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domingo, 27 de setembro de 2020

Sonho de Uma Noite de Verão

 Obra: Sonho de Uma Noite de Verão

Autor: Shakespeare

Resumo:

Personagens: Teseu, duque de Atenas; Egeu, pai de Hermia; Lisandro e Demétrio, que amam Hermia; Filóstrato, mestre de cerimónias de Teseu; Marmelo, um carpinteiro; Plainas, um marceneiro; Fundilho, um tecelão; Flautinha, um foleiro; Trombil, um caldeireiro; Faminto, um alfaiate; Hipólita, rainha das Amazonas, noiva de Teseu; Hérmia, filha de Egeu, ama Lisandro; Helena, ama Demétrio; Oberon, rei dos Génios; Titânia, rainha das Fadas; Duende; Flor da ervilha e Teia de Aranha, fadas; Mariposa; Semente de Mostarda.

Cena: Atenas e bosques vizinhos

 No palácio de Teseu estão Teseu, Hipólito e Filóstrata. Teseu e Hipólita sonham com as suas bodas que ocorrerão daí a 4 dias. Filóstrato vai preparar a festa e entram Egeu, Hermia, Lisandro e Demétrio. Egeu pede ajuda a Teseu para um dilema: tinha dado a mão da filha a Demétrio mas Lisandro conquistou o coração da jovem. Teseu procura alertar a jovem de que, se não escolher Demétrio, segundo a lei de Atenas, apenas tem como solução a morte ou o celibato. Deixa-a decidir até à noite do casamento de Teseu e Hipólito e saem todos, deixando Lisandro e Hermia sozinhos. Lisandro procura consolar a amada e cria um plano: no dia seguinte iriam encontrar-se nos bosques e iriam casar-se longe de Atenas, onde uma tia de Lisandro morava. Chega Helena e os dois amantes contam-lhe o plano de fuga. Helena decide que irá contar a Demétrio só para poder ter o agradecimento dele.

 Na casa de Marmelo estão Marmelo, Plainas, Fundilho, Flautinha, Trombil e Faminto. Conversam sobre a peça que será representada no casamento de Teseu e Hipólita. A peça era sobre Píramo e Tisbe. Marmelo distribui os papéis e combinam no dia seguinte à noite ensaiar a peça no bosque.

 No bosque perto de Atenas chegam uma fada e um Duende. Apresentam as personagens que vêm a seguir: Oberon e Titânia. Estes discutem por Titânia cuidar de um belo jovem que Oberon quer como pajem. Titânia sai. Oberon pede ao Duende que lhe traga um amor-perfeito para fazer Titânia se apaixonar. Chegam Demétrio e Helena à procura de Hermia e, apesar de Helena se tentar aproximar, ele rejeita-a. Oberon diz ao Duende para dar um pedaço de amor-perfeito a Helena para Demétrio se apaixonar por ela. Titânia adormece e Oberon espreme a flor nos olhos deste. Lisandro e Hermia vagueiam pela floresta e, já cansados, adormecem. O Duende vê Lisandro e Hermia a dormir e, julgando serem os jovens certos, espreme o líquido nos olhos de Lisandro. Demétrio abandona Helena no bosque. Lisandro acorda e, ao ver Helena, fica apaixonado. Declara o seu amor e, quando ela foge dele, ele corre atrás dela, deixando Hermia sozinha.

 O grupo responsável pela peça de Píramo e Tisbe ensaia nos bosques. O Duende junta-se e assusta-os. Titânia acorda e, ao ver Fundilho com cabeça de burro, apaixona-se. Pede às fadas que o cuidem e que lhe deem tudo o que há de melhor. Oberon e o Duende ouvem uma conversa entre Demétrio e Hermia e percebem que o Duende tinha envenenado o homem errado, acabando com um amor verdadeiro. Decidem resolver o engano e colocam as gotas nos olhos de Demétrio que, ao ver Helena, se apaixona. Ao ter os dois homens atrás dela tão repentinamente, Helena acha que se trata de uma brincadeira. Chega Hermia e Lisandro expressa o seu amor por Helena à frente dela e insulta Hermia por pensar que esta está envolvida no truque que lhe estão a fazer e Hermia insulta Helena por pensar que esta lhe tinha roubado Lisandro. Cada um vai para o seu lado e o Duende coloca o antídoto contra o feitiço nos olhos de Lisandro.

 Oberon conta ao Duende que já tinha conseguido o jovem pajem e cura Titânia do feitiço. Teseu, Hipólita e Egeu vão ao bosque e vêm Lisandro, Hérmia, Demétrio e Helena a dormir no chão. Acordam-nos e os jovens não se lembram de nada. Demétrio declara o seu amor por Helena e Lisandro por Hermia.

 Chega  noite do casamento entre Teseu e Hipólita. O grupo de homens apresenta a peça de Píramo e Tisbe e Teseu fica maravilhado. Por já ser tarde, vão todos dormir. O Duende, Oberon e Titânia e as fadas aparecem para desejar felicidade ao par de namorados e despedirem-se do público.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

As Bacantes

 Obra: As Bacantes

Autor: Eurípides

Resumo:

Personagens: Dioniso; Coro das Bacantes; Tirésias; Cadmo; Penteu; um Mensageiro; Segundo Mensageiro; Ágave.

Ação: em Tebas

Chegam Dioniso e algumas Ménades que trouxe da Ásia. Um raio tinha caído no túmulo da sua mãe, à frente de Tebas. Dioniso dá um contexto à peça: tinha viajado por todo o mundo e muitos povos iniciaram cultos em seu nome. No entanto, Penteu recusava-se a reconhecê-lo como deus e a adorá-lo. Dioniso tinha tomado a aparência de um mortal para se instalar no seu palácio. O coro das Bacantes conta a história do nascimento de Dioniso e descreve os rituais das Bacantes.

 Entra Tirésias e Cadmo vestidos com as insígnias de Dioniso. Preparavam-se para ir para a montanha celebrar os ritos quando chega Penteu com ar perturbado. Penteu queixa-se dos rumores que ouviu sobre os rituais que decorriam na montanha e sobre o novo deus, Dioniso, que ele acreditava ser falso. Censura Tirésias e Cadmo por fazerem parte daquela barbárie. Os dois velhos aconselham Penteu a prestar culto a Dioniso, mesmo que não acreditasse, para não correr o risco de ter um castigo divino. Penteu ignora as advertências e mante destruir o santuário de Tirésias e prender o novo jovem que tinha chegado à cidade e que promovia o culto a Dioniso. Mais tarde, chegam servos de Penteu a arrastar Dioniso, que estava preso. Penteu interroga-o sobre os mistérios de Dioniso mas o deus não pode revelar nada. Penteu manda retirar as insígnias de Dioniso do jovem e manda-o prender. Antes de ser preso, Dioniso disfarçado diz a Penteu que este sofrerá o seu castigo. Dioniso luta contra Penteu e consegue fugir da prisão. Penteu encontra-o à frente do palácio e chega um Mensageiro. O Mensageiro relata a Penteu os rituais que viu as Bacantes fazeram e, quando elas perceberam que estavam a ser observadas por homens, ficaram enlouquecidas e começaram a dilacerar os animais com as mãos. Penteu manda prender todas as Bacantes e Dioniso oferece a proposta de levar primeiro Penteu a um ritual. Penteu aceita mas, antes de irem, Dioniso veste-o com trajes femininos. Antes de partirem, Dioniso enfeitiça Penteu, levando-o à loucura.

