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terça-feira, 25 de julho de 2017

Madame Curie



Obra: Madame Curie

Autora: Eva Curie

Páginas:280

Resumo: Esta biografia da famosa cientista Marie Curie brilha, não só por descrever a história de uma mulher que mudou o mundo e sofreu por ele, mas também por ter sido escrita pela filha desta. É assim descrita a passagem de Marie Curie pela infância, com a experiência da escola e a morte de uma das irmãs e da mãe. É também apresentado o momento em que o pai desta, antes de esta se lançar numa carreira, a envia para um campo de férias onde esta entra numa vida de ócio, sentindo-se pouco intelectualmente estimulável.
 Após este ano, Maria e a sua irmã mais velha Brónia começam a dar frequentes aulas de explicações para assim angariarem dinheiro para cursarem a faculdade. Marie, ao perceber que este sistema não tinha os lucros pretendidos, oferece dinheiro à irmã para ir estudar em Paris e, mais tarde, iria ela. A sua irmã fica emocionada com o gesto e Marie passa a trabalhar numa casa de família, na qual não fica muito tempo por precisar de um salário maior. Maria encontra um emprego numa outra casa, bastante longe da sua família, onde acaba por se acostumar. Nesta casa, Marie dá aulas às duas filhas do casal e, mais à frente, começa a dar aulas aos filhos dos camponeses.
 No entanto, Marie acaba por entrar num estado depressivo profundo quando vê o casamento com um jovem por quem se apaixonou rejeitado pelos pais deste, que se agravou com as saudades da família e com a vontade de ajudar o pai que estava sozinho. Marie troca várias cartas com familiares e acaba por decidir que apenas passaria mais um ano na casa, regressando depois a casa do pai.
 Em Varsóvia, terra onde se encontrava a família, Maria entra pela primeira vez num laboratório, onde fica fascinada pelo ambiente. Para se libertar da vida monótona de professora que a esperava caso se estabelecesse em Varsóvia, Maria decide ir para Paris viver com a irmã até esta e o marido regressarem à Polónia.
 E, Paris, Maria sente-se livre e repleta de emoção por poder cursar a Faculdade de ciências da cidade. Maria envolve-se tanto no ambiente parisiense que decide assinar o seu nome na candidatura como Marie Sklodowska, adaptação à forma francesa do seu primeiro nome. Maria torna-se a melhor aluna no seu curso mas isola-se do resto dos companheiros cuja curiosidade por ela cresce. Este isolamento de Marie deve-se ao facto de esta se dedicar apenas aos seus estudos e à ciência, que a apaixonava cada vez mais. Marie sai da casa da sua irmã por precisar de uma maior privacidade e calma para continuar os seus estudos e vai viver para junto da universidade.
 Os anos de estudante foram, para Marie, os mais produtivos e recompensadores da sua vida. Apesar dos problemas financeiros que encontrava e que apenas foram resolvidos com uma bolsa de mérito, Marie tinha ainda de enfrentar as saudades do pai, do irmão de Varsóvia, que apenas via durante o verão mas estes problemas não eram suficientes para a distraírem do seu estudo intensivo. Marie, isolada pela paixão pela ciência e matemática, decide isolar-se do amor e não lhe passa sequer pela cabeça interessar-se por um homem. Este pensamento, no entanto, modificou quando Marie conhece Pierre Curie, um génio com mais de trinta anos, com uma educação liberal e uma forte obsessão pela ciência, tal como Marie. Os dois acabam por ficar curiosos um pelo outro, o que leva a que se aproximem cada vez mais.
 Marie recusa o pedido de casamento de Pierre, já que considera a união com um francês uma traição à Polónia. Pierre não cessa a ideia de se unir com aquela mulher tão fascinante e, depois de muito insistir, acaba por a convencer a visitá-lo em Paris. Após muito esforço, Pierre acaba por convencer Marie a casar-se com ele numa cerimónia bastante simples e fora do tradicional. O primeiro ano de casamento foi onírico, com longos passeios de bicicleta e várias horas de estudo partilhado. O segundo ano manteve os bons momentos do anterior mas foi um pouco perturbado pelo nascimento da primeira filha, Irene, pela fraca saúde de Marie, que se agravou após o parto e pela distância entre o casal que se teve que separar por motivos de trabalho.
