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terça-feira, 26 de novembro de 2019

A Sogra

Obra: A Sogra
Autor:Terêncio
Resumo:
 Personagens: Laques-pai de Pânfilo; Sóstrata-mãe de Pânfilo; Fidipo- pai de Filumena; Mirrina- mãe de Filumena; Sósia e Parmenão- escravos de Pânfilo; Báquis- antiga amante de Pânfilo.

 Filótis, amiga de Báquis fala com Sira, sua escrava. Filótis comenta o facto de Pânfilo ter prometido a Baquis que nunca levaria outra mulher ao altar e agora estar casado. Sira ensina-a que não deve confiar em homens. Parmenão sai de casa de Laques e vê as jovens a conversar. Vai ter com elas e começa a falar sobre as aventuras de Filótis. Filótis, curiosa, pergunta a Parmenão detalhes sobre o casamento de Pânfilo. Parmenão tenta controlar-se mas acaba por desabafar tudo. Pânfilo queria Báquis mas o pai persuadiu-o a casar mas o casamento ainda não estava consumado. Diz que Pânfilo sofreu muito e que confessou a Parmenão a sua angústia. Enquanto isso, visitava Báquis todos os dias mas, como esta se ia afastando, ele foi-se apaixonando pela esposa. Morre um parente deles e ficam com a herança. Laques manda Pânfilo ir buscar a herança e este deixa a esposa e a mãe em casa. Filumena começa a tornar-se fria para com a sogra e chega ao ponto de ir para casa dos pais sem lhe dar uma justificação.
 Laques acusa Sóstrata de ter afastado a nora como é típico das sogras. Sóstrata age com calma e defende-se. Fidipo estava à porta de sua casa a lamentar-se por se ter deixado levar pelo amor de pai e aceitado a filha em casa. Laques vê-o e decide confrontá-lo, mostrando-se irado com a situação. Fidipo toma uma atitude passiva, afirmando que não pode fazer nada e Laques volta a culpar Sóstrata. Os dois regressam a casa e Sóstrata inicia um monólogo onde explica que não fez nada à nora e sente-se confusa pela atitude dela.
 Chega Pânfilo acompanhado por Parmenão, que o põe ao corrente da situação. Pânfilo exprime a sua má sorte porque, agora que estava solto dos amores por Báquis, a sua esposa era-lhe afastada. Não sabe que lado há-de tomar: o da mãe ou o da esposa. Parmenão procura explicar-lhe que não é algo assim tão grave. Pânfilo aproxima-se da casa de Fidipo e ouve gritos. Pânfilo entra na casa e Parmenão fica sentado na rua.
 Sóstrata vê o rebuliço e quer ir visitar Filumena mas Parmenão relembra-a de que ela não era bem vinda. Diz-lhe que Pânfilo já tinha regressado e ela ilumina-se. Pânfilo sai de casa de Filumena a chorar. A mãe procura saber o que se passa e Pânfilo manda-a para casa. Manda Parmenão ir buscar as malas e inicia um monólogo. Descreve o que se passou na casa: ao entrar, percebe que Filumena estava grávida e que estava prestes a dar à luz. Mírrina roga de joelhos a Pânfilo que não conte nada a ninguém porque ela tinha sido violada. Pânfilo aceita manter sagrado mas não acha que a conseguiria voltar a aceitar. Lembra-se que tinha confessado a Parmenão que nos dois primeiros meses não tinham dormido juntos e que este, ao perceber que ela estava a dar à luz, descobrisse tudo.
 Chega Sósia e Parmenão e Sósia queixa-se de a viagem no mar ter sido longa e cansativa. Pânfilo manda Parmenão à Acrópole encontrar-se com um conhecido seu. Parmenão vai a custo por ser preguiçoso. Laques e Fidipo chegam e Laques diz que Filumena estava em casa porque o pai a tinha chamado no dia anterior mas Pânfilo afirma logo saber a verdade. Pânfilo mostra-se indeciso sobre que partido tomar mas diz que a filia o leva a tomar o da mãe (quando na verdade é ele que não quer). Pânfilo afirma que, se a esposa não o quer, ele terá que a deixar. Pânfilo sai e os dois velhos ficam a discutir e a insultar-se.
 Mírrima está preocupada porque teme que o marido tenha ouvido o choro da criança. Fidipo chega e repreende a esposa por lhe ter escondido a criança, que ele acreditava ser legítima. Culpa Mírrina por querer esconder a criança por querer ver as duas famílias separadas. Acusa-a de não aceitar o genro por este estar relacionado com a cortesã e Mírrina pede-lhe para ir perguntar a Pânfilo se quer a esposa ou não. Mírrina, num monólogo, afirma que a filha tinha sido violada por um desconhecido que lhe tinha tirado um anel.
 Sóstrata está a falar com Pânfilo. Diz-lhe que o pai lhe tida dito que ele a pôs à frente da sua amada e quer retribuir o favor. Sóstrata prontifica-se a deitar toda a sua vida para ir morar no campo com o marido. Laques estava a ouvir a conversa e entrou para dizer a Sóstrata que ela estava certa e que devia ir para o campo com ele. Pânfilo procura dissuadir os dois dessa ideia mas não consegue. Sóstrata sai e entra Fidipo que diz que a culpa era toda de Mírrina e, por isso, Sóstrata não precisava de sair. Fidipo conta que o bebé já ansceu e pede a Pânfilo que aceite pelo menos a criança. Laques insiste que o filho a vai aceitar e, quando este continua a negar, afirma que é por ainda estar apaixonada por Báquis. Pânfilo sai e Laques pede ajuda a Fidipo para confrontar Báquis. Manda um escravo chamá-la. Báquis chega e Laques pede-lhe que não volte a ver o filho. Báquis afirma que não o tem andado a ver e Laques pede-lhe que vá dizer a Filumena e à mãe isso. Chega Fidipo e, ao ver Báquis, insulta-a. Báquis manem-se calma e mostra-se hesitante em entrar e falar com Filumena.
 Chega Parmenão a queixar-se de ter estado à espera e não ter aparecido ninguém. Chega Báquis e pede-lhe que vá chamar Pãnfilo rapidamente para ir ter com Filumena porque a mãe desta reconheceu o anel que lhe tinha dado e que era da filha.
 Monólogo de Báquis em que esta se mostra feliz por ter trazido tanta felicidade ao seu amado. Conta como uma noite. Pânfilo chega a sua casa ofegante afirmando que tinha violado alguém e que tinha ficado com o anel. Agora descobre-se que tinha violado Filumena e que o filho era seu.
 Pânfilo quer recompensar o escravo por lhe ter dado tantas alegrias. Vê Báquis e vai ter com ele. Os dois elogiam-se mutuamente e Báquis fica feliz pela sorte de Pânfilo. Báquis entra em casa cabisbaixa mas ele não repara. Parmenão não sabe o que fez mas fica feliz por não ter ajudado.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Epídico

Obra: Epídico

Autor:Plauto

Personagens: Epídico, Tesprião (escudeiro de Estratípocles), Estratípocles; Queribulo (jovem amigo de Estratípocles); Apécides (amigo de Perífanes); Perífanes; o soldado fanfarrão; Filipa; Acrópolis; uma lirista anónima e Teléstis.