 Chega um Mensageiro que conta ao coro como Penteu foi morto e dilacerado pelas Ménades, sendo a primeira a atacá-lo a sua mãe, Ágave. O Mensageiro sai e chega Ágave com a cabeça do filho no tirso, que ela pensava ser a de um leão. Ela, gloriosa da sua conquista, mostra a cabeça ao seu pai, Cadmo. Junto ao pai, Ágave começava a recuperar a consciência e Cadmo explica-lhe o que aconteceu. Os dois lamenta a sorte da família por não se ter louvado Dioniso. Para piorar, Dioniso condena os dois a serem para sempre exilados e Cadmo seria metamorfoseado, tal como a sua esposa.

Nas Montanhas da Loucura

 Obra: Nas Montanhas da Loucura

Autor: H. P. Lovecraft

Resumo:

O narrador é um geólogo e é convidado a ir a uma expedição na Antártida para explorar as camadas de gelo. Apesar de tentar prevenir esta expedição por considerar que ia prejudicar as camadas de gelo, acaba por ir. Lake, um dos especialistas, partiu com o seu grupo para realizarem as primeiras escavações e descobrirem uma cavidade gípsica com mais de 5 milhões de anos, repleta de fósseis. Nesta gruta, Lake descobriu vários espécimes de uma criatura normal e levou-os para o acampamento. Depois de dissecar um, percebeu que os órgãos estavam anormalmente conservados e, em vez de sangue, tinha um líquido esverdeado e mal cheiroso. Como os seres se assemelhavam às criaturas primordiais que muitos mitos dizem ter visitado a Terra quando esta ainda era jovem, Lake chamou-lhes "Ancestrais".

 No dia seguinte, Lake e a sua equipa não entrou em contacto com os colegas. O narrador e a sua equipa agarram no avião e dirigem-se para o local onde Lake tinha acampado. Ao chegarem lá, perceberam que o vendaval tinha destruído tudo e que apenas quatro pilotos tinham sobrevivido. Recolheram o material científico que não tinha sido destruído e encontraram 6 dos 14 espécimes que Lake tinha descoberto. Deixaram as criaturas e partiram para o acampamento inicial. Dias depois, abandonaram a Antártida. Ao regressarem a casa, os cientistas mantiveram segredo sobre o que tinham visto e procuraram impedir que outra expedição alguma vez acontecesse. Apesar dos seus esforços, foi criada a expedição Starkweather-Moore. O narrador reflete sobre os seus últimos dias na Antártida e sobre o momento em que ele e Danforth voaram para ver o que havia para lá das montanhas.

 Primeiramente, os dois colegas estranharam a perfeição das construções geológicas da montanha. Depois de passarem as montanhas, os dois ficaram perplexos ao encontrarem uma cidade com edifícios e uma praça pública. Este achado parecia impossível pois, na altura das inscrições encontradas, o ser humano vivia nas árvores. Decidiram explorar a cidade com uma camara fotográfica e ficaram maravilhados com o tamanho das pedras nas muralhas que circundavam a cidade. Depois de explorarem as esculturas e relevos, começaram a procurar o caminho para o abismo retratado nestes. Encontraram objetos do acampamento de Lake, o corpo de um dos jovens que o acompanhava e o corpo de um cão. Descobriram ainda seres estranhos, parecidos a pinguins gigantes, albinos e cegos. Decidem segui-los. Encontram mais exemplares das figuras de Lake e percebem o que eram: eram os Ancestrais, decapitados e cobertos por uma goma negra. Danforth lança um grito e uma figura demasiado assustadora para ser descrita perseguiu os invasores. Impulsionados pelo pânico, os dois conseguem escapar e, no avião, prometem não revelar nunca o que viram. Ao sobrevoarem a cidade para regressarem ao acampamento, Danforth olha para baixo e perde a sua lucidez. Danforth nunca contou o que viu mas, por vezes, ainda tem momentos em que invoca aquela cidade.

Muito Barulho Por Nada

Obra: Muito Barulho Por Nada

Autor: Shakespeare

Resumo:

Personagens: Dom Pedro, Príncipe de Aragão; Dom João, seu irmão bastardo; Cláudio, moço fidalgo de Florença; Benedito, moço fidalgo de Pádua; Leonato, governador de Messina; António, seu irmão; Baltasar, criado de Dom Pedro; Boráquio e Conrado, companheiros de Dom João; Verges e Dogberry, beleguins; Hero, filha de Leonato; Beatriz, sobrinha de Leonato; Margarida e Úrsula, damas de Hero.

Ação:

Num terraço estão Leonato, Hero, Beatriz e um mensageiro. Leonato recebe uma carta que diz que D. Pedro de Aragão chegava naquela noite a Messina. Beatriz pergunta por Benedito de Pádua pois a sua prima desejava falar com ele. Beatriz critica Benedito por todos os seus vícios e o mensageiro procura defendê-lo. Chegam D. Pedro, Baltasar, D. João, Cláudio e Benedito. Benedito e Beatriz iniciam uma troca de insultos. Saem todos menos Benedito e Cláudio. Cláudio confessa a Benedito a paixão que sentiu ao ver Hero e pensa casar-se com ela. Chega D.Pedro que, ao saber da paixão de Cláudio, o apoias. Benedito aproveita e faz uma promessa de que nunca se irá apaixonar e casar. Sai Benedito e D.Pedro encoraja Cláudio a seguir com o seu plano de casamento. Para o ajudar, D. Pedro compromete-se a ir ao baile de máscaras, fingir ser Cláudio e confessar o seu amor a Hero. Em casa de Leonato estão Leonato e António. António diz ao irmão que um dos seus criados tinha ouvido D. Pedro declarar o seu amor por Hero e admitir que iria confessá-lo nessa noite. Noutro aposento estão D. João e Conrado. D. João estava descontente por sentir que não tinha liberdade. Entra Boráquio e dá a notícia de que Cláudio pretendia casar com Hero e D. Pedro o iria ajudar. D. João prepara-se para criar um plano para destruir o momento.

 Na casa de Leonato está Leonato, António, Hero e Beatriz. No meio da conversa, Beatriz mostra repulsa pela ideia de se casar. Leonato prepara a filha para a possível abordagem de D. Pedro. Entram D. Pedro, Cláudio, Benedito, Baltasar, D. João, Boráquio, Margarida e Úrsula, todos mascarados. D. Pedro e Hero vão passear. Todos conversam entre si e vão dançar. Saem todos menos D. João, Boráquio e Cláudio. D. João aborda Cláudio e diz-lhe que D. Pedro tinha confessado o seu amor a Hero. Benedito chega e confirma. Cláudio acredita e parte. Benedito quer vingar-se das ofensas que Beatriz lhe disse quando não o reconheceu. Sai Benedito e chegam D. Pedro, Cláudio, Beatriz, Leonato e Hero. D. Pedro esclarece tudo e Leonato, já informado, aceita a união. Sai Beatriz, após conversar com D. Pedro. O casamento de Cláudio e Hero fica marcado para uma semana depois e D. Pedro cria um plano para unir Beatriz e Benedito.

 Enquanto isso, D. João e Boráquio planeiam uma forma de arruinar o casamento. D. João iria falar com D. Pedro e Cláudio iria sugerir que Hero tinha um amante. Boráquio iria conversar com Margarida pela janela de forma a parecer que era com Hero. No jardim estão D. Pedro, Leonato, Cláudio e Baltasar. Baltasar canta uma canção e D. Pedro pede-lhe que encontre bons músicos para, no dia seguinte, fazerem uma serenata a Hero. Sai Baltasar.

 Benedito esconde-se e CLáudio, D. Pedro e Leonato, sabendo disto, conversam sobre a paixão que Beatriz tinha por Benedito. Benedito acredita que isto era verdade e fica interessado em Beatriz, pensando até em casar com ela.