 Devido às pequenas descobertas de um ilustre cientista, ao enorme interesse de Marie pelo urânio e à crescente curiosidade desta, Marie começa a realizar experiências num pequeno e húmido laboratório da faculdade de ciências. Após investigações, o casal acaba por descobrir o polónio e o rádio, que agora têm que tentar transformar em sólido para terem o resultado comprovado pelos demais cientistas. Depois de quatro longos anos, o casal consegue cumprir a missão, apesar das dificuldades, e o rádio passa a ser aceite. Ao contrário do esperado, a vida do casal acaba por encontrar ainda mais obstáculos. O pai de Marie faleceu, o casal não tinha encontrado os empregos que pretendiam para conseguir suportar todas as dívidas, o sobrinho mais novo de Marie faleceu de pneumonia e a saúde de Pierre agravou.
 O casal não desistiu da investigação e acaba por inventar e descobrir uma palavra marcante- a radioatividade. Após esta descoberta, o mundo abriu-se para as suas descobertas e o rádio tornou-se uma forma de curar várias doenças, ganhando até um lugar na tabela periódica. Os problemas económicos foram diminuindo e a abundância surgiu. No entanto, o casal mantinha os mesmos empregos simples e a vida que sempre tiveram, estando dispostos a ajudar os que precisavam. O Prémio Nobel da Física é-lhes atribuído mas a fama é desprezada pelo casal cujo tempo e princípios não lhes permitem assumir o papel de "celebridades".
 Marie Curie acaba por dar à luz novamente e Eva Curie é apresentada ao mundo, vindo mais tarde a escrever esta obra. O nascimento da filha dá mais motivação ao casal, que se preparava para desistir das experiências e prontificam-se a receber o Prémio Nobel na Suiça, onde Pierre acaba para alertar para os possíveis perigos do rádio. Pierre viria a morrer mais tarde num acidente de carroça, o que leva ao fim da paz e felicidade que reinavam na casa. Marie entra numa melancolia mas disponibiliza-se a ocupar o lugar do marido, já que o casal tinha concordado em continuar o trabalho caso um deles falecesse. Pela primeira vez na França, uma mulher ocupou um cargo no ensino superior, o que realçou a importância histórica de Marie Curie. Marie queima as roupas ensanguentadas do marido, por não querer que ninguém as tocasse e tenta entrar numa vida o mais comum possível. A sua primeira lição na universidade foi invadida por jornalistas que queriam presenciar o momento em que a viúva apareceria à rua pela primeira vez após o acidente mas esta mantêm uma voz controlada e consegue dar a aula de forma normal.
 Esta ilusão de estabilidade acaba por encontrar o seu fim quando Marie Curie passa a ser alvo de ataques na imprensa, por parte de conservadores, por ser uma mulher estrangeira. Marie Curie recebe ameaças de morte e gera-se um clima de perigo à volta dela e da família que a leva a entrar numa depressão e a agravar a saúde. Marie decide visitar Varsóvia para inaugurar o Pavilhão da Radioatividade e sente-se acolhida pela terra. A sua saúde melhora e Marie recebe vários pedidos para inaugurar estabelecimentos dedicados ao rádio, coisa que ela se prontifica a fazer.
 Para perturbar a paz, é iniciada a Primeira Guerra Mundial. Marie foca-se assim em servir a França, ensinamento que transmite à sua filha mais velha, Irene. Marie torna mais disponível o uso do raio-X para o tratamento dos doentes e faz visitas recorrentes aos hospitais militares com a sua filha Irene para auxiliar os doentes. Com o fim da guerra, Marie dedica-se novamente aos seus estudos e ao futuro das suas filhas, agora adultas. A família instala-se numa casa junto ao mar, sossegada, onde Marie passa os dias a nadar e em pequenos bailes da aldeia com as filhas, sentindo-se genuinamente feliz e cansada.
 Nos Estados Unidos da América, Marie encontra um forte apoio e incentivo das mulheres feministas que invadiam o mundo com as suas ideias liberais. Na América, Marie teve a honra de conhecer o Presidente na Casa Branca e recebeu um pouco de rádio como presente. Passeou com as filhas pelo país, apesar do forte cansaço típico da sua idade. Marie viaja pelo mundo, recebendo prémios e festas em sua honra, sempre acompanhada pelas filhas, mas mostra um desinteresse único pelas celebrações que lhes são feitas. Nos seus institutos, Marie aceita uma diversidade cultural, sendo a diversidade um dos princípios que ela procurava ensinar.
Marie Curie, envelhecida, sente os sinais da idade com a perda quase total da visão, que a impede de ver claramente as experiências dos estudiosos do seu instituto. Marie conta com a ajuda da filha mais nova, Eva, principalmente quando Irene descobre que tem uma doença grave. Marie não volta a encontrar a saúde, principalmente quando lhe é diagnosticada a mesma doença que assassinou o seu pai e que a leva a ficar acamada e aos cuidados ainda mais necessários de Eva. Marie acaba por falecer em 1934

