e a Lua queriam entregar os gregos aos Lacedemónios para serem os únicos deuses com oferendas, Hermes aceita.
O coro e Trigeu fazem força e conseguem libertar a paz. Todos os helenos se abraçam e comemoram pelo fim da guerra, ansiosos por voltar a casa e se dedicarem à agricultura. Hermes começa um longo relato sobre como os Gregos expulsaram a paz e como os Lacedemónios apoiavam a Guerra. A Paz estava tão ofendida com os Gregos que se recusava a falar diretamente com eles. Trigeu pede perdão e Hermes dá-lhe Opôra como esposa a Trigeu e incumbe-o de levar a Teoria para o conselho. Trigeu regressa a casa e é questionado pelo escravo sobre o que acontece depois da morte. Trigeu responde que se transformam em estrelas.
Trigeu prontifica-se logo a reunir homens de bem para fazerem sacrifícios à Paz para que esta acabe com as guerras. Chega Hiérocles, o profeta e, ao ver os sacrifícios, diz que estão a cometer um erro grave por ainda não ser vontade dos deuses acabar com a guerra. Ao ver comida. Hiérocles quer um pedaço mas Trigeu afasta-o por não ter apoiado o sacrifício. Começam a chegar várias personagens para o banquete de casamento entre Opôra e Trigeu. Chega o Foiceiro, que agradece a Trigeu porque a Paz aumentou a venda de foices. Chega o mercador de armas e queixa-se de a Paz ter arruinado o seu negócio. Sai fulo por Trigeu se oferecer para comprar os seus artigos por um preço baixo para usar em tarefas quotidianas. Os que ficaram, deliciaram-se com o banquete e celebraram a sorte que tinham de a guerra ter acabado.
Autor: Aristófanes
Resumo:
A comédia nasceu do culto de Dioniso. As dionísias eram festas de sabor popular e representavam o regresso das vindimas através de uma procissão alegre e galhofeira enquanto se faziam comentários píncaros sobre os espetadores. A comédia devia ser desbocada e cheia de gracejos de mau gosto. Em Atenas, a comédia perdeu a sua linhagem plebeia e aprimorou o seu estilo. As comédias eram julgadas por um júri constituído por cinco cidadãos tirados à sorte entre os espetadores. O comediógrafo que representasse em último lugar tinha mais probabilidade de ganhar por o público ter mais presente a peça. A ordem era tirada à sorte.
Obra:
Dois escravos andavam atarefados a alimentar um escaravelho. Um dos escravos comenta que o seu senhor. Trigeu rogava sempre a Zeus para que parasse de varrer a terra senão ia eliminar a população e que tinha trazido aquele escaravelho para este o levar a voar até Zeus. Chega Trigeu que sobe no escaravelho pronto para ir perguntar a Azeus o que ele tencionava fazer com os Gregos. O escravo e uma filha de Trigeu procuram convencê-lo do contrário mas sem sucesso.
Trigeu chega à morada de Zeus e encontra Hermes, que lhe diz que os deuses tinham ido embora porque estavam fartos dos Gregos e das suas súplicas. Hermes diz que os Gregos só gostavam de estar em Guerra. A Guerra enterrou a Paz para ela não poder sair. A Guerra aparece e vai destruindo várias cidades gregas. O Tumulto chorava e a Guerra bateu-lhe e mandou-o ir buscar um pilão. Trigeu pede a Dioniso que o Tumulto não consiga trazer nada e ele chega de mãos vazias. A Guerra manda o Tumulto buscar um pilão à Lacedemónia mas também eles o tinham perdido.
Trigeu apela ao coro de Gregos que se unam para desenterrar a Paz. Hermes apanha-o antes de realizar o plano e diz-lhe que Zeus condenou à morte os que tentassem desenterrar a paz. O coro e Trigeu usaram a persuasão e a admiração por Hermes para o convencerem a deixá-los seguir com o plano. Quando Trigeu diz que o Sol e a Lua queriam entregar os gregos aos Lacedemónios para serem os únicos deuses com oferendas, Hermes aceita.
O coro e Trigeu fazem força e conseguem libertar a paz. Todos os helenos se abraçam e comemoram pelo fim da guerra, ansiosos por voltar a casa e se dedicarem à agricultura. Hermes começa um longo relato sobre como os Gregos expulsaram a paz e como os Lacedemónios apoiavam a Guerra. A Paz estava tão ofendida com os Gregos que se recusava a falar diretamente com eles. Trigeu pede perdão e Hermes dá-lhe Opôra como esposa a Trigeu e incumbe-o de levar a Teoria para o conselho. Trigeu regressa a casa e é questionado pelo escravo sobre o que acontece depois da morte. Trigeu responde que se transformam em estrelas.
Trigeu prontifica-se logo a reunir homens de bem para fazerem sacrifícios à Paz para que esta acabe com as guerras. Chega Hiérocles, o profeta e, ao ver os sacrifícios, diz que estão a cometer um erro grave por ainda não ser vontade dos deuses acabar com a guerra. Ao ver comida. Hiérocles quer um pedaço mas Trigeu afasta-o por não ter apoiado o sacrifício. Começam a chegar várias personagens para o banquete de casamento entre Opôra e Trigeu. Chega o Foiceiro, que agradece a Trigeu porque a Paz aumentou a venda de foices. Chega o mercador de armas e queixa-se de a Paz ter arruinado o seu negócio. Sai fulo por Trigeu se oferecer para comprar os seus artigos por um preço baixo para usar em tarefas quotidianas. Os que ficaram, deliciaram-se com o banquete e celebraram a sorte que tinham de a guerra ter acabado.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
A Sogra
Obra: A Sogra
Autor:Terêncio
Resumo:
Personagens: Laques-pai de Pânfilo; Sóstrata-mãe de Pânfilo; Fidipo- pai de Filumena; Mirrina- mãe de Filumena; Sósia e Parmenão- escravos de Pânfilo; Báquis- antiga amante de Pânfilo.