 No jardim estão Hero, Margarida e Úrsula. Hero manda Margarida chamar Beatriz e que se escondam a ouvir a conversa entre Hero e Úrsula. Hero e Úrsula usam o mesmo esquema, afirmando que Benedito estava apaixonado por Beatriz. Beatriz acredita e está disposta a corresponder o amor.

 Em casa de Leonato está D. Pedro, Cláudio, Benedito e Leonato. D. Pedro e Cláudio vêem Benedito triste e acusam-no de estar apaixonado mas este nega. Benedito e Leonato saem e D. João chega a confessar a Cláudio que Hero o traía. Cláudio não acredita mas prontifica-se a, naquela noite, vigiar a amada. Numa rua, Boráquio diz a Conrado que tinha recebido mil ducados por ajudar D. João num plano. Conta o plano de levar Cláudio e D. Pedro a considerar que Hero era infiel e os guardas, que ouviram toda a conversa, prendem-nos. Margarida e Beatriz ajudam Hero a preparar-se para o casamento. No meio da conversa, Beatriz admite sentir-se doente e as outras duas apresentam a ideia de que essa doença era amor.

 Na igreja estão D. Pedro, D. João, Leonato, um frade, Cláudio, Benedito, Hero e Beatriz. No momento em que o frade se preparava para casar Hero e Cláudio, Cláudio expõe perante todos que Hero o tinha traído. Hero desmaia e o frade, suspeito de que Hero tinha sido tramada, diz a Leonato que finja que Hero tinha morrido para assim conseguirem descobrir a verdade. Beatriz e Benedito confessam finalmente o amor um pelo outro e Beatriz pede-lhe para matar Cláudio.

 Numa cadeia estão Dogberry, Verges e o sacristão a questionar Conrado e Boráquio. Depois de ouvirem os guardas e apesar das tentativas de Conrado e Boráquio de os contrariar, os dois culpados são enviados para casa de Leonato para este saber a verdade.

 Em casa, Leonato conversa com António e António procura consular o irmão mas este está a sofrer demasiado. Chegam D. Pedro e Cláudio e António e Leonato atacam-nos, culpando-os da morte de Hero e de espalharem calúnias sobre ela. Os outros dois defendem-se e António e Leonato partem. Entra Benedito e Cláudio e D. Pedro gracejam sobre o amor dele e de Beatriz. Sai Benedito. Chegam Dogberry, Verges, Conrado e Boráquio e Boráquio confessa o plano que ele e D. João criaram. Chegam Leonato, António e o sacristão. Leonato dá como castigo a Cláudio e a D. Pedro que espalhem a mensagem de que a filha morreu inocente, teriam que chorar no seu túmulo todos os anos e Cláudio teria que se casar com a filha de António. Benedito vai ao encontro de Beatriz e declaram-se um ao outro. Chega Úrsula e os três vão a casa de Leonato. Depois d evisitar o túmulo de Hero, Cláudio e D. Pedro vão a casa de Leonato.

 Em casa de Leonato, este pede ao irmão que finja que Hero é a sua filha para a dar a Cláudio. Benedito pede permissão a Leonato para se casar com Beatriz naquela noite e este concede-lha. Chegam D. Pedro e Cláudio. Chega António com Hero disfarçada. Depois de Cláudio aceitar casar com ela, Hero tira a máscara e revela-se. Benedito e Beatriz admitem que não se amam, descobrem o esquema no qual foram envolvidos mas casam-se "por compaixão". Todos dançam.

domingo, 9 de agosto de 2020

Otelo

 Obra: Otelo

Autor: Shakespeare

Páginas:243

Resumo:

Personagens: Doge de Veneza; Brabâncio, o senador; outros senadores; Graciano, irmão de Brabâncio; Ludovico, parente de Brabâncio; Otelo, nobre general mouro ao serviço de Veneza; Cássio, tenente; Iago, alferes; Rodrigo, fidalgo veneziano; Montano, predecessor de Otelo; Arauto, Desdémona, filha de Brabâncio e mulher de Otelo; Emília, mulher de Iago e Branca, amante de Cássio.

Acção

Rodrigo e Iago conversam sobre Cássio ter sido promovido a tenente apesar de ter estado em menos guerras que Iago. Iago admite desprezar o mouro mas finge ser leal e submisso para alcançar os seus fins. Iago decide virar a família de Desdémona contra Otelo e, junto com Rodrigo, vão acordar Brabâncio e insultam Otelo. Rodrigo afirma ainda que Desdémona tinha saído a meio da noite para visitar Otelo. Brabâncio chama servos para averiguar a questão e Iago sai. Rodrigo e Brabâncio vão procurar Otelo e saem de cena. Entram Otelo, Iago e servos com archotes. Iago conta a Otelo sobre as suspeitas de Brabâncio e sobre o ataque que este planeava. Entram Cássio e alguns oficiais para informar Otelo de que o doge o chamava para tratar de um assunto relativo ao Chipre. Otelo preparava-se para sair quando entram Brabâncio, Rodrigo e oficiais armados. Brabâncio acusa Otelo de ser um ladrão por lhe ter roubado a filha, e de ter usado feitiçaria para a seduzir. Brabâncio ordena que Otelo vá para a prisão mas este responde que não pode pois o doge chamou-o. Brabâncio sai contrariado e ofendido.

 Na sala do Conselho, o doge e os senadores estão sentados à mesa e conversam sobre uma frota turca que supostamente se encaminha para o Chipre. Chega um marinheiro que afirma que a frota mudou o rumo para Rodes.Os senadores concordam que esta mudança foi apenas para os distrair e que o destino final é Chipre. Chegam Brabâncio, Otelo, Iago, Rodrigo e oficiais. O doge dirige-se a Otelo e diz-lhe que pretende enviá-lo para combater os Otomanos. Brabâncio decide apresentar as suas preocupações, dizendo que a sua filha lhe foi roubada e enfeitiçada e acusa Otelo. Otelo admite ter raptado e desposado Desdémona. Doge manda que se traga Desdémona. Enquanto esperavam, Otelo admite que ela se apaixonou pelas aventuras que ele contava quando Brabâncio o convidava a casa. Ele apaixonou-se pela piedade que ela lhe mostrou. Chegam Desdémona e Iago. Desdémona dá a razão ao seu esposo. Mudam o assunto para Chipre. Otelo compromete-se a combater os Otomanos e Desdémona pede para acompanhar o marido na sua viagem e eles aceitam. Doge pede a Otelo que deixe um oficial seu para aceitar os diplomas e ordens em nome de Otelo e este deixa Iago. Brabâncio avida Otelo de que a sua filha o podia enganar tal como o tinha enganado e este confia Desdémona a Iago e à esposa deste. Todos saem e Iago diz a Rodrigo para encher os bolsos com dinheiro e vestir um disfarce para embarcar com eles e assim seduzir Desdémona caso esta se canse do marido. Iago desenha ainda um plano para se vingar de Cássio: dirá a Otelo que este e Desdémona têm uma familiaridade excessiva.

 No Porto em Chipre entram Montano e dois oficiais. Procuram ver no mar a esquadra otomana mas sem sucesso. Chega um terceiro oficial a dar a notícia de que uma tempestade tinha naufragado o navio otomano. Anuncia ainda que Cássio tinha acabado de desembarcar ali e Otelo estaria para chegar e tinha poderes absolutos para comandar em Chipre. Montano fica agradado e partem para a praia para assistirem à chegada de Otelo. Saludam Cássio. Chega a notícia de que Iago tinha também chegado. Entram Desdémona, Emília, Iago e Rodrigo. Cássio apresenta Desdémona. Vê-se outra vela e chega Otelo. Professa o seu amor pela sua esposa e recebe o mesmo tratamento. Saem Otelo e Desdémona. Iago diz a Rodrigo que Cássio estava apaixonado por Desdémona e comanda-lhe que, nessa noite, fique de guarda à senhora junto com Cássio e que provoque uma luta com este de forma a que Iago consiga virar o povo contra Cássio. Sai Rodrigo.