, após dias de angústia e sofrimento e, ainda nos nossos dias, se acredita que tenha sido uma das vítimas da exposição intensiva à radioatividade.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Diabo


Conto: O Diabo

Autor: Lev Tolstói

Páginas: 50

Resumo: Este ilustre conto relata a vida de Evguéni Irténev, um advogado com uma carreira brilhante e com uma família abastada, que se vê obrigado a viver no campo após a morte do pai. Evguéni tem como missão manter a herança da família e gerir a herdade como o pai e o avô tinham feito. Evguéni caracteriza-se como sendo um homem simples e honesto, com 26 anos, que valoriza bastante a tradição. No entanto, Evguéni sente uma pressão por arranjar uma mulher e acaba por se envolver várias vezes com uma camponesa casada chamada Stepanida. Esta relação servia apenas para satisfazer desejos físicos e para Stepanida se enaltecer com os ciúmes que as outras mulheres tinham dela. Eguéni acaba por se apaixonar por Lisa Ánneskaia e pede-a em casamento, prometendo esquecer-se de Stepanida. O primeiro ano de casamento foi turbulento já que as dívidas na herdade aumentavam, Lisa sofreu um aborto e Stepanida apareceu grávida (mas supôs-se que era do marido dela). No fim do primeiro ano, a situação económica melhorou e Lisa ficou novamente grávida.
 A este ponto, Evguéni não se lembrava mais da amante passada, até ter a surpresa de a ver a trabalhar na sua casa, contratada pela mulher para ajudar nas limpezas. Evguéni sente o desejo antigo a acender-se novamente e várias vezes marca encontros com Stepanida, encontrando sempre maneiras de não ir, para sua salvação. Todos na casa perceberam a mudança em Evguéni que se tornou mais isolado e distraído e este desabafa com o tio, com quem não tinha muita confiança, que o aconselha a ir para a Crimeira. Evguéni aceita o convite e vai com a mulher, onde tiveram uma boa estadia. Lisa dá à luz uma menina e Evguéni é eleito presidente da aldeia mas continuava perdido de paixão por Stepanida. Evguéni pondera viver duas vidas separadas: uma devotada a Stepanida, o seu grande amor e outra dedicada à filha, com a presença insignificante da esposa. No entanto, percebe que não pode viver assim e que teria que matar uma das duas.
 Existem dois finais para este conto. Num deles, Evguéni mata-se e os médicos consideram que ele tinha um problema mentar. Noutro, Evguéni percebe que não tem balas na arma e decide ir dar uma volta para clarear as ideias, acabando por assassinar Stepanida, que o seduzia com o olhar. Neste segundo final, Evguéni é hospitalizado por ser considerado demente e torna-se num alcoólico. Ambos os finais terminam com a frase: "Efetivamente, se Evguéni Irténev era doente mental, então todas as pessoas são doentes mentais, e, entre esses dementes, os mais incontestáveis são os que vêem os sinais de loucura nos outros e não reparam em si próprios".

sábado, 3 de junho de 2017

Quo Vadis



Obra: Quo Vadis?