Filótis, amiga de Báquis fala com Sira, sua escrava. Filótis comenta o facto de Pânfilo ter prometido a Baquis que nunca levaria outra mulher ao altar e agora estar casado. Sira ensina-a que não deve confiar em homens. Parmenão sai de casa de Laques e vê as jovens a conversar. Vai ter com elas e começa a falar sobre as aventuras de Filótis. Filótis, curiosa, pergunta a Parmenão detalhes sobre o casamento de Pânfilo. Parmenão tenta controlar-se mas acaba por desabafar tudo. Pânfilo queria Báquis mas o pai persuadiu-o a casar mas o casamento ainda não estava consumado. Diz que Pânfilo sofreu muito e que confessou a Parmenão a sua angústia. Enquanto isso, visitava Báquis todos os dias mas, como esta se ia afastando, ele foi-se apaixonando pela esposa. Morre um parente deles e ficam com a herança. Laques manda Pânfilo ir buscar a herança e este deixa a esposa e a mãe em casa. Filumena começa a tornar-se fria para com a sogra e chega ao ponto de ir para casa dos pais sem lhe dar uma justificação.
Laques acusa Sóstrata de ter afastado a nora como é típico das sogras. Sóstrata age com calma e defende-se. Fidipo estava à porta de sua casa a lamentar-se por se ter deixado levar pelo amor de pai e aceitado a filha em casa. Laques vê-o e decide confrontá-lo, mostrando-se irado com a situação. Fidipo toma uma atitude passiva, afirmando que não pode fazer nada e Laques volta a culpar Sóstrata. Os dois regressam a casa e Sóstrata inicia um monólogo onde explica que não fez nada à nora e sente-se confusa pela atitude dela.
Chega Pânfilo acompanhado por Parmenão, que o põe ao corrente da situação. Pânfilo exprime a sua má sorte porque, agora que estava solto dos amores por Báquis, a sua esposa era-lhe afastada. Não sabe que lado há-de tomar: o da mãe ou o da esposa. Parmenão procura explicar-lhe que não é algo assim tão grave. Pânfilo aproxima-se da casa de Fidipo e ouve gritos. Pânfilo entra na casa e Parmenão fica sentado na rua.
Sóstrata vê o rebuliço e quer ir visitar Filumena mas Parmenão relembra-a de que ela não era bem vinda. Diz-lhe que Pânfilo já tinha regressado e ela ilumina-se. Pânfilo sai de casa de Filumena a chorar. A mãe procura saber o que se passa e Pânfilo manda-a para casa. Manda Parmenão ir buscar as malas e inicia um monólogo. Descreve o que se passou na casa: ao entrar, percebe que Filumena estava grávida e que estava prestes a dar à luz. Mírrina roga de joelhos a Pânfilo que não conte nada a ninguém porque ela tinha sido violada. Pânfilo aceita manter sagrado mas não acha que a conseguiria voltar a aceitar. Lembra-se que tinha confessado a Parmenão que nos dois primeiros meses não tinham dormido juntos e que este, ao perceber que ela estava a dar à luz, descobrisse tudo.
Chega Sósia e Parmenão e Sósia queixa-se de a viagem no mar ter sido longa e cansativa. Pânfilo manda Parmenão à Acrópole encontrar-se com um conhecido seu. Parmenão vai a custo por ser preguiçoso. Laques e Fidipo chegam e Laques diz que Filumena estava em casa porque o pai a tinha chamado no dia anterior mas Pânfilo afirma logo saber a verdade. Pânfilo mostra-se indeciso sobre que partido tomar mas diz que a filia o leva a tomar o da mãe (quando na verdade é ele que não quer). Pânfilo afirma que, se a esposa não o quer, ele terá que a deixar. Pânfilo sai e os dois velhos ficam a discutir e a insultar-se.
Mírrima está preocupada porque teme que o marido tenha ouvido o choro da criança. Fidipo chega e repreende a esposa por lhe ter escondido a criança, que ele acreditava ser legítima. Culpa Mírrina por querer esconder a criança por querer ver as duas famílias separadas. Acusa-a de não aceitar o genro por este estar relacionado com a cortesã e Mírrina pede-lhe para ir perguntar a Pânfilo se quer a esposa ou não. Mírrina, num monólogo, afirma que a filha tinha sido violada por um desconhecido que lhe tinha tirado um anel.
Sóstrata está a falar com Pânfilo. Diz-lhe que o pai lhe tida dito que ele a pôs à frente da sua amada e quer retribuir o favor. Sóstrata prontifica-se a deitar toda a sua vida para ir morar no campo com o marido. Laques estava a ouvir a conversa e entrou para dizer a Sóstrata que ela estava certa e que devia ir para o campo com ele. Pânfilo procura dissuadir os dois dessa ideia mas não consegue. Sóstrata sai e entra Fidipo que diz que a culpa era toda de Mírrina e, por isso, Sóstrata não precisava de sair. Fidipo conta que o bebé já ansceu e pede a Pânfilo que aceite pelo menos a criança. Laques insiste que o filho a vai aceitar e, quando este continua a negar, afirma que é por ainda estar apaixonada por Báquis. Pânfilo sai e Laques pede ajuda a Fidipo para confrontar Báquis. Manda um escravo chamá-la. Báquis chega e Laques pede-lhe que não volte a ver o filho. Báquis afirma que não o tem andado a ver e Laques pede-lhe que vá dizer a Filumena e à mãe isso. Chega Fidipo e, ao ver Báquis, insulta-a. Báquis manem-se calma e mostra-se hesitante em entrar e falar com Filumena.
Chega Parmenão a queixar-se de ter estado à espera e não ter aparecido ninguém. Chega Báquis e pede-lhe que vá chamar Pãnfilo rapidamente para ir ter com Filumena porque a mãe desta reconheceu o anel que lhe tinha dado e que era da filha.