Resumo:
Tesprião chega do porto com a bagagem do seu amo Estratípocles. Aparece logo Epídico e os dois metem a conversa em dia. Tesprião tinha passado o tempo a comer e a roubar, ato pelo qual era conhecido. Epídico procura saber como estava Estratípocles e onde se encontrava. Tesprião afirma que Estratípocles tinha abandonado as suas armas em combate e que não tinha chegado com ele porque não se queria encontrar com o pai. Diz ainda que Estratípocles tinha comprado uma cativa por se ter apaixonado por ela. Epídico fica desesperado por ter já resolvido o problema da sua outra amada ("Mas quantos corações tem esse homem"). Estratípocles tinha comprado a nova amada com dinheiro emprestado a juros e que o onzeneiro que lhe tinha emprestado o dinheiro tinha chegado com ele para reclamar o seu dinheiro. Epídico lamenta a sua própria desgraça e prevê que irá receber um castigo severo. Tesprião vai para casa de Queribulo, para onde o seu senhor o tinha enviado. Epídico fica sozinho e começa um monólogo em que exprime a sua preocupação com o seu futuro.
 Estratípocles chega com Queribulo e Epídico esconde-se para os ouvir. Queribulo tenta acalmar o amigo, afirmando que o pai não o ia censurar por ter comprado uma cativa de boas famílias. Estratípocles pede dinheiro ao amigo para a acabar de pagar mas este mostra que não tem dinheiro. Estratípocles fica irado por não ter a ajuda que precisava do amigo e deseja ter Epídico ali porque ele iria arranjar-lhe o dinheiro, custasse o que custasse, só para se livrar do castigo de trabalhar no moinho. Epídico, ao ouvir isto, decide aparecer. Epídico diz ao amo que tinha conseguido comprar a amada de Estratípocles como este lhe tinha pedido mas este afirma que já não estava interessado nela pois tinha uma nova paixão. Epídico fica atrapalhado, principalmente quando o amo lhe pede para arranjar o dinheiro que ele estava a dever. Epídico mostra-se empático face ao sofrimento do amo e diz-lhe que fará de tudo para o arranjar.
 Enquanto isso, Apécides e Perífanes conversavam. Apécides procura acalmar o amigo dizendo-lhe que não há problema em ele casar com uma mulher de boa famílias (Filipa), principalmente uma que lhe tinha gerado uma filha. Perífanes afirma que teme pela reação do filho.
 Epídico sai de casa de Queribulo e vê Apécides e Perífanes a conversar. Decide escutar a conversa. Epídico toma a decisão de pedir o dinheiro que o seu amo precisava a Perífanes mas não sabe como. Ouve Apécides dizer que a solução era casar Estratípocles e cria um plano. Finge que tinha andado por toda a cidade à procura de Perífanes. Diz a Perífanes que tinha visto os soldados regressarem da guerra e que à espera de Estratípocles estava a lirista por quem este andava apaixonado. Perífanes procura saber mais e Epídico diz-lhe que ouviu a lirista dizer que o seu amado a ia comprar para a libertar. Perífanes pede ajuda a Apécides e a Epídico e Epídico aconselha-o a fingir que estava interessado na lirista e que a queria libertar por isso e, quando a tiver comprado, mandá-la para longe da cidade. Aconselha-o ainda a enviar alguém em seu nome para libertar a lirista para o onzeneiro não pensar que ele apenas queria salvar o filho. Perífanes e Apécides ficam maravilhados com o plano e designam Epídico para ir entregar o dinheiro junto com Apécides. Perífanes hesita um pouco no momento em que Epídico lhe diz o preço da jovem mas aceita quando este lhe diz que há um jovem que estava interessado nela e que lha iria comprar.
 Enquanto isso, na casa de Queribulo, Estratípocles começa a pensar que Epídico lhe tinha mentido e que não o ia ajudar. Estratípocles começa a descarregar a sua ira em Queribulo por este não o ter ajudado quando ouve um barulho. Chega Epídico com o saco cheio de dinheiro e explica o seu plano ao amo. Este fica radiante e Epídico parte para o fórum para ir ter com Apécides.
 Perífanes estava em casa a fazer uma reflexão sobre a sua vida quando chega Apécides com a lirista. Perífanes manda um escravo levá-la para os aposentos no andar de cima e proíbe-o de deixar a sua filha falar com ela. Apécides parte e entra em cena o Soldado Fanfarrão. O Soldado pede a Perífanes que lhe venda a lirista que tinha comprado para ele a tornar sua concubina. Perífanes aceita desde que o Soldado a leve para fora da cidade e este concorda.
 Um escravo traz a lirista e Perífanes entrega-a ao Soldado. O Soldado rejeita-a por não reconhecer nesta a sua amada. Perífanes insiste que aquela é Acropolístis mas o Soldado explica-lhe que ele tinha sido enganado. Perífanes fica em choque e o Soldado decide que o melhor é partir. Perínaes vira-se para a lirista e pergunta-lhe se tinha sido Apécides a comprá-la. A lirista responde que não ouvira falar desse nome, que era livre à cinco anos e que tinha sido contratada para acompanhar Perífanes num sacrifício. A lirista afirma conhecer Acropolístis mas não sabe onde ela mora. A lirista afirma ter ouvido que tinha sido Estratípocles quem a libertara e Perífanes percebe que Epídico tinha ficado com o dinheiro para si. Perífanes fica irado e manda a lirista embora sem a sua lira nem flautas.
 Chega Filipa, com quem Perífanes tinha tido uma relação na mocidade e a quem abandonou para se casar com uma mulher rica e a quem deixara uma filha. Perífanes ouve os lamentos de uma mulher mas não sabe quem é. Os dois olham-se e reconhecem-se mas ambos hesitam em falar um com o outro por medo de serem mal recebidos. Pouco a pouco trocam palavras mas nenhum quer ceder e reconhecer quem é o outro. Perífanes alude à cidade onde eles se conheceram e Filipa deixa de resistir. Filipa desfaz-se em lágrimas e conta a Perífanes que a filha dos dois estava nas mãos do inimigo. Perífanes acalma-a, dizendo-lhe que Teléstis estava em sua casa e manda-a chamar. Ela chega e Filipa jura a pés juntos que não conhece aquela mulher. Perífanes fica confuso mas percebe que era outra das artimanhas de Epídico. Interroga Acropolístis, que se fazia passar por sua filha, e esa afirma que estava a seguir ordens de Epídico. Perífanes manda as duas mulheres para dentro de casa e sai à procura da sua filha que tinha sido comprada por um cidadão de Atenas e de Epídico.
 Estratípocles aguarda a chegada do onzeneiro com a sua amada e a pedir-lhe o dinheiro. Epídico chega abatido por ter visto Perífanes e Apécides a comprar correias que ele sabia serem para o castigar, significando assim que tinha descoberto o que ele tinha feito. Chega Teléstis e o onzeneiro. Estratípocles vai buscar o dinheiro e Epídico, ao ver Teléstis, reconhece que esta é a filha de Perífanes e Filipa, que ele tinha visto quando lhe entregava prendas de Perífanes. Chega Estratípocles e paga ao onzeneiro. Teléstis corre a abraçá-lo e chama-lhe irmão. Epídico trata de lhe explicar tudo e Estratípocles fica feliz por ter encontrado a irmã mas triste por ter ficado sem uma companheira. Para o alegrar, Epídico afirma que lá em casa estava Acropolístis para ele se servir. Epídico leva os dois para casa de Perífanes e chama Tesprião para ir ter com eles. Pede aos dois irmãos que, se Perífanes se virasse contra ele, que o acudissem.
 Perífanes e Apécides entram em cena exaustos e cheios de dores por andarem à procura de Epídico e por carregarem as correias. Epídico ouve os dois velhos a conversar e salta para a frente deles. Epídico oferece as mãos sem medo para serem amarradas. Perífanes hesita perante esta ordem e que que quer fazer perguntas a Epídico com ele desamarrado. Epídico afirma que não irá responder a nada enquanto não estiver atado. Perífanes olha para o amigo sem saber o que devia fazer e Apécides aconselha-o a fazer a vontade a Epídico. Amarram-no e Epídico pede que as correias estejam bem apertadas. Perífanes interroga Epídico sobre o que ele tinha feito e o escravo não mostra arrependimentos e confessa toda a história. Epídico manda o patrão para dentro de casa para confirmar que ele merece a liberdade. Perífanes entra para casa e Apécides fica com ele. Apécides interroga-o sobre o que está em casa e Epídico afirma que é a filha de Perífanes.
 Perífanes chega e quer desatar as mãos a Epídico mas este recusa enquanto não tiver presentes, a liberdade, um subsídio de alimentação e um pedido de desculpas. Chega o Diretor da companhia a pedir o aplauso do público.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Conto de Amor e Psique