 Otelo decide organizar uma festa para comemorar a chegada à ilha e solenizar as suas núpcias. Enquanto marido e mulher estavam no quarto, Cássio e Miguel ficam de guarda. Chega Iago. Os dois falam sobre a beleza de Desdémona e Iago desafia Cássio a beber vinho com ele e uns amigos. Este consente e Iago começa o seu plano de embriagar Cássio até que este faça algo ofensivo para a ilha. Cássio vai embora, afirmando não estar ébrio e Iago diz aos companheiros que o tenente tinha um problema com bebida. Rodrigo segue Cássio e os dois entram a discutir. Cássio quer bater em Rodrigo e bate a Montano, que o tentou segurar. Rodrigo sai para a praça para alertar do que se passou. Chega Otelo e Iago explica que Cássio tinha começado o conflito. Chega Desdémona e Otelo parte com ela, avisando Cássio de que será punido. Fica apenas Cássio e Iago e Iago aconselha-o a ir falar com Desdémona para aplacar o castigo do general e assim não perder a sua honra.

 No dia seguinte, Cássio pede a um Bobo que fale com Desdémona e que lhe diga que Cássio quer falar com ela. Sai o Bobo e chega Emília, que diz a Cássio que o generla e a esposa conversaram sobre ele e Desdémona defende que Cássio devia ser poupado. Cássio pede para ver a sua senhora e Emília leva-o até ela. Desdémona prontifica-se a fazer o necessário para convencer o marido a perdoar Cássio. Sai Cássio e chega Otelo e Iago. Desdémona avisa o marido da vinda de Cássio e roga-lhe para que o perdoe o mais rapidamente possível. Otelo acaba por aceitar e Desdémona e Emília partem. Otelo percebe que Iago está a agir de forma estranha e procura saber o que este esconde. Iago apenas aconselha Otelo a ter atenção à relação entre Cássio e Desdémona e à insistência dele por o general ser perdoado pois ele desconfia haver algo mais entre eles. Sai Iago e entram Desdémona e Emília e Desdémona tira o lenço que Otelo lhe tinha oferecido para tratar a dor de cabeça do marido. Sem querer deixa cair o lenço e entra no castelo com o marido. Emília agarra no lenço e guarda-o para o entregar ao marido, que já lho tinha pedido. Chega Iago e apodera-se do lenço. Planeia deixar cair o lenço no quarto de Cássio. Sai Emília e chega Otelo. Otelo lamenta-se pela sua desgraça e tem um ataque de cólera em que ameaça Iago caso este não lhe apresente uma prova concreta do que disse. Iago diz que Cássio, em sonhos, confessou o seu amor por Desdémona mas Otelo não considera ser prova suficiente. Iago diz ainda que Cássio usava um lenço que Otelo reconheceu como sendo de Desdémona. Otelo decide planear a sua vingança e o seu amor pela esposa desaparece. Otelo elege Iago como tenente e pede-lhe ajuda para desenhar um plano.

 ENquanto isso Desdémona pede ao Bobo para descobrir onde mora Cássio e que o chame. O Bobo sai e chega Otelo. Otelo pede o lenço a Desdémona e, quando esta afirma que não o tem ele revela que o lenço é mágico pois, enquanto uma mulher o tiver, o seu marido vai estar apaixonado por ela. Otelo pergunta a Desdémona se o tinha perdido e esta tenta mudar de assunto para Cássio. Otelo sai enfurecido. Chegam Cássio e Iago e Cássio admite que a sua situação se mantém igual. Desdémona explica que o marido está enfurecido e Iago prontifica-se a falar com ele. Sai Iago. Desdémona explica que o marido está enfurecido e Iago prontifica-se a falar com ele. Sai com Emília. Entre Branca, cheia de saudades do seu amante e pede-lhe que se encontrem mais vezes. Cássio dá-lhe o lenço de Desdémona que tinha encontrado e Branca tem um ataque de ciumes por pensar que era de outra mulher. Càssio acalma-a e esta vai embora.

 Otelo e Iago conversam. Iago afirma que ouviu Cássio gabar-se de ter tido relações com Desdémona e Otelo cai com convulsões. Iago acalma o senhor e este recupera. Iago diz a Otelo para se esconder e ver a conversa entre ele e Cássio, sem conseguir ouvir. Iago começa a falar de Branca e Otelo pensa que se fala de Desdémona. Chega Branca irritada por pensar que o lenço era de outra amante de Cássio. Sai Branca e Cássio segue-a. Otelo sai do esconderijo e Iago convence-o de que Cássio se ria do seu crime e realça o lenço que pertencia a Desdémona. Otelo decide matar a esposa naquela noite e Iago compromete-se a tratar de Cássio. Entram Ludovico e Desdémona. Ludovico era primo desta e, ao perguntar por Cássio, Desdémona conta-lhe acerca da desavença entre os dois. Ludovico traz um ofício no qual o Senado chama Otelo a Veneza e passa para Cássio o governo. Desdémona fica contente e Otelo, irado, bate-lhe e insulta-o. Desdémona sai em lágrimas. Sai Otelo furioso.

 Otelo e Emília conversam e esta admite não ter visto nada de estranho na conversa entre Desdémona e Cássio. Otelo manda chamar Desdémona e ficam os dois sozinhos. Otelo acusa a esposa de ser pecadora e traidora e, apesar dos rogos da esposa, sai. Chega Emília e Iago e consolam a triste mulher. Saem Desdémona e Emília e chega Rodrigo. Rodrigo encontra-se desesperado por ainda não ter sido apresentado a Desdémona apesar das jóias que lhe comprou e Iago rvela-lhe que, para ele ficar com a dama têm primeiro que matar Cássio. Planeiam fazê-lo naquela noite.

 Enquanto isso, Ludovico, Otelo, Desdémona e Emília conversam num quarto. Ludovico e Otelo vão caminhar. Desdémona segue a ordem do marido e começa a preparra-se para se deitar, lamentando-se a Emília.

 Rodrigo, a comando de Iago, espera que Cássio saia de casa para o assassinar. Cássio esfaueia Rodrigo com a espada, Iago sai do esconderijo e fere Cássio na coxa e sai. Chega Otelo e, ao ver Cássio ferido fica feliz. Sai e chegam Graciano, Ludovico e Iago e auxiliam Cássio. Rodrigo queixa-se e Iago apunhala-o. Chega Branca e corre para Cássio. Iago vira as suspeitas para Branca. Chega Emília e Iago manda-a contar a Otelo e Desdémona o que aconteceu.

 Enquanto isso Otelo entra no quarto da esposa e, sem coragem para a matar, beija-a. Desdémona acorda e Otelo aconselha-a a pedir perdão aos céus antes que ele a mate, acusando-a de o ter traído com Cássio. Ela procura defender-se mas Otelo sufoca-a. Chega Emília e conta a novidade a Otelo. Ouve os lamentos  de Desdémona antes de morrer. Otelo confessa o crime e justifica que foi porque Iago lhe tinha dito que Desdémona e Cássio tinham um caso. Emília grita por socorro e chegam Iago, Graciano e Montano. Emília roga ao marido que lhe diga que era tudo mentira mas este admite ter ajudado. Otelo conta a Graciano e Montano que Desdémona o tinha traído e tinha entregado um lenço seu a Cássio. Emília conta que tinha sido ela a encontrar o lenço e a dá-lo a Iago. Iago apunhala Emília e foge. Montano e Graciano vão atrás de Iago. Emília realça que a sua senhora era casta e morre. Otelo percebe o seu engano e chora sob a esposa.