Monólogo de Báquis em que esta se mostra feliz por ter trazido tanta felicidade ao seu amado. Conta como uma noite. Pânfilo chega a sua casa ofegante afirmando que tinha violado alguém e que tinha ficado com o anel. Agora descobre-se que tinha violado Filumena e que o filho era seu.
Pânfilo quer recompensar o escravo por lhe ter dado tantas alegrias. Vê Báquis e vai ter com ele. Os dois elogiam-se mutuamente e Báquis fica feliz pela sorte de Pânfilo. Báquis entra em casa cabisbaixa mas ele não repara. Parmenão não sabe o que fez mas fica feliz por não ter ajudado.
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Epídico
Obra: Epídico
Autor:Plauto
Personagens: Epídico, Tesprião (escudeiro de Estratípocles), Estratípocles; Queribulo (jovem amigo de Estratípocles); Apécides (amigo de Perífanes); Perífanes; o soldado fanfarrão; Filipa; Acrópolis; uma lirista anónima e Teléstis.
Resumo:
Tesprião chega do porto com a bagagem do seu amo Estratípocles. Aparece logo Epídico e os dois metem a conversa em dia. Tesprião tinha passado o tempo a comer e a roubar, ato pelo qual era conhecido. Epídico procura saber como estava Estratípocles e onde se encontrava. Tesprião afirma que Estratípocles tinha abandonado as suas armas em combate e que não tinha chegado com ele porque não se queria encontrar com o pai. Diz ainda que Estratípocles tinha comprado uma cativa por se ter apaixonado por ela. Epídico fica desesperado por ter já resolvido o problema da sua outra amada ("Mas quantos corações tem esse homem"). Estratípocles tinha comprado a nova amada com dinheiro emprestado a juros e que o onzeneiro que lhe tinha emprestado o dinheiro tinha chegado com ele para reclamar o seu dinheiro. Epídico lamenta a sua própria desgraça e prevê que irá receber um castigo severo. Tesprião vai para casa de Queribulo, para onde o seu senhor o tinha enviado. Epídico fica sozinho e começa um monólogo em que exprime a sua preocupação com o seu futuro.
Estratípocles chega com Queribulo e Epídico esconde-se para os ouvir. Queribulo tenta acalmar o amigo, afirmando que o pai não o ia censurar por ter comprado uma cativa de boas famílias. Estratípocles pede dinheiro ao amigo para a acabar de pagar mas este mostra que não tem dinheiro. Estratípocles fica irado por não ter a ajuda que precisava do amigo e deseja ter Epídico ali porque ele iria arranjar-lhe o dinheiro, custasse o que custasse, só para se livrar do castigo de trabalhar no moinho. Epídico, ao ouvir isto, decide aparecer. Epídico diz ao amo que tinha conseguido comprar a amada de Estratípocles como este lhe tinha pedido mas este afirma que já não estava interessado nela pois tinha uma nova paixão. Epídico fica atrapalhado, principalmente quando o amo lhe pede para arranjar o dinheiro que ele estava a dever. Epídico mostra-se empático face ao sofrimento do amo e diz-lhe que fará de tudo para o arranjar.
Enquanto isso, Apécides e Perífanes conversavam. Apécides procura acalmar o amigo dizendo-lhe que não há problema em ele casar com uma mulher de boa famílias (Filipa), principalmente uma que lhe tinha gerado uma filha. Perífanes afirma que teme pela reação do filho.
Epídico sai de casa de Queribulo e vê Apécides e Perífanes a conversar. Decide escutar a conversa. Epídico toma a decisão de pedir o dinheiro que o seu amo precisava a Perífanes mas não sabe como. Ouve Apécides dizer que a solução era casar Estratípocles e cria um plano. Finge que tinha andado por toda a cidade à procura de Perífanes. Diz a Perífanes que tinha visto os soldados regressarem da guerra e que à espera de Estratípocles estava a lirista por quem este andava apaixonado. Perífanes procura saber mais e Epídico diz-lhe que ouviu a lirista dizer que o seu amado a ia comprar para a libertar. Perífanes pede ajuda a Apécides e a Epídico e Epídico aconselha-o a fingir que estava interessado na lirista e que a queria libertar por isso e, quando a tiver comprado, mandá-la para longe da cidade. Aconselha-o ainda a enviar alguém em seu nome para libertar a lirista para o onzeneiro não pensar que ele apenas queria salvar o filho. Perífanes e Apécides ficam maravilhados com o plano e designam Epídico para ir entregar o dinheiro junto com Apécides. Perífanes hesita um pouco no momento em que Epídico lhe diz o preço da jovem mas aceita quando este lhe diz que há um jovem que estava interessado nela e que lha iria comprar.
Enquanto isso, na casa de Queribulo, Estratípocles começa a pensar que Epídico lhe tinha mentido e que não o ia ajudar. Estratípocles começa a descarregar a sua ira em Queribulo por este não o ter ajudado quando ouve um barulho. Chega Epídico com o saco cheio de dinheiro e explica o seu plano ao amo. Este fica radiante e Epídico parte para o fórum para ir ter com Apécides.
Perífanes estava em casa a fazer uma reflexão sobre a sua vida quando chega Apécides com a lirista. Perífanes manda um escravo levá-la para os aposentos no andar de cima e proíbe-o de deixar a sua filha falar com ela. Apécides parte e entra em cena o Soldado Fanfarrão. O Soldado pede a Perífanes que lhe venda a lirista que tinha comprado para ele a tornar sua concubina. Perífanes aceita desde que o Soldado a leve para fora da cidade e este concorda.