Obra:Conto de Amor e Psique

Autor: Apuleio

Páginas:123

Resumo:
Um rei e uma rainha tinham três filhas muito belas. A filha mais nova era de uma beleza tão intensa que cidadãos e estrangeiros a visitavam e, ao verem a sua beleza, lhe prestavam culto como se fosse a própria Vénus. Havia rumores de que ela era a própria Vénus. Havia rumores de que ela era a própria Vénus ou que os deuses tinham criado uma nova Vénus. Todos viajavam para a visitar e abandonavam os sacrifícios e os templos em honra de Vénus. Vénus ficou irada por ter que partilhar as oferendas com uma mortal e, por o seu nome ser profanado na terra. Vénus decide vingar-se e chama Eros, seu filho, um jovem desenvergonhado e indiscreto que só provocava desgraça com as suas setas. Vénus compromete-se a perdoar tudo o que ele tinha feito se descesse à terra e fizesse Psique apaixonar-se por um homem desafortunado, atingido pela miséria.
 Psique estava frustrada por ainda não ter marido já que ninguém a pedia em casamento por a verem como uma obra de arte e sentia-se sozinho. O pai começa a pensar que tinha sido um castigo divino e consulta o oráculo de Apolo. O oráculo diz-lhe para colocar Psique num penhasco mas que o marido que a vai buscar é cruel, atormentando e deixando todos frágeis e que aterroriza os deuses. O rei regressa a casa e os reis e Psique choram durante dias pelo destino de jovem. O povo também sente pena e instala-se um luto público. Faz-se a marcha de casamento e Psique, ao ver os pais a sofrer, diz-lhes para não chorarem por ela já que aquilo era um castigo divino por a terem comparado a Vénus. Deixam a jovem no rochedo e partem, estando todo o povo a chorar. Um vento suave transporta a jovem para uma cama de flores. No dia seguinte acorda e vê um bosque com um palácio real, tão belo que Psique pensou ser a morada de algum deus. Tudo era banhado a ouro e a prata. Umas vozes sem corpo dizem-lhe que aquilo é tudo dela e que estão ali para a servir. Chega a noite e ela deita-se. Ouve um barulho e percebe que era o seu marido misterioso. Ela perde a virgindade e no nascer do dia ele parte. Assim sucedeu por alguns dias e certa noite o esposo, que ela não conseguia ver, disse-lhe que as irmãs estavam à procura do corpo dele e que ela corria risco de vida. Pede-lhe que, se ouvir os lamentos das irmãs não lhes responda para não provocar dor no marido. Ela aceitou e no dia seguinte passou o dia a chorar, lamentando-se por estar numa prisão de luxo sem poder ver nenhum mortal. Depois de muitas lágrimas e rogos, pediu ao esposo que a deixasse ver as irmãs. O marido a muito custo aceita mas diz-lhe para não aceitar o pedido das irmãs de descobrir quem é o marido pois isto a levaria à ruína.
 Psique concorda e no dia seguinte as irmãs vão ter com ela e as três abraçam-se e choram de felicidade. Tomaram banho e conversam e as irmãs começaram a ter inveja da irmã. Procura saber quem era o marido e Psique inventa que era um jovem que passava o dia em caçadas. As irmãs vão-se embora. Uma das irmãs queixa-se por ter um marido estrangeiro e velho ao passo que Psique tinha um deus como esposa e que mais tarde se podia tomar também deusa. A outra irmã queixa-se de ter um marido doente. As duas decidem não contar nada a ninguém e planear uma forma de se vingarem da irmã que as tratou como inferiores. As irmãs planeiam matar Psique.
 O marido conta a Psique que as suas irmãs conspiravam contra ela e para ela ter muito cuidado e não seguir o pedido delas de ver a cara do esposo. Pede-lhe que não revele às irmãs que o marido era de origem divina para que o filho que se gerava no útero dela possa ser divino. Psique ficou entusiasmada com a notícia e o marido dias depois avisa-a de que as irmãs iam aparecer no penhasco no dia seguinte com armas e que iam seduzir com palavras a irmã para que as receba no palácio para elas a matarem. Psique pede ao marido para ver as irmãs uma última vez, afirmando já não precisar de ver o rosto dele. O marido aceita. No dia seguinte chegam as irmãs que se mostram felizes por ela estar grávida. Psique dá-lhe banho e comida e as irmãs perguntam-lhe mais sobre o marido. Psique, ingénua, esquece-se da primeira história e inventou outra: o marido era um homem de meia-idade de uma província vizinha que se dedicava a negócios de finanças. Deu mais presentes às irmãs e mandou-as embora. As irmãs comentam que, ou Psique inventou mentiras ou ela não conhece o marido. Se não conhece o marido é porque ele era um deus e, por isso, ela estaria a gerar um deus. Passam a noite em branco e, no dia seguinte, regressam junto da irmã a dizer que uns caçadores tinham visto o seu marido e que era um réptil feio que a ia devorar quando a gravidez estiver mais desenvolvida. Psique afirma que nunca tinha visto o rosto do marido e que poderia ser mesmo um monstro. Pede ajuda às irmãs. As irmãs aconselham-na a agarrar numa lâmpada e dão-lhe um punhal para ela colocar ao lado da cama e, quando o marido estivesse a dormir, acendesse a lâmpada e o matasse. Depois, as irmãs iriam ajudá-la a levar as riquezas do castelo e a casá-la com um humano. Psique passa a tarde em conflito por amar o marido mas odiar o monstro. Antes de o marido chegar prepara tudo e, quando este adormece, ela ilumina-lhe o rosto.