Autor: Henryk Sienkiewicz

Páginas: 512

Resumo:
 Este clássico da literatura é iniciado quando Marco Vinicius, um comandante militar, chega a Roma. Após cumprimentar o imperador Nero e instalar-se na casa de um conhecido do tio, Vinicius acaba por encontrar Ligia, uma jovem, filha de um general, pela qual fica encantado. Para atrair a atenção desta, Vinicius cita Homero e os dois acabam por ter um diálogo sobre as mulheres de França e Inglaterra.
 Ligia aparece na obra como uma personagem diferente, como se algo nela estivesse prestes a chocar Vinicius. Este segredo que Ligia guardava era o de ser cristã, o que era visto como um crime contra a sociedade romana. No entanto, Ligia e a sua família não apresentam nenhum receio de serem acusados ou até mortos, procurando, ao contrário, converter o máximo número de pessoas possível. Certo dia, Ligia é feita refém no palácio, por ordem de Nero e Vinicius procura libertá-la. Para alcançar este objetivo, Vinicius pede ao tio que convença Nero a oferecer-lhe Ligia como presente, coisa que este faz para honrar o serviço de Vinicius.
 Ligia, ao perceber que tinha sido oferecida a Vinicius, decide escapar, após lhe confessar a sua religião. Vinicius é influenciado por várias personagens a rejeitar os cristão, mas este decide presenciar secretamente uma reunião cristã. Nesta reunião, Vinicius acaba por se ferir e desmaiar, sendo curado por Ligia e pelos outros cristãos. Ao acordar, Vinicius confessa o seu amor por Ligia e acaba por pedi-la em casamento, pedido que é aceite. Para agradar a sua recente esposa devota, Vinicius decide libertar os seus soldados e aceitar a religião dela, mas não a proclamando como sua.
 Certo dia, Nero, uma personagem cruel, sem escrúpulos e com a falsa ideia de ser um poeta e artista, decide incendiar a cidade de Roma para ter uma fonte de inspiração, tal como Homero e Virgílio a tiveram com a destruição da cidade de Tróia. No meio deste incêndio, Vinicius procura freneticamente Ligia, conseguindo encontrá-la sã e salva. No entanto, o povo, ao ser surpreendido pelo fogo,dirige-se ao palácio real para conseguir sobreviver e para vingar-se do culpado. Nero, desesperado, procura depositar a culpa em alguém que não ele e é influenciado a colocá-la nos cristãos.
 Os cristãos encontram-se abrigados, preparando-se para partir para a Grécia, enquanto Vinicius procura expulsar Nero do trono. Nero, através da oferta de cereais e vinho, consegue convencer o povo da culpa dos cristãos e expulsa-os do abrigo onde se encontravam, levando todos para a prisão. A crueldade de Nero, no entanto, não conhece limites e decide usar os prisioneiros como forma de diversão, atirando-os para arenas com leões e . Pedro recebe uma mensagem de Cristo, através de um jovem que o segue, que lhe ordena auxiliar o povo de Deus em Roma.
 Petronius, tio de Vinicius e homem sensato, ao perceber que Nero o iria querer matar por ele ter discordado com a acusação aos cristãos, decide tirar a própria vida, deixando uma carta a Nero onde admitia ter tirado a própria vida e acusava o imperador de entediar o povo com os seus versos maus, o que provoca a ira do imperador.
 Os cristãos enfrentam a arena cantando em louvor a Deus, falecendo com um sorriso no rosto. Na prisão, Ligia e Vinicius são casados por Pedro. Pedro, ao preparar-se para a morte, afirma que morrer como Cristo é mais do que ele merece e é assim crucificado de cabeça para baixo. Petronius, um ex-general romano, enquanto está a ser colocado numa cruz para ser queimado nela acusa Nero de ser o incendiário e o povo acredita nas suas palavras, ficando descontente.
 Vinicius, Ligia e Ursu (que protege Ligia desde criança), são colocados na arena com um touro. Ursu, no entanto,consegue derrotar o touro e Nero, pressionado pelos apelos do povo e dos seus conselheiros, decide contrariar a vontade destes e condenar os três à morte. No entanto, soldados e povo revoltam-se contra Nero e decidem atacá-lo. Nero refugia-se no palácio com a sua amante e, ao atribui todas as culpas para ela, decide matá-la. Nero parte e o casal visita o local onde Pedro ouviu a palavra de Deus.
O nome da obra, pode ser traduzido por "para onde vais?" e foi o pergunta que Pedro fez a Cristo no local, tento como resposta "Vou a Roma para ser crucificado de novo".