Um escravo traz a lirista e Perífanes entrega-a ao Soldado. O Soldado rejeita-a por não reconhecer nesta a sua amada. Perífanes insiste que aquela é Acropolístis mas o Soldado explica-lhe que ele tinha sido enganado. Perífanes fica em choque e o Soldado decide que o melhor é partir. Perínaes vira-se para a lirista e pergunta-lhe se tinha sido Apécides a comprá-la. A lirista responde que não ouvira falar desse nome, que era livre à cinco anos e que tinha sido contratada para acompanhar Perífanes num sacrifício. A lirista afirma conhecer Acropolístis mas não sabe onde ela mora. A lirista afirma ter ouvido que tinha sido Estratípocles quem a libertara e Perífanes percebe que Epídico tinha ficado com o dinheiro para si. Perífanes fica irado e manda a lirista embora sem a sua lira nem flautas.
Chega Filipa, com quem Perífanes tinha tido uma relação na mocidade e a quem abandonou para se casar com uma mulher rica e a quem deixara uma filha. Perífanes ouve os lamentos de uma mulher mas não sabe quem é. Os dois olham-se e reconhecem-se mas ambos hesitam em falar um com o outro por medo de serem mal recebidos. Pouco a pouco trocam palavras mas nenhum quer ceder e reconhecer quem é o outro. Perífanes alude à cidade onde eles se conheceram e Filipa deixa de resistir. Filipa desfaz-se em lágrimas e conta a Perífanes que a filha dos dois estava nas mãos do inimigo. Perífanes acalma-a, dizendo-lhe que Teléstis estava em sua casa e manda-a chamar. Ela chega e Filipa jura a pés juntos que não conhece aquela mulher. Perífanes fica confuso mas percebe que era outra das artimanhas de Epídico. Interroga Acropolístis, que se fazia passar por sua filha, e esa afirma que estava a seguir ordens de Epídico. Perífanes manda as duas mulheres para dentro de casa e sai à procura da sua filha que tinha sido comprada por um cidadão de Atenas e de Epídico.
Estratípocles aguarda a chegada do onzeneiro com a sua amada e a pedir-lhe o dinheiro. Epídico chega abatido por ter visto Perífanes e Apécides a comprar correias que ele sabia serem para o castigar, significando assim que tinha descoberto o que ele tinha feito. Chega Teléstis e o onzeneiro. Estratípocles vai buscar o dinheiro e Epídico, ao ver Teléstis, reconhece que esta é a filha de Perífanes e Filipa, que ele tinha visto quando lhe entregava prendas de Perífanes. Chega Estratípocles e paga ao onzeneiro. Teléstis corre a abraçá-lo e chama-lhe irmão. Epídico trata de lhe explicar tudo e Estratípocles fica feliz por ter encontrado a irmã mas triste por ter ficado sem uma companheira. Para o alegrar, Epídico afirma que lá em casa estava Acropolístis para ele se servir. Epídico leva os dois para casa de Perífanes e chama Tesprião para ir ter com eles. Pede aos dois irmãos que, se Perífanes se virasse contra ele, que o acudissem.
Perífanes e Apécides entram em cena exaustos e cheios de dores por andarem à procura de Epídico e por carregarem as correias. Epídico ouve os dois velhos a conversar e salta para a frente deles. Epídico oferece as mãos sem medo para serem amarradas. Perífanes hesita perante esta ordem e que que quer fazer perguntas a Epídico com ele desamarrado. Epídico afirma que não irá responder a nada enquanto não estiver atado. Perífanes olha para o amigo sem saber o que devia fazer e Apécides aconselha-o a fazer a vontade a Epídico. Amarram-no e Epídico pede que as correias estejam bem apertadas. Perífanes interroga Epídico sobre o que ele tinha feito e o escravo não mostra arrependimentos e confessa toda a história. Epídico manda o patrão para dentro de casa para confirmar que ele merece a liberdade. Perífanes entra para casa e Apécides fica com ele. Apécides interroga-o sobre o que está em casa e Epídico afirma que é a filha de Perífanes.
Perífanes chega e quer desatar as mãos a Epídico mas este recusa enquanto não tiver presentes, a liberdade, um subsídio de alimentação e um pedido de desculpas. Chega o Diretor da companhia a pedir o aplauso do público.
Autor:Plauto
Personagens: Epídico, Tesprião (escudeiro de Estratípocles), Estratípocles; Queribulo (jovem amigo de Estratípocles); Apécides (amigo de Perífanes); Perífanes; o soldado fanfarrão; Filipa; Acrópolis; uma lirista anónima e Teléstis.
Resumo:
Tesprião chega do porto com a bagagem do seu amo Estratípocles. Aparece logo Epídico e os dois metem a conversa em dia. Tesprião tinha passado o tempo a comer e a roubar, ato pelo qual era conhecido. Epídico procura saber como estava Estratípocles e onde se encontrava. Tesprião afirma que Estratípocles tinha abandonado as suas armas em combate e que não tinha chegado com ele porque não se queria encontrar com o pai. Diz ainda que Estratípocles tinha comprado uma cativa por se ter apaixonado por ela. Epídico fica desesperado por ter já resolvido o problema da sua outra amada ("Mas quantos corações tem esse homem"). Estratípocles tinha comprado a nova amada com dinheiro emprestado a juros e que o onzeneiro que lhe tinha emprestado o dinheiro tinha chegado com ele para reclamar o seu dinheiro. Epídico lamenta a sua própria desgraça e prevê que irá receber um castigo severo. Tesprião vai para casa de Queribulo, para onde o seu senhor o tinha enviado. Epídico fica sozinho e começa um monólogo em que exprime a sua preocupação com o seu futuro.
Estratípocles chega com Queribulo e Epídico esconde-se para os ouvir. Queribulo tenta acalmar o amigo, afirmando que o pai não o ia censurar por ter comprado uma cativa de boas famílias. Estratípocles pede dinheiro ao amigo para a acabar de pagar mas este mostra que não tem dinheiro. Estratípocles fica irado por não ter a ajuda que precisava do amigo e deseja ter Epídico ali porque ele iria arranjar-lhe o dinheiro, custasse o que custasse, só para se livrar do castigo de trabalhar no moinho. Epídico, ao ouvir isto, decide aparecer. Epídico diz ao amo que tinha conseguido comprar a amada de Estratípocles como este lhe tinha pedido mas este afirma que já não estava interessado nela pois tinha uma nova paixão. Epídico fica atrapalhado, principalmente quando o amo lhe pede para arranjar o dinheiro que ele estava a dever. Epídico mostra-se empático face ao sofrimento do amo e diz-lhe que fará de tudo para o arranjar.