 Chegam Ludovico, Montano, Cássio e Iago. Otelo fere Iago. Foram encontradas duas cartas no bolso de Rodrigo que provam a cumplicidade de Iago. Cássio seria agora o governador. Otelo apunhala-se e morre sobre o corpo de Desdémona. Iago iria ser castigado.


domingo, 5 de janeiro de 2020

A Comédia do Fantasma

Obra: A Comédia do Fantasma

Autor: Plauto

Resumo:
 Personagens: escravo Tranião; escravo Grumião; o jovem Filólaques; a meretriz Filemácio; a escrava Escafa; o jovem Calidamates; a meretriz Délfio; o velho Teoprópides; o agiota Misergárides; o velho Simão; o escravo Fanisco e o escravo Pinácio.

 Grumião acorda Tranião aos gritos. Tranião acorda mal disposto e há uma troca de insultos por Grumião ser do campo e Tranião da cidade. Grumião insulta Tranião por este gastar a fortuna do seu mestre enquanto este está fora e por viver à grega. Há uma troca de insultos e os dois partem. Entra em cena Filólaques, filho do dono da casa a fazer uma longa reflexão sobre como o homem é semelhante a uma casa e como ele se levou à própria ruína.
 Chegam Escafa e Filemácio e Filemácio, ao ver Filólaques, pergunta à sua escrava se estava apresentável para ser vista pelo seu amado. Escafa ridiculariza a sua atitude, afirmando que é ridículo ela, sendo uma cortesã, se dedicar apenas a um homem que, mesmo que Filólaques a tenha comprado e libertado, ele iria acabar por a abandonar. Filemácio ameaça Escafa de a castigar severamente se ela continuasse a criticar o seu amado e Escafa passa a bajular a sua ama. Filólaques vai ter com Filemácio e convida-a para sua casa. Chega Calidamates, já bêbedo e Délfio, amada de Calidamates. Filólaques recebe-os e oferece um lugar a mesa mas Calidamates prefere deitar-se e dormir.
 Tranião entra em casa a lamentar-se da desgraça a que ele e Filólaques se entregaram por terem esbanjado dinheiro do senhor com festas e agora o senhor tinha regressado. Tranião pergunta à audiência se alguém se queria oferecer para ser castigado por ele mas não houve ninguém. Entra em casa e alerta Filólaques sobre a situação. Este fica desesperado e tenta tirar Calidamates de casa mas não o consegue levantar. Tranião, ao perceber que a situação estava a piorar, tenta encontrar um plano para afastar o senhor da casa. Manda todos para dentro de casa e ordena a Filólaques que não deixe ninguém fazer barulho nem abrir a porta se alguém tocar.
 Teoprópides chega e bate à porta várias vezes mas fica espantado por não ter resposta. Tranião chega e saúda o velho e, quando este afirma ter tocado à porta, Tranião faz uma cara de puro medo e afasta o amo da casa. Tranião explica que, naquela casa, um anfitrião tinha assassinado o seu hóspede e enterrado-o no terreno ao pé da casa sem honras fúnebres. Certo dia o hóspede apareceu em sonhos a Filólaques e contou-lhe a história, aconselhando-o a sair daquela casa por estar amaldiçoada. Teoprópides parte e Tranião vê o agiota, que tinha emprestado o dinheiro para Filólaques comprar a concubina, chegar. Fica atrapalhado, principalmente quando vê que Teoprópides regressa também. Teoprópides afirma que o senhor que lhe tinha vendido a casa tinha dito que a história era mentira e Tranião afirma que o dono estava a mentir. O agiota aproxima-se de Tranião a pedir o dinheiro que lhe devia e este leva-o para um sítio mais escondido. Tranião tenta convencê-lo a regressar mais tarde mas o agiota afirma que não iria sair dali sem ter recebido o dinheiro do juro. Teoprópides ouve falar de juro e procura saber o que se passava. Tranião mente, dizendo que Filólaques tinha pedido dinheiro ao agiota quando descobriu que aquela casa estava assombrada para comprar outra. Tranião convence ainda o senhor a dizer ao agiota que ele se responsabilizava por pagar a dívida no dia seguinte. O agiota parte e quando Teoprópides pergunta onde é que o filho tinha comprado a casa, o escravo fica aflito e responde que tinha sido a casa do vizinho. Teoprópides acredita e pede para ver a casa. Tranião vai sozinho ter com Simão, dono da casa e ouve-o a queixar-se da esposa. Dirige-se a ele e roga-lhe para que não conte ao seu senhor a vida luxuosa que eles levavam. Simão aceita e Tranião diz-lhe que o seu senhor gostava de ver a casa de Simão acreditou e Tranião chama Teoprópides, SImão vai para o fórum e os dois entram na casa.
 Fanisco faz uma reflexão sobre como ele é um escravo obediente por ter medo de o seu senhor o castigar. Chega Pinácio, outro escravo, e acusa Fanisco de viver uma boa vida por estar na graça do seu senhor. Há uma troca de insultos.
 Entretanto, Teoprópides confessa a Tranião como aquela casa era linda e como tinha sido excelente compra. Teoprópides manda Tranião chamar o filho. Fanisco e Pinácio, escravos de Calidamates, bateram à porta de Teoprópides. Este ouve e vai ter com eles. Eles afirmam que vieram ter com o seu senhor que estava ali bêbado. Teoprópides explicou que ninguém habitava aquela casa fazia uns meses e Fanisco explicou que ele ia lá praticamente todos os dias ter com o seu senhor quando este ia às grandes festas realizadas por Filólaques que tinha gasto toda a fortuna do pai dele. Diz ainda que Filólaques tinha comprado a sua amada para lhe conceder a sua liberdade e admite ter pena do pai dele. Os dois escravos vão embora. Teoprópides vê Simão e pergunta-lhe se o filho lhe tinha comprado a casa. Simão responde que não e que o escravo Tranião lhe tinha dito que Teoprópides queria ver a casa para construir um gineceu. Teoprópides percebeu a trama e pediu a Simão uns escravos e correntes.
 Teoprópides fala com os escravos de Simão e explica-lhe que vai fingir que não sabe nada para apanhar Tranião desprevenido. Tranião, no entanto, ouviu a conversa e, quando vai ter com o senhor, senta-se num altar. Teoprópides finge que estava irado com Simão por este não reconhecer a compra da casa e Tranião convence-o de que é má ideia. Teoprópides insiste para que o escravo saia do altar mas este não obedece. Ambos deixam de fingir que não sabem a verdade e Teoprópides questiona-o sobre o porquê de ter feito o que fez. Tranião não se mostra arrependido de nada. Chega Calidamates que tinha sido escolhido pelo amigo para falar com o pai e apaziguar a sua ira. Tranião pede a Calidamates para o proteger e este dirige-se a Teoprópides afirmando que o filho é um jovem e que a juventude é a altura para fazer erros mas que, apesar dos erros, continua a ser filho dele. Teoprópides ficou tão emocionado que decidiu perdoar o filho desde que ele pague a despesa. Teoprópides continuava, no entanto, irado com Tranião e mostra desejo de o matar mas Calidamates suplica para que o perdoe e ele acaba por aceitar.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Crime e Castigo