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Processo


Obra: O Processo

Autor: Franz Kafka

Páginas: 302

Resumo: Esta obra icónica e brilhantemente satírica é iniciada quando Josef K., um homem comum de trinta anos, acorda. Ao acordar, K. percebe que dois homens misteriosos encontram-se no seu quarto. K., no início considerou que estes homens fossem empregados de hotel mas estes afirmam estar ali para o prender, já que um processo tinha sido levantado contra ele. Os dois guardas, Franz e Willem, não revelam qualquer informação sobre este processo e acabam por partir. K. apesar de se ter conseguido livrar destes guardas, ficou condicionado a realizar inquéritos semanais.
 No primeiro inquérito, K. acaba por ir a tribunal e defende-se a si mesmo perante o juiz e, ao não conhecer o processo, decide falar da sua vida. K. tem uma forte sensação de que todos os membros do tribunal estavam a conspirar contra ele e percebe assim que está inconsciente do que se passa.
 Na semana seguinte, não é realizada a audiência e K. acaba por conversar com uma funcionária e com um estudante universitário. Josef K. regressa a casa com a falsa ilusão de que ficou livre do processo. Certo dia, chega a casa de K. o tio Albert, que já sabe tudo sobre o processo, e que lhe recomenda um advogado mas este está com um problema no coração e não se encontra disponível. A enfermeira deste advogado tenta seduzir K. em todas as visitas que este fez ao mesmo, planeando um futuro sério com K.
 K. acaba por escolher um advogado pintor chamado Titorelli, que lhe tinha sido recomendado e que se compromete a ajudá-lo. K. dirige-se a uma catedral, para ser o guia de um italiano, mas encontra um padre que lhe dirige uma dedo e o reconhece e ao seu processo. Durante uma conversa, este abade acaba por contar a K. a história de um homem do campo que se depara com um guarda-portão, ao tentar entrar na Lei. Este guarda impede-lhe a entrada no portão "naquele momento". O homem do campo decide sentar-se num banco à espera e, anos depois de ter oferecido vários presentes aos guarda, este diz-lhe que aquele portão tinha sido feito para ele e que, a partir daquele momento e para sempre, estaria fechado.
 Durante esta obra, reina o abstrato, o sem lógica, o sonho, e é possível acompanhar o desmoronamento da vida de K., seja a nível profissional no seu trabalho no banco, seja a nível pessoal, ao ter noção de que tem um processo desconhecido sobre ele.
 A obra em si termina com K. a ser agarrado por sujeitos desconhecidos e a ver um homem a caminhar na sua direcção. No entanto, existem ainda pequenos excertos no final da mesma, que se podem relacionar com o conteúdo da obra.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ensaio sobre a Cegueira

Obra: Ensaio sobre a Cegueira

Autor:José Saramago

Páginas: 299

Resumo: Nesta obra de renome, Saramago apresenta um mundo em que uma epidemia de cegueira surge. A primeira vítima é um homem comum que se encontra no seu carro, no meio do trânsito, e fica cega subitamente. Esta cegueira, no entanto, não é comum, já que as suas vítimas vêm apenas um cenário branco, ao invés de negro, o que surpreende a população em geral. Esta personagem é levada por outro homem até sua casa e acaba por ter o seu veículo roubado pelo mesmo homem. A mulher do cego chega e, ao ver o marido naquelas condições, decide ir urgentemente a um oftalmologista, que afirma não encontrar nada de errado com a o paciente.
 Este oftalmologista regressa a casa e, no dia seguinte, acorda com a mesma cegueira. A sua esposa, apressa-se a chamar uma ambulância que acaba por chegar. Ao perceber que não pode ir na ambulância com o marido e não querendo abandonar este, a esposa afirma ter ficado cega nesse mesmo momento.
 O governo, ao ter conhecimento da epidemia, ordena que todas vítimas desta epidemia sejam recolhidas e colocadas num local isolado. O oftalmologista, a esposa, o ladrão e o primeiro cego são quatro das vítimas presentes, estando abandonadas num manicómio. Neste acampamento, vão chegando cada vez mais cegos, começando a certa altura a haver o problema da escassez de mantimentos. A mulher do oftalmologista, no entanto, continua  a ser a única pessoa que ainda tem o poder da visão, sendo exposta à falta de higiene e desespero dos que a rodeiam.
 A certa altura, os novos inquilinos do manicómio, que vão chegando, vão começando a exercer uma posição tirânica, começando a regular a quantidade de comida que chegava até ao manicómio onde se encontrava o oftalmologista e a esposa. Este grupo vê-se obrigado a dar todos os seus bens, tendo até de permitir que as mulheres do grupo prestassem favores sexuais aos homens do outro grupo. A esposa do oftalmologista decide iniciar assim várias revoluções contra o outro grupo e contra os guardas e o grupo acaba por conseguir escapar do manicómio. Os cegos são assim abandonados no mundo exterior, e acabam por se acomodar na casa da "rapariga dos óculos escuros", outra das personagens cegas.
 O grupo de invisuais é assim obrigado a procurar mantimentos e outras vítimas. A mulher do oftalmologista revela o facto de ainda possuir a visão e acaba assim por cuidar do resto do grupo, dando-lhes banho e lavando-lhes a roupa. Após os cegos passarem algum tempo a deambularem pela cidade, acontece o clímax da obra quando os cegos começam a recuperar a visão.
 Devo apenas referir-me ao último parágrafo da obra, quando a mulher do oftalmologista olha para o céu, após ver todos a recuperar a visão e, ao ver tudo branco, pensa que a visão tinha chegado a ela mas, ao olhar para baixo, vê a cidade e percebe que ainda consegue ver, uma crítica fenomenal de Saramago.
 Existe uma adaptação ao cinema da obra, sob o mesmo título do livro, na versão portuguesa.