Enquanto isso, Apécides e Perífanes conversavam. Apécides procura acalmar o amigo dizendo-lhe que não há problema em ele casar com uma mulher de boa famílias (Filipa), principalmente uma que lhe tinha gerado uma filha. Perífanes afirma que teme pela reação do filho.
Epídico sai de casa de Queribulo e vê Apécides e Perífanes a conversar. Decide escutar a conversa. Epídico toma a decisão de pedir o dinheiro que o seu amo precisava a Perífanes mas não sabe como. Ouve Apécides dizer que a solução era casar Estratípocles e cria um plano. Finge que tinha andado por toda a cidade à procura de Perífanes. Diz a Perífanes que tinha visto os soldados regressarem da guerra e que à espera de Estratípocles estava a lirista por quem este andava apaixonado. Perífanes procura saber mais e Epídico diz-lhe que ouviu a lirista dizer que o seu amado a ia comprar para a libertar. Perífanes pede ajuda a Apécides e a Epídico e Epídico aconselha-o a fingir que estava interessado na lirista e que a queria libertar por isso e, quando a tiver comprado, mandá-la para longe da cidade. Aconselha-o ainda a enviar alguém em seu nome para libertar a lirista para o onzeneiro não pensar que ele apenas queria salvar o filho. Perífanes e Apécides ficam maravilhados com o plano e designam Epídico para ir entregar o dinheiro junto com Apécides. Perífanes hesita um pouco no momento em que Epídico lhe diz o preço da jovem mas aceita quando este lhe diz que há um jovem que estava interessado nela e que lha iria comprar.
Enquanto isso, na casa de Queribulo, Estratípocles começa a pensar que Epídico lhe tinha mentido e que não o ia ajudar. Estratípocles começa a descarregar a sua ira em Queribulo por este não o ter ajudado quando ouve um barulho. Chega Epídico com o saco cheio de dinheiro e explica o seu plano ao amo. Este fica radiante e Epídico parte para o fórum para ir ter com Apécides.
Perífanes estava em casa a fazer uma reflexão sobre a sua vida quando chega Apécides com a lirista. Perífanes manda um escravo levá-la para os aposentos no andar de cima e proíbe-o de deixar a sua filha falar com ela. Apécides parte e entra em cena o Soldado Fanfarrão. O Soldado pede a Perífanes que lhe venda a lirista que tinha comprado para ele a tornar sua concubina. Perífanes aceita desde que o Soldado a leve para fora da cidade e este concorda.
Um escravo traz a lirista e Perífanes entrega-a ao Soldado. O Soldado rejeita-a por não reconhecer nesta a sua amada. Perífanes insiste que aquela é Acropolístis mas o Soldado explica-lhe que ele tinha sido enganado. Perífanes fica em choque e o Soldado decide que o melhor é partir. Perínaes vira-se para a lirista e pergunta-lhe se tinha sido Apécides a comprá-la. A lirista responde que não ouvira falar desse nome, que era livre à cinco anos e que tinha sido contratada para acompanhar Perífanes num sacrifício. A lirista afirma conhecer Acropolístis mas não sabe onde ela mora. A lirista afirma ter ouvido que tinha sido Estratípocles quem a libertara e Perífanes percebe que Epídico tinha ficado com o dinheiro para si. Perífanes fica irado e manda a lirista embora sem a sua lira nem flautas.
Chega Filipa, com quem Perífanes tinha tido uma relação na mocidade e a quem abandonou para se casar com uma mulher rica e a quem deixara uma filha. Perífanes ouve os lamentos de uma mulher mas não sabe quem é. Os dois olham-se e reconhecem-se mas ambos hesitam em falar um com o outro por medo de serem mal recebidos. Pouco a pouco trocam palavras mas nenhum quer ceder e reconhecer quem é o outro. Perífanes alude à cidade onde eles se conheceram e Filipa deixa de resistir. Filipa desfaz-se em lágrimas e conta a Perífanes que a filha dos dois estava nas mãos do inimigo. Perífanes acalma-a, dizendo-lhe que Teléstis estava em sua casa e manda-a chamar. Ela chega e Filipa jura a pés juntos que não conhece aquela mulher. Perífanes fica confuso mas percebe que era outra das artimanhas de Epídico. Interroga Acropolístis, que se fazia passar por sua filha, e esa afirma que estava a seguir ordens de Epídico. Perífanes manda as duas mulheres para dentro de casa e sai à procura da sua filha que tinha sido comprada por um cidadão de Atenas e de Epídico.
Estratípocles aguarda a chegada do onzeneiro com a sua amada e a pedir-lhe o dinheiro. Epídico chega abatido por ter visto Perífanes e Apécides a comprar correias que ele sabia serem para o castigar, significando assim que tinha descoberto o que ele tinha feito. Chega Teléstis e o onzeneiro. Estratípocles vai buscar o dinheiro e Epídico, ao ver Teléstis, reconhece que esta é a filha de Perífanes e Filipa, que ele tinha visto quando lhe entregava prendas de Perífanes. Chega Estratípocles e paga ao onzeneiro. Teléstis corre a abraçá-lo e chama-lhe irmão. Epídico trata de lhe explicar tudo e Estratípocles fica feliz por ter encontrado a irmã mas triste por ter ficado sem uma companheira. Para o alegrar, Epídico afirma que lá em casa estava Acropolístis para ele se servir. Epídico leva os dois para casa de Perífanes e chama Tesprião para ir ter com eles. Pede aos dois irmãos que, se Perífanes se virasse contra ele, que o acudissem.