Obra: Crime e Castigo

Autor: Dostoievsky

Resumo:
Um rapaz que tinha entrado numa espécie de torpor intelectual, isolando-se, não comendo e vestindo-se com farrapos enquanto preparava o seu projeto. Chamava-se Raskolnikoff e era estudante. Foi visitar uma senhora idosa para penhorar um relógio de prata. Foi para uma taberna, onde um homem bêbado chamado Marmeladoff começou a falar com ele. Tinha sido expulso de casa quando a pessoa a quem devia dinheiro bateu na esposa. Marmeladoff tinha perdido o emprego e voltou a beber. Em casa, a família, composta pela esposa e quatro filhos, passava fome. Tinha conseguido novamente o emprego mas voltou a perdê-lo. Agarrou no dinheiro que tinha num cofre e abandonou a casa para voltar ao álcool. Marmeladoff acaba de contar a história da sua vida e leva Raskolnikoff com ele para a sua casa, de onde tinha fugido. A esposa bateu-lhe.
 Raskolnikoff regressou a casa. No dia seguinte acorda com a empregada a anunciar que a dona de casa o ia denunciar à polícia por não lhe pagar a renda e recusar-se a ir embora. Recebe uma carta da mãe a avisar que a irmã de Raskolnikoff estava noiva de um advogado rico e que dentro em pouco os três estariam juntos novamente. Avisa-o ainda de que lhe iria enviar dinheiro. Ele, ao ler a carta fica irado, reprimindo a mãe e a irmã por terem aceite o casamento com um desconhecido e por a mãe estar a pensar mudar de casa sem forma de sobrevivência monetária. Percebe que a irmã se estava a sacrificar por ele e pela mãe para melhorar o estado económico da família. Começou a comparar o futuro da irmã com a esposa de Marmeladoff. Raskolnikoff sai de casa e vê uma jovem embriagada que tinha sido abusada e posta na rua. Um homem queria aproveitar-se dela e ele bateu-lhe. Chega um polícia e Raskolnikoff conta-lhe a história e pede-lhe ajuda para a levar para casa. Arrependeu-se de ter dado o dinheiro para a viagem da rapariga.
 Vai beber uma aguardente e fica embriagado. Acaba por adormecer na floresta e sonha com um episódio de terror em que um homem tenta obriga o cavalo a levar muita gente mas este não consegue então espanca-o até que este morre. Acordar sobressaltado perguntando-se se aquele sonho era uma premonição de um crime que ele iria cometer no futuro. Tinha sido diagnosticado com um tumor no coração um mês antes. Raskolnikoff passou pelo mercado e descobriu que a irmã de Alena Ivanova, única companhia desta, estaria a trabalhar ali das 6 às 7 do dia seguinte, deixando assim Alena sozinha. Raskolnikoff planeia matá-la e roubar o seu dinheiro. Depois da primeira vez que ele tinha penhorado algo em Alena, ouviu uma conversa entre um estudante e um oficial sobre ela. O estudante já tinha tido os serviços dele e queixava-se de ela ser rabugenta e má, batendo e escravizando a irmã. O estudante apresenta a ideia de matar a velha e esta ideia despertou a alma de Raskolnikoff. Passou a planear o plano perfeito para conseguir matá-la e roubar o dinheiro. Chegou o dia de pôr o plano em prática. Roubou o machado de cozinha e escondeu-o no casaco. Chegou à porta de Alena sem que ninguém o visse entrar. Entrou na casa dela e deu-lhe um objeto que a ocuparia durante uns minutos a tentar abri-la. Aproveitou a distração e espetou o machado na cabeça de Alena. Passou a procurar o cofre com dinheiro dela mas apenas encontrou objetos valiosos dos penhores. Ouve um grito e vê a irmã de Alena chocada junto ao corpo. Matou-a e a partir desse momento fica desnorteado, não sabendo o que fazer. Limpa a roupa e os sapatos e preparava-se para fugir quando ouve passos nas escadas. Um homem bate à porta impaciente, sem obter resposta. Chega um jovem que afirma querer falar com Alena e que repara que a porta estava fechada com o trinque de dentro e, por isso, elas estavam em casa. Os dois desceram as escadas para se encontrarem com mais um homem e ele aproveitou para se esconder no andar inferior onde tinham estado pintores. Os três homens voltam a subir e ele aproveita para se ir embora do edifício. Vai para casa, arruma o machado e vai para o seu quarto sem conseguir dormir por estar tão desorientado e nervoso.
 No dia seguinte entra Nastásia com um homem a entregar uma carta da polícia que lhe ordenava apresentar-se o mais rapidamente possível. Ele mostrou-se pronto a apresentar-se à polícia e a denunciar o seu crime. Quando lá chegou percebeu que tinha sido chamado por uma queixa feita pela senhoria por ele não pagar a renda. Na delegacia, ouviu falar sobre o sucedido no dia anterior. Os polícias não acreditavam que tinham sido os dois homens a cometer o crime. Raskolnikoff ía sair da delegacia mas desmaiou. Os polícias amparara-no e, quando ele recuperou, foi embora.
 Raskolnikoff decide desfazer-se das jóias que tinha roubado e vai escondê-las debaixo de uma pedra num sítio longe de sua casa.
 Decidiu ir visitar Razoumikhine e diz-lhe que já não tinha lições. O amigo ofereceu-lhe a oportunidade de ganhar dinheiro através de traduções. Ele vai embora sem dizer nada, o que deixa o amigo a pensar que ele estava louco. Raskolnikoff entrou em casa e ouviu Petrovich, o adjunto do comissário da polícia que tinha visto na esquadra, a bater na dona da pensão. Nastásia foi levar-lhe o jantar e o jovem perguntou-lhe sobre o sucedido. Nastásia afirmou que não tinha havido qualquer briga e que aquele era um delírio provocado pela febre. Raskolnikoff pede-lhe água e perde os sentidos. Acorda uns dias mais tarde cercado por Razoumikhine, Nastásia e um desconhecido. O desconhecido apresentou-se afirmando trabalhar para uma firma para onde a mãe de Raskolnikoff tinha enviado dinheiro para o filho. Ele não quer assinar a princípio mas Razoumikhine convence-o a aceitar. O homem deixa o dinheiro e vai-se embora. Razoumikhine alimenta Raskolnikoff e conta-lhe que, depois de ele ter saído de casa dele apressado, Razoumikhine procurou-o por todo o lado. Encontrou a morada e foi visitá-lo mas ele estava doente. Entretanto conheceu todos os que faziam parte do hotel e criou amizade com eles. Esteve ao lado de Raskolnikoff para ver se este acordava e jantava sempre ao pé dele.
 Razoumikhine apresenta-se ainda como fiador do amigo devido à dívida que tinha. Razoumikhine afirmou ainda que Raskolnikoff, durante o delírio tinha falado de jóias e tinha pedido para ver a sua bota, que tinha manchas de sangue. Raskolnikoff adormece novamente e Razoumikhine aproveita para lhe comprar roupa nova para substituir a velha esburacada. Chega Zozimoff, um médico que fazia parte da esquadra da polícia. Zozimoff e Razoumikhine começam a falar sobre o assassínio da velha e como a polícia o estava a julgar mal. Um dos pintores que pintavam o prédio tinha sido preso por ter um par de brincos que pertenciam à velha morta. Razoumikhine não acreditava que este era o culpado.
 Chega Petro Petrovitch, noivo da irmã de Raskolnikoff. Diz a Raskolnikoff que a mãe e a irmã estavam a caminho dali, e que vão ficar numa pensão até se mudarem para a casa nova, naquela cidade. Petro, Zozimoff e Razoumikhine conversavam sobre o crime quando Raskolnikoff se exaltou e insultou o noivo da irmã. Este vai embora, ofendido e Raskolnikoff aproveita para pedir a todos que saíssem do quarto para ele ficar sozinho. Zozimoff e Razoumikhine saem e comentam o facto de o doente se exaltar sempre que falam no crime. Raskolnikoff vestiu-se e saiu de casa sem que ninguém percebesse. Percorreu as ruas até entrar numa taberna para pedir os jornais dos últimos quatro dias. Começou a lê-los mas foi interrompido por Zozimoff que o interrogava sobre a sua saída e sobre o que ele estava a ler. Raskolnikoff mostrou saber coisas sobre Zozimoff, procurando intimidá-lo. Este não se rende e Raskolnikoff começa a falar com Zametoff sobre um caso de um grupo que falsificava notas. Os dois falam sobre o crime contra a velha e Zametoff pergunta a Raskolnikoff o que é que ele faria se fosse o assassino e este responde descrevendo o que tinha feito. Raskolnikoff pergunta a Zozimoff se ele alguma vez tinha suspeitado que ele era o assassino e Zozimoff afirma que antes tinha suspeitado mas já não suspeitava.
 Raskolnikoff saiu e foi para a sua casa. Encontrou Razoumikhine, que lhe dá um raspanete por ter saído e convida-o a ir à inauguração da sua casa à noite. Raskolnikoff continua a caminhar em direção à esquadra da polícia mas desvia o caminho para pensar bem no que ia fazer. Encontra a casa da velha e decide entrar. Sobe até ao quarto dela e vê que estão a fazer obras. Dois operários questionaram-no sobre o que ele ali estava a fazer e quem ele era mas ele apenas respondeu que, se eles quisessem saber, tinham que ir com ele à esquadra. Vai-se embora. Pelo caminho encontrou uma multidão que cercava