 Encontra Eros e fica sem reação ao ver a sua beleza. Pensa em suicidar-se mas a adaga cai. Ficou curiosa com as armas e tocou com uma flecha no dedo, o que provocou umas gotas de sangue. Ficou repleta de amores e paixão por Eros. A lâmpada lançou uma gota de azeite para o ombro de Eros e este acordou sobressaltado. Ao perceber o que tinha acontecido, voa sem nada dizer. No entanto Psique agarra-lhe a perna e, quando ficou exausta, deixou-se cair. Eros fê-la cair num lugar fofo e disse-lhe que devia ter seguido os conselhos da mãe e tê-la feito apaixonar por um monstro em vez de se ter apaixonado por ela. Afirma que as suas irmãs iriam ter um castigo merecido e que iria embora. Psique pensou em atirar-se ao rio para se suicidar mas o rio colocou-a na margem. Pã viu-a e aconselhou-a a não se voltar a tentar suicidar mas a tentar reconquistar Eros. Psique vê uma cidade cujo rei era o esposo da irmã e visita a irmã. Diz-lhe que fez tudo conforme planeado mas, ao ter percebido que era cupido, não o matou. A lucerna acordou-o e ele, ao perceber o que se passava, expulsou-a afirmando que iria casar com aquela sua irmã.. Esta decide dizer ao marido que os pais tinham falecido e parte para junto do penhasco. Atira-se mas morre e o seu corpo fica defeito. Com a outra irmã acontece o mesmo. Psique andava de terra em terra à procura de notícias de Cupido mas em vão. Cupido passava dores devido à queimadura da lâmpada. Uma gaivota vai ter Vénus e diz-lhe que o filho sofria por uma queimadura e que estava em perigo de vida. Diz-lhe ainda que circulavam rumores de que Eros andava nas montanhas com uma mulher qualquer e que Vénus andava a passear no mar, abandonando assim o mundo à grosseria, bruteza e imundície.
 Vénus procura saber quem era a amante do filho e a gaivota diz-lhe que era Psique. Vénus parte para junto de Eros e afirma que está desiludido com o filho por se ter unido a um inimigo pessoal da mãe e por não ter seguido as suas ordens. Critica Eros por procriar e se envolver mesmo sendo de tenra idade. Chama-lhe desrespeitoso por despertar constantemente paixões na mãe e no padrasto para a fazer sofrer. Vénus parte pronta para pedir à Sobriedade que retire todos os poderes de Eros. Ceres e Juno encontram-na e perguntam-lhe o porquê de tal estado de espírito. Vénus pede-lhes para a ajudarem a encontrar Psique. As deusas tentam acalmá-la dizendo-lhe que Eros já não era uma criança e que, se Vénus espalha os prazeres pelo mundo não os pode oprimir na sua casa. As deusas elogiaram Cupido por o temerem. Vénus regressa ao mar. Vê um templo e aproxima-se. Vê cereais e foices por todo o lado e decide arrumar tudo. Aparece Ceres, deusa do tempo, e avisa-a de que Vénus estava à procura dela e que ela se devia procurar com a sua salvação e não com o templo. Psique roga à deusa que a deixe esconder-se naquele monte de espigas até que a ira de Vénus se acalme ou até recuperar as forças. Ceres afirma que não pode ceder ao pedido por não querer despertar o rancor de Vénus e aconselha-a a partir. Esta assim fez e no meio de um bosque Vê um templo a Juno e pede-lhe que a salve do perigo de vida e que lhe permita algum descanso. Juno aparece e afirma que não a pode ajudar. Psique percebe que se tinha que dirigir a Vénus para acabar com a sua miséria.
 Vénus dirige-se a Júpiter e pede os serviços de Mercúrio. Este aceita. Vénus diz a Mercúrio que quem encontrar Psique terá uma recompensa. Mercúrio vai pelos povos a espalhar a mensagem.
 Psique vai ter a casa de Vénus e é arrastada pelos cabelos por uma escrava até Vénus. Vénus manda duas servas torturar Psique. Vénus afirma que o filho de Psique era de núpcias contraídas entre pessoas de estatuto diferente e que não havia testemunhas de casamento e, por isso, era um filho bastardo. Vénus rasga-lhe as roupas e arranca-lhe os cabelos e dá-lhe sementes misturadas que ela teria que separar até ao cair da noite. Vénus parte e um conjunto de formigas aparece e ajuda Psique na sua missão. No dia seguinte, Vénus manda-a trazer-lhe um pedaço de lã de ovelhas com velo dourado que viviam num bosque. Psique vai com a esperança de se suicidar no rio mas uma cana diz-lhe para não o fazer e que espere até ao fim da tarde, quando as ovelhas estão mais serenas para retirar os pedaços de lã presos aos ramos de árvores. Esta assim faz e entrega-o a Vénus. Esta não achou suficiente, desconfiando de ter tido ajuda e mandou-a a uma montanha trazer água de um rio gelado e protegido por dragões. Psique ao chegar lá percebe que é impossível tirar a água. A águia real de Júpiter vê-a e decide ajudá-la e, agarrando na urna, vai enchê-la de água.Psique entrega-a a Vénus mas nem assim a convence. Vénus dá-lhe uma última missão: irá levar uma caixa para o Hades e irá pedir a Prosérpina uma dose de beleza por Vénus ter gasto a sua a cuidar do filho.
  Psique percebeu que estava a ser enviada para a morte. Desce por uma torre que ganha voz e mostra-lhe o caminho para o Hades e aconselha-a a levar duas moedas para pagar a Ceronte e dois bolos de cevada para distrair Cérebro (ida e volta). Não deve parar nas distrações do caminho nem aceitar comer nada no palácio. Não deve abrir a caixa ao sair. Psique seguiu todos os passos mas, ao chegar à superfície, decide abrir a caixa para colocar um pouco da beleza divina para o seu amado. No entanto, no interior da caixa apenas estava um sono profundo que deixou Psique como cadáver. Cupido já estava curado e não conseguia suportar mais estar longe de Psique. Vai ter com ela, retira o sono e coloca-o na caixa. Despertou-a com uma picada das suas flechas. Cupido mandou-a entregar a caixa a Vénus e ele iria encarregar-se do resto. Cupido vai ter com Júpiter e suplica-lhe ajuda. Júpiter concorda desde que, uma jovem que se distinga pela beleza na terra naquele momento seja entregue a Júpiter como recompensa. Júpiter manda Mercúrio invocar todos os deuses. Júpiter realçou que Eros era um jovem depravado e que só criava confusões e, por isso, como castigo devia casar com Psique, a quem tinha tirado a virgindade. Manda Mercúrio trazer Psique aos céus e dá-lhe um copo de ambrósia, tornando-a imortal. Há o banquete nupcial e, mais tardem o casal terá uma filha chamada Sensualidade