Perífanes e Apécides entram em cena exaustos e cheios de dores por andarem à procura de Epídico e por carregarem as correias. Epídico ouve os dois velhos a conversar e salta para a frente deles. Epídico oferece as mãos sem medo para serem amarradas. Perífanes hesita perante esta ordem e que que quer fazer perguntas a Epídico com ele desamarrado. Epídico afirma que não irá responder a nada enquanto não estiver atado. Perífanes olha para o amigo sem saber o que devia fazer e Apécides aconselha-o a fazer a vontade a Epídico. Amarram-no e Epídico pede que as correias estejam bem apertadas. Perífanes interroga Epídico sobre o que ele tinha feito e o escravo não mostra arrependimentos e confessa toda a história. Epídico manda o patrão para dentro de casa para confirmar que ele merece a liberdade. Perífanes entra para casa e Apécides fica com ele. Apécides interroga-o sobre o que está em casa e Epídico afirma que é a filha de Perífanes.
Perífanes chega e quer desatar as mãos a Epídico mas este recusa enquanto não tiver presentes, a liberdade, um subsídio de alimentação e um pedido de desculpas. Chega o Diretor da companhia a pedir o aplauso do público.
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Conto de Amor e Psique
Obra:Conto de Amor e Psique
Autor: Apuleio
Páginas:123
Resumo:
Um rei e uma rainha tinham três filhas muito belas. A filha mais nova era de uma beleza tão intensa que cidadãos e estrangeiros a visitavam e, ao verem a sua beleza, lhe prestavam culto como se fosse a própria Vénus. Havia rumores de que ela era a própria Vénus. Havia rumores de que ela era a própria Vénus ou que os deuses tinham criado uma nova Vénus. Todos viajavam para a visitar e abandonavam os sacrifícios e os templos em honra de Vénus. Vénus ficou irada por ter que partilhar as oferendas com uma mortal e, por o seu nome ser profanado na terra. Vénus decide vingar-se e chama Eros, seu filho, um jovem desenvergonhado e indiscreto que só provocava desgraça com as suas setas. Vénus compromete-se a perdoar tudo o que ele tinha feito se descesse à terra e fizesse Psique apaixonar-se por um homem desafortunado, atingido pela miséria.
Psique estava frustrada por ainda não ter marido já que ninguém a pedia em casamento por a verem como uma obra de arte e sentia-se sozinho. O pai começa a pensar que tinha sido um castigo divino e consulta o oráculo de Apolo. O oráculo diz-lhe para colocar Psique num penhasco mas que o marido que a vai buscar é cruel, atormentando e deixando todos frágeis e que aterroriza os deuses. O rei regressa a casa e os reis e Psique choram durante dias pelo destino de jovem. O povo também sente pena e instala-se um luto público. Faz-se a marcha de casamento e Psique, ao ver os pais a sofrer, diz-lhes para não chorarem por ela já que aquilo era um castigo divino por a terem comparado a Vénus. Deixam a jovem no rochedo e partem, estando todo o povo a chorar. Um vento suave transporta a jovem para uma cama de flores. No dia seguinte acorda e vê um bosque com um palácio real, tão belo que Psique pensou ser a morada de algum deus. Tudo era banhado a ouro e a prata. Umas vozes sem corpo dizem-lhe que aquilo é tudo dela e que estão ali para a servir. Chega a noite e ela deita-se. Ouve um barulho e percebe que era o seu marido misterioso. Ela perde a virgindade e no nascer do dia ele parte. Assim sucedeu por alguns dias e certa noite o esposo, que ela não conseguia ver, disse-lhe que as irmãs estavam à procura do corpo dele e que ela corria risco de vida. Pede-lhe que, se ouvir os lamentos das irmãs não lhes responda para não provocar dor no marido. Ela aceitou e no dia seguinte passou o dia a chorar, lamentando-se por estar numa prisão de luxo sem poder ver nenhum mortal. Depois de muitas lágrimas e rogos, pediu ao esposo que a deixasse ver as irmãs. O marido a muito custo aceita mas diz-lhe para não aceitar o pedido das irmãs de descobrir quem é o marido pois isto a levaria à ruína.
Psique concorda e no dia seguinte as irmãs vão ter com ela e as três abraçam-se e choram de felicidade. Tomaram banho e conversam e as irmãs começaram a ter inveja da irmã. Procura saber quem era o marido e Psique inventa que era um jovem que passava o dia em caçadas. As irmãs vão-se embora. Uma das irmãs queixa-se por ter um marido estrangeiro e velho ao passo que Psique tinha um deus como esposa e que mais tarde se podia tomar também deusa. A outra irmã queixa-se de ter um marido doente. As duas decidem não contar nada a ninguém e planear uma forma de se vingarem da irmã que as tratou como inferiores. As irmãs planeiam matar Psique.
O marido conta a Psique que as suas irmãs conspiravam contra ela e para ela ter muito cuidado e não seguir o pedido delas de ver a cara do esposo. Pede-lhe que não revele às irmãs que o marido era de origem divina para que o filho que se gerava no útero dela possa ser divino. Psique ficou entusiasmada com a notícia e o marido dias depois avisa-a de que as irmãs iam aparecer no penhasco no dia seguinte com armas e que iam seduzir com palavras a irmã para que as receba no palácio para elas a matarem. Psique pede ao marido para ver as irmãs uma última vez, afirmando já não precisar de ver o rosto dele. O marido aceita. No dia seguinte chegam as irmãs que se mostram felizes por ela estar grávida. Psique dá-lhe banho e comida e as irmãs perguntam-lhe mais sobre o marido. Psique, ingénua, esquece-se da primeira história e inventou outra: o marido era um homem de meia-idade de uma província vizinha que se dedicava a negócios de finanças. Deu mais presentes às irmãs e mandou-as embora. As irmãs comentam que, ou Psique inventou mentiras ou ela não conhece o marido. Se não conhece o marido é porque ele era um deus e, por isso, ela estaria a gerar um deus. Passam a noite em branco e, no dia seguinte, regressam junto da irmã a dizer que uns caçadores tinham visto o seu marido e que era um réptil feio que a ia devorar quando a gravidez estiver mais desenvolvida. Psique afirma que nunca tinha visto o rosto do marido e que poderia ser mesmo um monstro. Pede ajuda às irmãs. As irmãs aconselham-na a agarrar numa lâmpada e dão-lhe um punhal para ela colocar ao lado da cama e, quando o marido estivesse a dormir, acendesse a lâmpada e o matasse. Depois, as irmãs iriam ajudá-la a levar as riquezas do castelo e a casá-la com um humano. Psique passa a tarde em conflito por amar o marido mas odiar o monstro. Antes de o marido chegar prepara tudo e, quando este adormece, ela ilumina-lhe o rosto.