Razoumikhine se comprometeu a ir ter com elas quinze minutos depois para as atualizar sobre o filho. Este assim faz e informou-as de que Raskolnikoff estava a dormir. Tal como prometido, mais tarde, levou Zozimoff para junto das senhoras para lhes contar os detalhes sobre a doença do filho. Zozimoff procurou sossegar as duas. Zozimoff e Razoumikhine partiram para a pensão de Raskolnikoff, onde iriam passar a noite. O médico afirma que achou a mãe de Raskolnikoff bonita mas Razoumikhine defende-a. Razoumikhine aproveita ainda para dizer ao médico que este iria dormir no quarto da patroa e que ele se devia interessar por ela e fazer-lhe a corte.
 No dia seguinte, Razoumikhine vai tomar chá com a mãe e irmã de Raskolnikoff à pensão onde elas estavam e os três falam sobre Raskolnikoff. A mãe deste destaca os comportamentos errados que ele tinha tido por ter ofendido o noivo da irmã e ter aceite casar-se com a filha da dona da pensão, que entretanto tinha morrido. O noivo da irmã ficou tão ofendido que lhe escreveu uma carta a dizer que as ia visitar à noite e que, se lá estivesse Raskolnikoff, ele ia embora. Os três decidem ir visitar Raskolnikoff e este parecia melhor, pedindo desculpas à irmã e à mãe pelas suas ações na noite anterior. A irmã dele, no entanto, via na cara dele uma apatia que ia contra as suas palavras. Todos sentiam que aquela desculpa era forçada. Raskolnikoff começa a querer puxar conversa para impedir um momento de silêncio mas sentia que era um incómodo enorme manter uma conversa com a mãe e a irmã mesmo apesar de estarem três anos sem se ver. Falam novamente sobre o casamento de Dounia, irmã dele e Raskolnikoff continua a defender que o casamento devia ser anulado. Dounia procurava defender o seu noivo e o seu casamento mas Raskolnikoff contra-ataca sempre com argumentos. Decidem que ele vai estar em casa quando Petro Petrovitch as for visitar mesmo este tendo pedido o contrário.
 Entra Sónia, filha de Marmeladoff a convidá-lo para assistir no dia seguinte ao funeral do pai. A mãe e irmã de Raskolnikoff ficaram comovidos e foram-se embora. Sónia também não demorou muito mais tempo e foi-se embora. Raskolnikoff aproveita para dizer a Razoumikhine que tinha um mal pendurado na casa da velha assassinada que tinha pertencido ao seu pai e que era de grande valor para a família. Enquanto Sónia regressava a casa, foi perseguida por um homem desconhecido. Este tentou falar com ela mas esta fugiu o mais rápido possível.
 Razoumikhine levou Raskolnikoff, a pedido deste, para casa do juiz de instrução que estava a tomar conta do caso da morte da velha e que queria falar com todos os que lá tinham objetos penhorados. Os dois entraram com Raskolnikoff a tentar parecer o mais feliz e descontraído possível. Estava também na sala Zozimoff. Porfírio, o juiz, interroga Raskolnikoff, mencionando um artigo que este escrevera onde fazia uma reflexão sobre o crime, afirmando que o criminoso, enquanto praticava o crime estava sempre doente e apresentava a ideia de que alguns homens podiam cometer crimes por serem superiores à lei. Porfírio procurou testar Raskolnikoff ao máximo, procurando confrontá-lo para saber se ele tinha uma ligação ao crime. Raskolnikoff decide sair a meio do interrogatório com Razoumikhine e pelo caminho confessa ao amigo que sentia que o juiz e o médico desconfiavam dele. O amigo afirma que não e que ele não se devia preocupar com a opinião dos outros.
 Raskolnikoff regressa a casa e o dvornik apresenta-o a um homem baixo que andava à procura dele. O homem vai-se embora e o estudante persegue-o. Interroga-o sobre o seu interesse nele e o homem chama-lhe assassino, partindo com um sorriso malicioso. Raskolnikoff, agitado, decide regressar a casa. Deita-se e começa a meditar sobre a sua vida, ganhando raiva da velha por a ter piorado. Sai para a rua sem dar por si e encontra o homem baixo novamente que o convida a ter com ele. Levou-o ao quarto da velha que estava sentada a um canto e ria. Raskolnikoff pegou no machado e atacou-a com ele mas esta não morria. Acordou aflito e percebeu a figura de um homem sentado a um canto..