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Antígona



Obra: Antígona
Autor: Sófocles

Antígona e Ismeme são filhos de Édipo. Creonte é o rei, tio delas, Eurídice é a rainha, esposa de Creonte. Hémon é filho de Creonte e Tirésias é um adivinho, velho e cego.
 Antígona e Ismene saem do palácio. Antígona conta à irmã que Creonte tinha declarado que apenas um dos dois irmãos delas teria sepultura (Etéocles). Antígona pede assim ajuda à irmã para que as duas consigam sepultar Polinices. Ismene procura chamar a irmã à razão, referindo as tragédias que tinham já acontecido à família: o pai cegou-se, a mãe suicidou-se e os dois irmãos tinham morrido a lutar um com o outro. Antígona, ao ver que a irmã não queria ir contra as ordens do rei, decide que irá agir sozinho.
 Creonte convoca uma assembleia de anciãos para anunciar que os dois irmãos, herdeiros ao trono, tinham falecido, que ele iria tomar o poder e proteger os interesses da cidade e que apenas Etéocles iria ser enterrado por ter lutado pela pátria enquanto Polinices tinha lutado contra. O conselho dos anciãos concordou e aceitou não pactuar com os que infringissem as leis de Creonte.
 Chega um dos soldados responsável pela guarda do cadáver de Polinices junto de Creonte e conta-lhe que alguém desconhecido tinha enterrado o cadáver. O conselho dá a entender a Creonte que aquilo podia ter sido uma ação dos deuses. Creonte afirma que os deuses não se preocupavam com aqueles que tinham lutado contra a pátria e responde que devia ter sido alguém que aceitou dinheiro, pago por aqueles que estavam contra Creonte.
 O guarda retorna ao seu posto de trabalho e mais tarde leva Antígona a Creonte por esta ter sido apanhada a fazer os ritos fúnebres ao irmão. Antígona não nega e afirma ue não se arrepende do que fez por estar a seguir a lei dos deuses e não a de um mortal. Antígona afirma ainda que todos a teriam apoiado, se não fosse o medo pelo tirano. Creonte fala com o filho, que estava noivo de Antígona e este avisa-o que o povo lamentaria a morte dela, considerando-a justa. Hémon, o filho, pede ao pai para ser prudente. O pai não aceita os conselhos do filho,a firmando que os criminosos são para ser castigado. Há uma discussão entre os dois e Hémon sai a correr.
 Antígona é levada pelos guardas com as mãos atadas e lamenta o seu destino. Creonte ordena que Antígona seja sepultada viva.
 Tirésias visita Creone e afirma que os deuses não estão a aceitar os sacrifícios e que um mal domina a cidade porque ele se recusa a deixar o morto ser enterrado. Creonte acusa Tirésias de se ter vendido aos conspiradores do rei. Tirésias explica que, se Creonte não se arrepender das suas ações, vai conhecer a ruína e a ira dos deuses. Por Tirésias ter sempre acertado nas suas profecias, Creonte decide mudar de ideias e prepara-se para desenterrar Antígona. Chega um mensageiro perto do Corifeu (assembleia) e anuncia que Hémon se tinha suicidado. Eurídice, esposa de Creonte, chega e pede ao mensageiro para repetir a notícia. O mensageiro começa a descrever como é que eles fizeram as honras fúnebres a Polinices. Alguém tinha ouvido lamentos ao pé do túmulo de Antígona e vai contar Creonte. Este visita o túmulo e reconhece que se trata de Hémon. Entrou no túmulo e Antígona tinha-se enforcado com o seu véu. Hémon chorava agarrado a ela. Hémon cospe para o pai e suicida-se com a sua espada. Eurídice sai e chega Creonte com o corpo de filho, lamentando o destino da sua má decisão. Chega o mensageiro com a notícia de que Eurídice se tinha suicidado. Escravos trazem o corpo dela. Creonte, desgostoso pede a morte devido ao seu sofrimento. Creonte sai da cena, abatido, e o coro reflete que, só quem segue os deuses é feliz.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