Encontra Eros e fica sem reação ao ver a sua beleza. Pensa em suicidar-se mas a adaga cai. Ficou curiosa com as armas e tocou com uma flecha no dedo, o que provocou umas gotas de sangue. Ficou repleta de amores e paixão por Eros. A lâmpada lançou uma gota de azeite para o ombro de Eros e este acordou sobressaltado. Ao perceber o que tinha acontecido, voa sem nada dizer. No entanto Psique agarra-lhe a perna e, quando ficou exausta, deixou-se cair. Eros fê-la cair num lugar fofo e disse-lhe que devia ter seguido os conselhos da mãe e tê-la feito apaixonar por um monstro em vez de se ter apaixonado por ela. Afirma que as suas irmãs iriam ter um castigo merecido e que iria embora. Psique pensou em atirar-se ao rio para se suicidar mas o rio colocou-a na margem. Pã viu-a e aconselhou-a a não se voltar a tentar suicidar mas a tentar reconquistar Eros. Psique vê uma cidade cujo rei era o esposo da irmã e visita a irmã. Diz-lhe que fez tudo conforme planeado mas, ao ter percebido que era cupido, não o matou. A lucerna acordou-o e ele, ao perceber o que se passava, expulsou-a afirmando que iria casar com aquela sua irmã.. Esta decide dizer ao marido que os pais tinham falecido e parte para junto do penhasco. Atira-se mas morre e o seu corpo fica defeito. Com a outra irmã acontece o mesmo. Psique andava de terra em terra à procura de notícias de Cupido mas em vão. Cupido passava dores devido à queimadura da lâmpada. Uma gaivota vai ter Vénus e diz-lhe que o filho sofria por uma queimadura e que estava em perigo de vida. Diz-lhe ainda que circulavam rumores de que Eros andava nas montanhas com uma mulher qualquer e que Vénus andava a passear no mar, abandonando assim o mundo à grosseria, bruteza e imundície.
Vénus procura saber quem era a amante do filho e a gaivota diz-lhe que era Psique. Vénus parte para junto de Eros e afirma que está desiludido com o filho por se ter unido a um inimigo pessoal da mãe e por não ter seguido as suas ordens. Critica Eros por procriar e se envolver mesmo sendo de tenra idade. Chama-lhe desrespeitoso por despertar constantemente paixões na mãe e no padrasto para a fazer sofrer. Vénus parte pronta para pedir à Sobriedade que retire todos os poderes de Eros. Ceres e Juno encontram-na e perguntam-lhe o porquê de tal estado de espírito. Vénus pede-lhes para a ajudarem a encontrar Psique. As deusas tentam acalmá-la dizendo-lhe que Eros já não era uma criança e que, se Vénus espalha os prazeres pelo mundo não os pode oprimir na sua casa. As deusas elogiaram Cupido por o temerem. Vénus regressa ao mar. Vê um templo e aproxima-se. Vê cereais e foices por todo o lado e decide arrumar tudo. Aparece Ceres, deusa do tempo, e avisa-a de que Vénus estava à procura dela e que ela se devia procurar com a sua salvação e não com o templo. Psique roga à deusa que a deixe esconder-se naquele monte de espigas até que a ira de Vénus se acalme ou até recuperar as forças. Ceres afirma que não pode ceder ao pedido por não querer despertar o rancor de Vénus e aconselha-a a partir. Esta assim fez e no meio de um bosque Vê um templo a Juno e pede-lhe que a salve do perigo de vida e que lhe permita algum descanso. Juno aparece e afirma que não a pode ajudar. Psique percebe que se tinha que dirigir a Vénus para acabar com a sua miséria.
Vénus dirige-se a Júpiter e pede os serviços de Mercúrio. Este aceita. Vénus diz a Mercúrio que quem encontrar Psique terá uma recompensa. Mercúrio vai pelos povos a espalhar a mensagem.
Psique vai ter a casa de Vénus e é arrastada pelos cabelos por uma escrava até Vénus. Vénus manda duas servas torturar Psique. Vénus afirma que o filho de Psique era de núpcias contraídas entre pessoas de estatuto diferente e que não havia testemunhas de casamento e, por isso, era um filho bastardo. Vénus rasga-lhe as roupas e arranca-lhe os cabelos e dá-lhe sementes misturadas que ela teria que separar até ao cair da noite. Vénus parte e um conjunto de formigas aparece e ajuda Psique na sua missão. No dia seguinte, Vénus manda-a trazer-lhe um pedaço de lã de ovelhas com velo dourado que viviam num bosque. Psique vai com a esperança de se suicidar no rio mas uma cana diz-lhe para não o fazer e que espere até ao fim da tarde, quando as ovelhas estão mais serenas para retirar os pedaços de lã presos aos ramos de árvores. Esta assim faz e entrega-o a Vénus. Esta não achou suficiente, desconfiando de ter tido ajuda e mandou-a a uma montanha trazer água de um rio gelado e protegido por dragões. Psique ao chegar lá percebe que é impossível tirar a água. A águia real de Júpiter vê-a e decide ajudá-la e, agarrando na urna, vai enchê-la de água.Psique entrega-a a Vénus mas nem assim a convence. Vénus dá-lhe uma última missão: irá levar uma caixa para o Hades e irá pedir a Prosérpina uma dose de beleza por Vénus ter gasto a sua a cuidar do filho.