domingo, 9 de abril de 2017

Gradiva


Obra: Gradiva

Autor: Freud

Páginas 131

Resumo: Quando Norbert Hanold, um arqueólogo, descobre um baixo-relevo de Gradiva, fica apaixonado e obcecado. A sua obsessão leva a que Hanold procure mulheres com o mesmo andar, conseguindo encontrar duas. A primeira decide ignorá-lo e a segunda decide continuar a conversar com ele e apoia a ideia de ser igual à mulher do baixo-relevo, para assim o conquistar. Esta segunda mulher Zoe, descobre-se ter sido a melhor amiga de infância de Hanold que, depois de este a ter abandonado para seguir arqueologia, apresenta um fortalecimento da paixão por Hanold, devido à semelhança com a sua relação com o próprio pai. Freud irá iniciar uma reflexão sobre este ato de Hanold e de Zoe, e analisar o papel dos sonhos.

Admirável Mundo Novo


Obra: Admirável Mundo Novo

Autor: Aldous Huxley

Páginas 270

Resumo:
 Esta distopia do brilhante Aldous Huxley, relata um estado futurístico da raça humana. Neste futuro, o autor consegue perceber através de uma excursão, que o ser humano é planeado antes mesmo da infância e torna-se quase "descartável". O feto, que nos nossos dias cresce num útero, cresce agora em frascos de vidro (o que faz recordar os homúnculos da alquimia), e o óvulo que anteriormente podia produzir apenas um, dois ou, no máximo, três fetos, agora produz milhares. Os fetos são divididos por: Alfas, Deltas, Gamas e Epsilões (por esta ordem, sendo os Alfas os superiores). Os Alfas são os mais privilegiados, estando num recipiente maior e tendo um maior contacto, os Deltas e os Gamas têm álcool injectado no sangue-falso que recebem para assim encolher em parte os músculos e os Epsilões são os responsáveis por tarefas mais simples como limpar. Todos eles crescem com a ideia de que todos são necessários na comunidade, que a poligamia deve ser incentivada, são ensinados que livros e flores são algo a ser evitado, e que, quando estão a sentir algo que não é felicidade, basta tomar um gama (um comprimido), que os irá tornar felizes. Estas lições são aprendidas durante o sono, com vozes mecânicas que as repetem em certos dias das semana.
 Nesta comunidade encontra-se Bernard, um Alfa que é um pouco rejeitado por ter uma estatura menor e, que se destaca dos outros por estar contra algumas das regras impostas. Bernard convida Lenina, uma rapariga comum dessa sociedade, para uma viagem ao Novo México para ver os selvagens (índios que vivem isolados). Nesta viagem, Lenina acaba por ficar chocada ao ver mães a alimentar os filhos e ao ver falta de limpeza, decidindo tomar um gama. No dia seguinte, acabam por encontrar uma mulher, Linda, que tinha pertencido à comunidade mas, depois de se ter perdido do grupo e acabado por engravidar, não quis regressar, por vergonha. Linda e o seu filho, John (por quem Lenina se apaixona) têm uma longa conversa com Lenina e Bernard e este último acaba por ter a aprovação do Diretor para os receber na comunidade, que era a vontade de Linda.
 Ao serem recebidos, Linda agarra-se ao Diretor que iremos descobrir ser o pai de John, e o homem que engravidou Linda, e os dois "selvagens" são ridicularizados quando John o chama " meu pai". Linda é colocada num hotel e John fica na comunidade, sendo o fascínio de todos que o usam como forma de entretenimento. Linda adoece e John vai vê-la ao hospital, ficando chocado quando a enfermeira não presta atenção ao facto de Linda ter falecido, já que a morte era vista como normal.
 John acaba por se encontrar com o Administrador da Comunidade, com quem tem conversas bastante interessantes sobre Deus e Shakespeare. Bernard é transferido para uma ilha, por não estar de acordo com as regras de sociedade e John vai viver para um farol, onde é vítima de turistas e jornalistas que se fascinam com ele.
 A obra termina com John sentado no telhado do farol.