As Aves


Obra: As Aves

Autor: Aristófanes

Páginas: 196

Resumo:
 Evélpides e Pistetero caminham. Pistetero leva uma gralha. Evélpides leva um gaio. Os dois procuram Tereu, seguindo as aves que o vendedor de aves tinha garantido que os ia guiar até Tereu. Saíram de Atenas por esta se basear em processos. Levam um cesto, uma panela e uns mirtos, o necessário para fundar uma cidade. Os pássaros começam a abrir o bico para o alto e os dois batem num penedo onde estaria Tereu. Surge o Servo de Tereu e, ao ver homens, fica assustado. Evélpides mente, dizendo ser um caguestruz e não humano e Pistetero diz ser um merdanço. Quando Tereu foi transformado, pediu para que o seu criado fosse também transformado para ter sempre companhia. Com o susto que todos apanharam, a gralha e o gaio fugiram. O servo foi acordar Tereu. Tereu aparece e os dois gozam com o bico e com a falta de penas dele. Os dois perguntam a Tereu se ele tinha visto alguma cidade feita de boa lã. Explicam que querem uma cidade governada de felicidade. Tereu menciona algumas mas elas têm sempre defeitos. Perguntam a Tereu como é a vida das aves e vivem sem dinheiro e comem sésamo, mirtos, papoila e hortelã. Pistetero afirma que as aves podiam ter um futuro brilhante e um grande poder se se deixassem guiar por ele. Dá a ideia de fundar uma cidade no céu para assim andarem em cima dos homens e derrotarão os deuses pela fome. Quando os homens fizerem sacrifícios, se os deuses não pagassem um tributo, não podiam receber o fumo destes. Tereu fica fascinada com a ideia e aceita ajudá-lo se as outras aves assim concordarem.
 Convoca as aves. Chega um flamingo; medo; outra poupa; um papa-jantares, etc. As aves falam em uníssono . Tereu conta a história toda e as aves acusam-no de traição por ter violado os costumes ancestrais e ter-se envolvido com humanos. Sugerem matar os dois humanos. As aves preparavam-se para atacar e Evélpides e Pistetero procuravam cobrir-se com as panelas que tinha trazido. Tereu convence-as a acalmarem-se e a ouvirem os humanos.
 Pistetero começa por realçar que as aves são reis por serem mais antigas que os deuses e a Terra; o galo foi o primeiro rei, sendo senhor dos Persas e, por isso, anda com uma coroa. Exemplos de aves que eram adoradas por certos povos e de como os deuses adotaram aves como símbolo. Agora as aves eram tratadas como inferiores pelo Homem. As aves ficaram fascinadas. Pistetero aconselha a construção de uma cidade no céu, exigir o poder de Zeus e, se este recusar, proíbe-se os deuses de irem para a terra; os humanos primeiro devem fazer sacrifícios às aves e só depois aos deuses. As aves ficaram entusiasmadas com o plano de Pistetero e concordam em segui-lo. Até Evélpides fica entusiasmado, imaginando o dinheiro que ia conseguir. Pistetero e Evélpides comem uma erva e ganham asas. As aves afirmam que, na sua cidade , os crimes condenados em Atenas não seriam punidos. Decidem o nome da cidade: Nefelocucolândia que mistura "nuvem" e "cuco". É chamado um sacerdote para fazer os rituais necessários mas Pistetero manda-o embora a meio por não estar a fazer os rituais corretamente. Aparece um poeta pronto a declamar hinos em honra da cidade e Pistetero tenta ver-se livre dele. Chega depois um intérprete de oráculos e Pistetero manda-o embora, sem ouvir os seus conselhos sobre os rituais a fazer. Aparece Méton, um geómetra e astrónomo, que vinha medir os céus. Pistetro despachou-o. Aparece um inspetor e Pistetero manda-o embora enquanto lhe bate. Chega um vendedor de decretos, pronto a vender as novas leis para a cidade. Pistetero manda-o embora. O inspetor e o vendedor de decretos regressam para ameaçar Pistetero mas este manda-os embora. Decide fazer os sacrifícios no interior.
 As aves decretam que aquele que tiver aves fechadas em gaiolas as deve soltar ou seriam eles presos. Chega um mensageiro a avisar a Pistetero que a muralha já estava construída e que tinha 100 metros. Chega um segundo mensageiro a dizer que um deus tinha voado para os céus através das portas deles sem que os gaios percebessem. Andavam todos a tentar apanhar esse deus. Pistetero vê Iris a vir do Olimpo e impede-lhe o caminho, tentando saber quem ela é. Íris ia ter com os mortais, por ordem de Zeus para lhes ordenar que façam sacrifícios aos deus do Olimpo. Pistetero avisa-a de que as aves eram agora os deuses dos mortais e manda-a embora, ignorando a ameaça de Iris de um castigo de Zeus.
 Aparece um arauto a oferecer a Pistetero uma coroa em nome de todos os povos por ter revolucionado a vida dos Homens, que agora baseiam o seu quotidiano no das aves. Algumas pessoas adotaram nomes/ alcunhas de aves. O arauto anuncia que milhares de homens se preparavam para ir para a nova cidade e Pistetero começa a preparar asas para os que aí vinham. Chega um Parricida que quer habitar a cidade por as aves não condenarem o ato de violência contra o próprio pai. Pistetero, no entanto, dá-lhe um escudo, uma espada e um capacete e diz-lhe para ir para o exército e deixar o pai em paz. Chega o poeta Cinésias a pedir umas asas para se inspirar para os seus poemas enquanto voa. Pistetero persegue Cinésias com um par de asas para lhe bater, quando este começa a dizer os seus versos. Cinésias sai. Chega um Sincofanta e pede asas a Pistetero para poder viajar de terra em terra a escrever processos contra estrangeiros mais facilmente. Pistetero agarra num chicote e bate-lhe até ele se afastar. Chega Prometeu com um chapéu, a tentar passar despercebido de Zeus, de quem tentava fugir. Pistetero reconhece-o e abriga-o no guarda-sol. Prometeu conta-lhe que Zeus andava atrapalhado, já que o fumo dos sacrifícios dos humanos não chegava aos deuses e os deuses bárbaros já ameaçavam Zeus. Prometeu avisa que iriam chegar embaixadores de Zeus e dos Tribalos (deuses do povo da Trácia) mas que as aves não deviam ceder aos seus pedidos a menos que Zeus lhes devolva o ceptro e dê a Realeza, deusa que é a personificação do poder de Zeus, em casamento a Pistetero. Prometeu parte.
 Chegam Posídon, Hércules e Tribalo. Pistetero e outras aves fingem estar a cozinhar aves que se preparavam para realizar um golpe contra o partido democrático das aves. Pistetero afirma que só aceita um acordo entre aves e deuses se Zeus restituir o ceptro às aves.Os deuses a princípio rejeitavam mas, quando Pistetero explica como as aves iriam ajudar os deuses quando algum humano não lhes prestasse o culto devido, os três aceitam. Pistetero pede ainda a Realeza em casamento. Posídon recusa o acordo, tentando convencer Hércules de que Pistetero os estava a enganar. Pistetero convence Hércules de que, por lei, ele não iria ficar com parte da herança de Zeus por ser bastardo mas sim Posídon. Hércules aceita entregar a Realiza a Pistetero e Posídon votou contra. Tribalo votou a favor e, por isso, foi acordado que Pistetero casar-se-ia com a Realeza.
 Os deuses vão avisar Júpiter e Pistetero prepara-se para o casamento. As aves cantam os hinos do casamento, alegrando-se pelo soberano que tinha tornado a cidade grandiosa.