Psique percebeu que estava a ser enviada para a morte. Desce por uma torre que ganha voz e mostra-lhe o caminho para o Hades e aconselha-a a levar duas moedas para pagar a Ceronte e dois bolos de cevada para distrair Cérebro (ida e volta). Não deve parar nas distrações do caminho nem aceitar comer nada no palácio. Não deve abrir a caixa ao sair. Psique seguiu todos os passos mas, ao chegar à superfície, decide abrir a caixa para colocar um pouco da beleza divina para o seu amado. No entanto, no interior da caixa apenas estava um sono profundo que deixou Psique como cadáver. Cupido já estava curado e não conseguia suportar mais estar longe de Psique. Vai ter com ela, retira o sono e coloca-o na caixa. Despertou-a com uma picada das suas flechas. Cupido mandou-a entregar a caixa a Vénus e ele iria encarregar-se do resto. Cupido vai ter com Júpiter e suplica-lhe ajuda. Júpiter concorda desde que, uma jovem que se distinga pela beleza na terra naquele momento seja entregue a Júpiter como recompensa. Júpiter manda Mercúrio invocar todos os deuses. Júpiter realçou que Eros era um jovem depravado e que só criava confusões e, por isso, como castigo devia casar com Psique, a quem tinha tirado a virgindade. Manda Mercúrio trazer Psique aos céus e dá-lhe um copo de ambrósia, tornando-a imortal. Há o banquete nupcial e, mais tardem o casal terá uma filha chamada Sensualidade
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Antígona
Obra: Antígona
Autor: Sófocles
Antígona e Ismeme são filhos de Édipo. Creonte é o rei, tio delas, Eurídice é a rainha, esposa de Creonte. Hémon é filho de Creonte e Tirésias é um adivinho, velho e cego.
Antígona e Ismene saem do palácio. Antígona conta à irmã que Creonte tinha declarado que apenas um dos dois irmãos delas teria sepultura (Etéocles). Antígona pede assim ajuda à irmã para que as duas consigam sepultar Polinices. Ismene procura chamar a irmã à razão, referindo as tragédias que tinham já acontecido à família: o pai cegou-se, a mãe suicidou-se e os dois irmãos tinham morrido a lutar um com o outro. Antígona, ao ver que a irmã não queria ir contra as ordens do rei, decide que irá agir sozinho.
Creonte convoca uma assembleia de anciãos para anunciar que os dois irmãos, herdeiros ao trono, tinham falecido, que ele iria tomar o poder e proteger os interesses da cidade e que apenas Etéocles iria ser enterrado por ter lutado pela pátria enquanto Polinices tinha lutado contra. O conselho dos anciãos concordou e aceitou não pactuar com os que infringissem as leis de Creonte.
Chega um dos soldados responsável pela guarda do cadáver de Polinices junto de Creonte e conta-lhe que alguém desconhecido tinha enterrado o cadáver. O conselho dá a entender a Creonte que aquilo podia ter sido uma ação dos deuses. Creonte afirma que os deuses não se preocupavam com aqueles que tinham lutado contra a pátria e responde que devia ter sido alguém que aceitou dinheiro, pago por aqueles que estavam contra Creonte.
O guarda retorna ao seu posto de trabalho e mais tarde leva Antígona a Creonte por esta ter sido apanhada a fazer os ritos fúnebres ao irmão. Antígona não nega e afirma ue não se arrepende do que fez por estar a seguir a lei dos deuses e não a de um mortal. Antígona afirma ainda que todos a teriam apoiado, se não fosse o medo pelo tirano. Creonte fala com o filho, que estava noivo de Antígona e este avisa-o que o povo lamentaria a morte dela, considerando-a justa. Hémon, o filho, pede ao pai para ser prudente. O pai não aceita os conselhos do filho,a firmando que os criminosos são para ser castigado. Há uma discussão entre os dois e Hémon sai a correr.
Antígona é levada pelos guardas com as mãos atadas e lamenta o seu destino. Creonte ordena que Antígona seja sepultada viva.
Tirésias visita Creone e afirma que os deuses não estão a aceitar os sacrifícios e que um mal domina a cidade porque ele se recusa a deixar o morto ser enterrado. Creonte acusa Tirésias de se ter vendido aos conspiradores do rei. Tirésias explica que, se Creonte não se arrepender das suas ações, vai conhecer a ruína e a ira dos deuses. Por Tirésias ter sempre acertado nas suas profecias, Creonte decide mudar de ideias e prepara-se para desenterrar Antígona. Chega um mensageiro perto do Corifeu (assembleia) e anuncia que Hémon se tinha suicidado. Eurídice, esposa de Creonte, chega e pede ao mensageiro para repetir a notícia. O mensageiro começa a descrever como é que eles fizeram as honras fúnebres a Polinices. Alguém tinha ouvido lamentos ao pé do túmulo de Antígona e vai contar Creonte. Este visita o túmulo e reconhece que se trata de Hémon. Entrou no túmulo e Antígona tinha-se enforcado com o seu véu. Hémon chorava agarrado a ela. Hémon cospe para o pai e suicida-se com a sua espada. Eurídice sai e chega Creonte com o corpo de filho, lamentando o destino da sua má decisão. Chega o mensageiro com a notícia de que Eurídice se tinha suicidado. Escravos trazem o corpo dela. Creonte, desgostoso pede a morte devido ao seu sofrimento. Creonte sai da cena, abatido, e o coro reflete que, só quem segue os deuses é feliz.
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