Svidrigailoff começa a relatar a verdade sobre a sua vida e sobre a sua esposa. Svidrigailoff fala ainda das visões que tem tido da mulher. Raskolnikoff ouviu-o, apesar da inimizade que os dois tinham. Svidrigailoff tinha amado a irmã de Raskolnikoff mas ofendeu a sua honra mas, apesar disso, foi falar com Raskolnikoff para dizer que o pretendente atual desta não era bom homem. Svidrigailoff propõe propõe ainda oferecer uma quantia de dinheiro para indemnizar a irmã de Raskolnikoff peça que lhe fez e apresenta a intenção de a voltar a ver. Raskolnikoff recusa qualquer proposta e Svidrigailoff parte.
 Razoumikhine chega e os dois dirigem-se para casa de Loujine. Razoumikhine procurou saber mais sobre Svidrigailoff com quem se tinha encontrado nas escadas mas não obteve repostas e, por isso, começou a falar sobre o seu dia. Os dois chegaram a casa de Loujine e a mãe e a irmã de Raskolnikoff chegaram um pouco mais tarde por terem tido dificuldades na viagem.
A mãe de Raskolnikoff menciona a morte da esposa de Svidrigailoff e começam todos a falar sobre ele. Raskolnikoff confessa que este o tinha visitado e menciona a proposta que ele tinha feito mas não explica em que consistia. Pedro Petrovitch aproveita a situação para acusar Raskolnikoff de o ter ofendido e procura esclarecer as coisas. Mãe, irmã e Raskolnikoff unem se contra Pedro, mencionando a vez em que difamou a rapariga que encontrara com Raskolnikoff. Pedro queixa se ainda do facto de o seu pedido para falar com Dounia e Pulquéria sobre Raskolnikoff a sós foi negado e Pulqueria impõe se, afirmando que elas não estavam submissas a ele. Dounia pede a Pedro que saia e este assim faz.
Raskolnikoff aproveita para apresentar a oferta de Svidrigailoff. Razoumikhine apresentou a proposta de juntar o seu dinheiro com o que Dounia iria ganhar e criarem um negócio de tradução de livros. Raskolnikoff levanta se subitamente, pronto a sair, e pede à irmã e à mãe que se afastem dele por uns tempos. Pede ainda a Razoumikhine para cuidar das duas e parte. Raskolnikoff visita Sónia e procura saber sobre o seu futuro. Procura saber sobre o estado da sua madrasta e dos filhos desta. Ao ver a miséria em que Sónia vivia, Raskolnikoff propõe que os dois fujam juntos. Sónia considera o louco e não deseja abandonar a família. Raskolnikoff promete lhe que regressará no dia seguinte para lhe contar quem tinha morto Isabel. Svidrigailoff ouviu a conversa atrás da porta e preparou se para ouvir o que Raskolnikoff ia dizer no dia seguinte. No dia seguinte Raskolnikoff vai à delegacia para ser interrogado por Porfirio. Este começa por falar sobre assuntos aleatórios e menciona que está a tratar de um caso em que tem a certeza de quem é o culpado mas está a persegui-lo lentamente. Raskolnikoff exalta-se e afirma que não tolera que Porfirio o acuse de estar relacionado com o duplo homicídio. Porfirio fica confuso e afirma que Raskolnikoff estava a ter um surto devido à sua doença. Porfirio afirma que não tem quaisquer suspeitas de Raskolnikoff mas este não acredita. Nicolau entra na delegacia e confessa ter assassinado a velha e a irmã. Petrovitch andava inquieto por perceber que o seu noivado com Dounia estava terminado. Essa noite ia haver um jantar na casa de Catarina Ivanovna com o dinheiro que Raskolnikoff lhe tinha dado. Petrovitch convida Sónia para propôr criar uma subscrição para Catarina conseguir algumas doações. Esta aceitou e Catarina Ivanovna estava irada durante o jantar por ter pedido a Amália Ivanovna que convidasse pessoas distintas e amigas do morto mas em vez disso tinha convidado "porcos e lambões" que só se interessavam pela comida. Catarina aproveitou a ocasião para apresentar a sua missão de abrir uma casa de educação para meninas nobres, sendo Sónia a geri-la. Há uma troca de insultos entre Catarina e Amália e surge Petrovitch. Este dirige.se a Sónia e informa-a do desaparecimento de uma nota em sua casa no momento em que Sónia lá tinha estado. Sónia afirma ser inocente e Catarina revista-a para mostrar a sua inocência. Uma nota cai do seu bolso. André, companheiro de quarto de Petrovitch, afirmou que tinha visto Petrovitch colocar a nota no bolso dela.
Raskolnikoff apoia esta ideia defendendo que ele estava a tentar fazer Sónia passar por ladra para que a família se voltasse contra ele por a ter ajudado. Petrovitch vai-se embora. No dia seguinte, Raskolnikoff vai visitar Sónia e confessa o seu assassinato. Sónia tem como primeira reação beijá-lo por ele ser mais desgraçado que ela e depois procurou saber as razões. Depois de uma longa explicação por parte de Raskolnikoff, Sónia aconselha-o a entregar-se à polícia. Raskolnikoff aceita esta decisão e Sónia dá-lhe uma cruz para ele usar nesse momento. Chega André a avisar que Catarina tinha enlouquecido após a terem expulsado da casa. Sónia vai ter com ela. Chega a irmã de Raskolnikoff que lhe diz que Demitri lhe tinha contado que perseguiam o irmão e que este estava atormentado com isso. Dounia despede-se do irmão e parte. André encontra Raskolnikoff e informa-o de que Catarina anda a cantar nas ruas com as filhas a dançar. Os dois vão ao local e tentam convencê-la a ir para casa. Esta ignora e continua o seu espetáculo. Chega um polícia que a repreende por estar a fazer muito barulho. Enquanto procurava pelos seus filhos, Catarina caiu e teve uma hemorragia. O polícia e um desconhecido ajudaram-nos a levar Catarina para casa de Sónia. Catarina oscilou entre momentos de loucura e de lucidez até que faleceu. Dimitri chamou Raskolnikoff à parte e afirmou que iria pagar o funeral a colocar as crianças num orfanato e pede-lhe para contar a Dounia o seu gesto. Afirma ainda ser vizinho de Sónia e, por isso, ouviu a sua confissão mas afirma que não iria revelar nada.
Razoumikhine foi visitar Raskolnikoff e repreende-o por não se preocupar com a mãe e com a irmã. Aproveitou e referiu que o assassino da velha tinha sido descoberto e era um dos pintores que se encontravam no local do crime. Razoumikhine sai e chega Porfírio. Porfírio começa por se desculpar pela atitude interrogatória e desconfortável com que tinha abordado Raskolnikoff na última vez. Faz um longo monólogo sobre o caso da velha e no fim afirma saber que Raskolnikoff era o verdadeiro culpado. Afirma que iria prendê-lo mas primeiro dá-lhe a oportunidade de se entregar para assim a sua pena ser reduzida. Após uma discussão entre os dois na qual Raskolnikoff não admitia ser o culpado do crime, Porfírio foi-se embora. Raskolnikoff não perdeu tempo e foi ter com Dimitri. Após uma longa conversa sobre a noiva deste e sobre o crime de Raskolnikoff, este parte e Dimitri encontra-se com Dounia. Leva-a para sua casa e mostra-lhe o local onde ouviu Raskolnikoff confessar o seu crime. Dounia ficou incrédulo e Dimitri ofereceu-se para o ajudar desde que Dounia ficasse com ele. Esta recusa e este fica irado. Dounia pega num revólver para se defender mas este consegue acalmar-se e manda-a sair. Dounia foge. Dimitri sai de casa e vai entregar dinheiro a Sónia e à sua noiva. Fica a dormir num hotel. Teve pesadelos a noite toda. Decidiu sair de madrugada para a sua viagem. Um guarda encontrou-o e questionou-o e Dimitri alvejou-o.
Raskolnikoff foi a casa da mãe despedir-se, sem lhe dizer para onde ía. Chegou ao seu quarto e encontrou Dounia. Esta consolou-o e deu-lhe apoio. Raskolnikoff despediu-se dela e foi a casa de Sónia. Pediu-lhe a cruz que esta tinha prometido oferecer-lhe caso ele se entregasse. Partiu sem se despedir dela. Raskolnikoff dirigiu-se à delegacia, tendo noção de que Sónia o seguia e confessou o seu crime.
A ação avança. Raskolnikoff estava à nove meses preso na Sibéria. Dimitri tinha-se suicidado. Raskolnikoff tinha confessado que tinha morto a velha para melhorar as suas condições de vida. Foi condenado a oito anos de trabalhos forçados. Dounia casou com Razoumikhine. Sónia usou o dinheiro de Dimitri para ir para a Sibéria e visitar Raskolnikoff sempre que quisesse. Raskolnikoff estava abatido e apático, não querendo falar com ninguém. A mãe de Raskolnikoff faleceu. Raskolnikoff todos os dias ponderava que teria sido melhor suicidar-se do que se ter entregue. Certo dia, Raskolnikoff estranhou a ausência de Sónia. Mais tarde disseram-lhe que esta estava doente mas não era nada de grave. Dias mais tarde Sónia voltou a visitá-lo, já recuperada e Raskolnikoff abraçou-se aos seus joelhos, percebendo que a amava.