sábado, 31 de agosto de 2019

O Banquete

Obra: O Banquete
Autor: Platão


Falando do autor, Platão nasceu numa família de boa linhagem e estava destinado à política até que os acontecimentos anárquicos de Atenas, o período de tirania e a morte de Sócrates o fizeram refletir sobre alguns valores e formas de governo
Esta obra, cujo tema é o amor, tem como local da ação, uma festa na casa do poeta Agatão. Certo dia Gláucon questiona Apolodoro sobre se este tinha estado no banquete organizado por Agatão. Apolodoro responde que não e começa a contar o que se tinha passado no banquete, que lhe tinha sido contado por Aristodemo.
 Sócrates preparava-se para ir ter com Agatão e convida Aristodemo para ir com ele. Vão para o banquete e Sócrates fecha-se no vestíbulo a pensar em algo. Chega mais tarde e começa o banquete. Erixímaco propõe falar sobre Eros, que nunca tinha sido louvado à sua medida. Começa por falar Fedro. Fedro procura provar que Eros era o deus mais antigo. Eros é também importante já que, para um jovem, não há nada melhor que um amante. Por isso, Eros proporciona virtude e felicidade aos homens na vida e na morte, já que o amor faz os homens serem justos e lutarem pelos seus amores.
 Segue-se o discurso de Pausânias, que procura provar que, tal como acontece com Afrodite, há um Eros mais antigo e um mais recente. Procura explicar que, tal como tudo, o amor não é bom em si, é bom se for bem operado. O Eros mais recente ama mais os corpos que as almas, procurando apenas satisfazer-se, não se preocupando com o bem ou mal. O Eros mais antigo não participa no princípio fêmea, apenas no macho, sendo o amor dos rapazes. Os que são inspirados por este Eros voltam-se para um carácter forte e espiritual. Estes têm interesse em passar a vida com os seus amores. Em países bárbaros, por terem tiranias, é desprezado este amor por não ser útil aos tiranos. No entanto, em Atenas, os pais impedem os filhos de se encontrarem com os amantes, como se fosse algo vergonhoso. Repudia o ceder por dinheiro ou poder político.
 Devia ter seguido Aristófanes mas este teve um ataque de soluços e Erixímaco substituiu-o. Era médico e vai provar como, no corpo, se encontra essa duplicidade de Eros. Na parte sã e na parte doente há amores diferentes. É preciso ceder ao bom e resistir ao mau. Deve levar amor a onde não o há e retirá-lo onde está a mais. Deve fazer as partes do corpo inimigas entre si amarem-se (frio, calor, seco e húmido). Na música, o grave e o agudo também se harmonizam apesar de opostos. Na medicina e na música temos que preservar os dois Eros pois estes podem trazer harmonia se equilibrados.
 Segue-se Aristófanes que defende que Eros é o deus mais filantropo. Começa por falar sobre a natureza humana. Originalmente havia três géneros: o masculino, o feminino e um terceiro, composto dos outros dois, o andrógino. Depois os humanos passaram a a ter 4 mãos, 4 pés e 2 cabeças. O macho era filho do sol, a fêmea era extraída da Terra e o terceiro era filho da Lua. Tinham forma esférica, força e vigor. Tentaram atacar os deuses. Os deuses não os podiam destruir porque precisavam do culto. Então Zeus pede a Apolo para os dividir em dois para assim diminuir a sua força e poder. O umbigo é a marca da separação. As metades andavam solitárias e Zeus, com pena, moveu os genitais para a frente para poderem reproduzir-se entre si. Assim, o amor procura restituir a natureza humana ferida. As mulheres puras procuram as mulheres e os homens, os homens.
 Segue Agatão que começa a explicar que Eros era o deus mais feliz e o mais belo. Discorda de Fedro e afirma que Eros não era o deus mais velho mas sim o mais novo e que as ações conotadas ao Eros antigo são obras do destino. É o mais terno, habitando apenas nas almas mais macias. É belo por viver entre as flores. Eros não age com violência nem a aceita. É o prazer mais forte. É o mais corajoso. Eros é poesia e qualquer que seja tocado por Eros torna-se poeta. Eros permite o convívio pacífico entre homens.
 Segue Socrates que prova que Eros é o amor a algo. Prova que apenas se pode desejar algo que já se tem se for para o continuar a ter no futuro. Ama-se, no presente, aquilo que nos falta e, por isso, Eros ama a beleza, já que não a tem. Passa a provar que, se Eros não é bom nem belo, não é um deus mas sim um demónio, uma divindade menor. Eros é filho da Miséria e de Poros e é o companheiro e servidor de Afrodite por se ter apaixonado pela beleza desta. Não é por isso belo nem terno. Procura o ser bom e belo mas nunca alcança. O Amor quer que o bem lhe aconteça sempre e por isso tem como objetivo a imortalidade. Procura procriar na beleza. Procriar é a forma de alcançar a imortalidade. Procuram procriar com corpos e almas belas para haver um aperfeiçoamento da raça, tornando-se melhores e mais resistentes à morte. Quando alguém se apaixona, passa a ver a beleza também nos costumes e nas leis. É por isso importante incentivar os amantes a estarem juntos para assim amarem mais a virtude.
 Chega Alcibíades, bêbedo e aos berros à procura de Agatão. Coroa Agatão e, ao ver Sócrates, coroa-o também. Elogios entre Alcibíades e Sócrates. Por insistência de Alcibíades, todos bebem. Erixímaco pede a Alcibíades que faça também um discurso a Eros mas este afirma que Sócrates iria ficar ciumento e faz antes um elogio a Sócrates. Compara Sócrates a um sátiro pela aparência, pela violência e porque os seus discursos se assemelham às flautas dos sátiros. Não se preocupa com a beleza nem riqueza das pessoas. Começa a contar episódios que passou com Sócrates.
 Chegaram mais convidados e beberam até adormecer. Enquanto todos dormem, Sócrates vai embora com Aristodemo, que tinha dormido um pouco.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Medeia

Obra: Medeia

Autor: Eurípides

Páginas:116

Personagens: Ama; Pedagogo; Medeia; Coro das mulheres de Corinto; Creonte; Jasão; Egeu; Mensageiro e filhos de Medeia.

 A Ama começa a obra a desejar que a nave de Argos nunca tivesse sido construída nem tivesse partido à busca do velo de ouro porque assim a sua ama nunca tinha saído do seu lar por amor a Jasão nem teria convencido as filhas de Pélias a cozerem o pai num caldeirão para alcançar a juventude. Ao chegarem a Corinto, livro o povo da fome. Nunca discordou com Jasão, obedecendo-lhe mas Jasão traiu Medeia e os filhos ao casar-se com a filha de Creonte. Medeia não comia, só chorava, não ouvindo ninguém. Lamenta o que deixou para trás por Jasão. A ama tem medo do que ela poderá fazer: pode suicidar-se ou matar o rei e a filha. Entra o Pedagogo com os filhos de Medeia. A Ama informa-o de que Medeia ainda estava num estado de lamentação. O Pedagogo informa que Creonte queria expulsar de Corinto Medeia e os filhos. A Ama decide que não iriam contar nada a Medeia para não piorar a dor desta e deseja que a raiva de Medeia caia sobre os inimigos e não sobre os amigos. Ouvem-se os lamentos de Medeia e a Ama manda o Pedagogo levar as crianças para o palácio e para não se aproximarem da mãe.
 Medeia deseja que os os filhos morram. A Ama teme que algo aconteça aos filhos de Medeia. Entra o coro, formado por quinze mulheres de Corinto, ao ouvirem os lamentos de Medeia. A Ama atualiza o Coro sobre o estado de Medeia. Medeia deseja que Jasão arda com a própria casa e lamenta ter abandonado o pai e a terra e ter morto o irmão. O Coro manda a Ama ir ter com Medeia para lhe dar confronto da parte dele. A Ama sai e chega Medeia que se dirige ao Coro para fazer um longo monólogo sobre a condição trágica da mulher. O Coro, ao ouvir os seus lamentos, apoia a sua decisão de se vingar do marido. Entra Creonte com os seus guardas e ordena a Medeia que saia da cidade com os filhos por ter medo que ela faça algum mal à sua filha. Medeia afirma que o seu ódio é para com Jasão e não para com a noiva. Creonte não cede e manda-os embora.
 Medeia pede-lhe que a deixe ficar na cidade só mais um dia para ela planear para onde irão e qual será o futuro dos filhos. Creonte aceita que ela fique até ao nascer do sol. Se for encontrado depois disso, será morta. Creonte sai e Medeia conta ao coro o seu plano de matar Jasão, a esposa e Creonte. Decide que vai usar veneno, arte na qual é experiente. O coro teme que aquela ação faça surgir uma má reputação das mulheres. Chega Jasão que se dirige a Medeia dizendo que ele sempre tentou convencer os reis a deixá-la ficar mas, eles expulsaram-na. Queria, no entanto, ajudar Medeia com o seu futuro no exílio. Medeia, irada, afirma que foi ela quem o salvou a custo de sacrificar tudo o que lhe era sagrado e que agora já não havia futuro para ela porque ninguém a ia aceitar. Jasão afirma que foi Afrodite quem o salvou e que Medeia ganhou mais do que sacrificar por ele, ao viver na terra dos helenos em vez da dos bárbaros. Afirma ainda que apenas se casou com a princesa para ter condições de vida, por ser exilado, e para ele e os filhos também terem uma vida boa. Apresenta as mulheres como cansa dos males dos homens. Jasão oferece-se novamente para contactar amigos que a recebessem mas ela afirma não querer ajuda de um malvado. Sai Jasão.
 Entra Egeu que tinha vindo de Delfos para falar com Piteu para melhor interpretar o oráculo de Delfos e assim saber o que tinha a fazer para conseguir ter uma linhagem. Egeu percebe que Medeia estava em baixo e pergunta-lhe o que se tinha passado. Medeia responde que Jasão tinha casado com a filha de Creonte e que ela e os filhos tinham sido expulsos da cidade. Medeia roga a Egeu que lhe dê hospitalidade em troca de ela usar os seus remédios para o ajudar a ter descendência. Egeu aceita e Medeia obriga-o a jurar pelos deuses nunca deixar que um inimigo seu a leve. Egeu sai e Medeia conta os Coro o seu plano: irá dizer a Jasão que aceita o casamento e enviará, pelas mãos dos filhos, presentes envenenados à noiva para mostrar que aceita o casamento. Depois fará o pior das ações (hesita por um tempo) que é matar os filhos para estes não sofrerem nas mãos dos inimigos. O coro aconselha Medeia a não realizar o plano, principalmente a morte dos filhos. Medeia não ouve ninguém e envia uma aia para chamar Jasão. O Coro suplica a Medeia que não mate os filhos mas esta não o ouve. Chega Jasão. Medeia pede-lhe que perdoe as suas palavras e admite que tinha sido cruel com quem lhe queria bem. Medeia pede a Jasão que convença a esposa e Creonte a deixar os filhos ficarem junto do pai em vez de serem exilados. Para convencer a noiva, Medeia irá enviar uns presentes, levados pelas crianças. Medeia envia os filhos para irem ter com a noiva, lhe entreguem os presentes e lhe roguem que os deixe ficar na cidade. Jasão sai com os filhos. 
 Entra mais tarde o Pedagogo com as crianças e avisa Medeia de que a princesa aceita com prazer os presentes e permitiu que eles ficassem na cidade. Medeia chora por ver o seu plano falhado. Manda o pedagogo reunir as coisas que os filhos mais precisavam e lamenta a sua vida sem os seus filhos e hesita se os deveria matar ou não. Chega à conclusão de que esta é a única solução para os livrar de caírem na mão dos inimigos. Saem os filhos e chega um criado de Jasão a correr. Anuncia a Medeia que ela tinha que fugir porque a princesa e o pai tinham morrido por causa dos venenos dela. O mensageiro, a pedido de Medeia, conta tudo com pormenor. Creonte morreu ao abraçar e beijar o cadáver da filha. O Mensageiro sai e Medeia percebe que tinha chegado a altura de matar os filhos porque, se eles têm que morrer, vão morrer nas mãos de quem os gerou. Medeia vai ter com os filhos. O coro pede aos deuses que a travem. No interior ouvem-se as crianças a tentar fugir da mãe e a pedir ajuda ao coro. O coro repreende Medeia.
 Chega Jasão, que pergunta ao coro por Medeia e principalmente pelos seus filhos para que nenhum parente do rei os mate. O coro informa-o de que Medeia tinha morto os filhos. Jasão, irado, abre as portas para ver Medeia e os filhos mas esta está na mechane (maquinismo que colocava as figuras no nível mais elevado) no carro do Sol com os cadáveres dos filhos. Jasão insulta Medeia e manda-a ir embora. Os dois começam uma discussão sobre qual era o culpado da morte dos filhos. Jasão pede para dar sepultura aos filhos. Medeia recusa e conta o que irá acontecer no futuro: ela vai sepultar os filhos no templo de Hera para que nenhum inimigo revolva os túmulos; aqui vai ser instaurada uma festa e ritos sagrados em nome dos filhos. Medeia irá para casa de Egeu e Jasão será morto por um fragmento da nau de Argos. Jasão pede para tocar os filhos mas Medeia recusa já que ele não se importou com os filhos em vida.
 O coro tem a fala final.