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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

As Aves


Obra: As Aves

Autor: Aristófanes

Páginas: 196

Resumo:
 Evélpides e Pistetero caminham. Pistetero leva uma gralha. Evélpides leva um gaio. Os dois procuram Tereu, seguindo as aves que o vendedor de aves tinha garantido que os ia guiar até Tereu. Saíram de Atenas por esta se basear em processos. Levam um cesto, uma panela e uns mirtos, o necessário para fundar uma cidade. Os pássaros começam a abrir o bico para o alto e os dois batem num penedo onde estaria Tereu. Surge o Servo de Tereu e, ao ver homens, fica assustado. Evélpides mente, dizendo ser um caguestruz e não humano e Pistetero diz ser um merdanço. Quando Tereu foi transformado, pediu para que o seu criado fosse também transformado para ter sempre companhia. Com o susto que todos apanharam, a gralha e o gaio fugiram. O servo foi acordar Tereu. Tereu aparece e os dois gozam com o bico e com a falta de penas dele. Os dois perguntam a Tereu se ele tinha visto alguma cidade feita de boa lã. Explicam que querem uma cidade governada de felicidade. Tereu menciona algumas mas elas têm sempre defeitos. Perguntam a Tereu como é a vida das aves e vivem sem dinheiro e comem sésamo, mirtos, papoila e hortelã. Pistetero afirma que as aves podiam ter um futuro brilhante e um grande poder se se deixassem guiar por ele. Dá a ideia de fundar uma cidade no céu para assim andarem em cima dos homens e derrotarão os deuses pela fome. Quando os homens fizerem sacrifícios, se os deuses não pagassem um tributo, não podiam receber o fumo destes. Tereu fica fascinada com a ideia e aceita ajudá-lo se as outras aves assim concordarem.
 Convoca as aves. Chega um flamingo; medo; outra poupa; um papa-jantares, etc. As aves falam em uníssono . Tereu conta a história toda e as aves acusam-no de traição por ter violado os costumes ancestrais e ter-se envolvido com humanos. Sugerem matar os dois humanos. As aves preparavam-se para atacar e Evélpides e Pistetero procuravam cobrir-se com as panelas que tinha trazido. Tereu convence-as a acalmarem-se e a ouvirem os humanos.
 Pistetero começa por realçar que as aves são reis por serem mais antigas que os deuses e a Terra; o galo foi o primeiro rei, sendo senhor dos Persas e, por isso, anda com uma coroa. Exemplos de aves que eram adoradas por certos povos e de como os deuses adotaram aves como símbolo. Agora as aves eram tratadas como inferiores pelo Homem. As aves ficaram fascinadas. Pistetero aconselha a construção de uma cidade no céu, exigir o poder de Zeus e, se este recusar, proíbe-se os deuses de irem para a terra; os humanos primeiro devem fazer sacrifícios às aves e só depois aos deuses. As aves ficaram entusiasmadas com o plano de Pistetero e concordam em segui-lo. Até Evélpides fica entusiasmado, imaginando o dinheiro que ia conseguir. Pistetero e Evélpides comem uma erva e ganham asas. As aves afirmam que, na sua cidade , os crimes condenados em Atenas não seriam punidos. Decidem o nome da cidade: Nefelocucolândia que mistura "nuvem" e "cuco". É chamado um sacerdote para fazer os rituais necessários mas Pistetero manda-o embora a meio por não estar a fazer os rituais corretamente. Aparece um poeta pronto a declamar hinos em honra da cidade e Pistetero tenta ver-se livre dele. Chega depois um intérprete de oráculos e Pistetero manda-o embora, sem ouvir os seus conselhos sobre os rituais a fazer. Aparece Méton, um geómetra e astrónomo, que vinha medir os céus. Pistetro despachou-o. Aparece um inspetor e Pistetero manda-o embora enquanto lhe bate. Chega um vendedor de decretos, pronto a vender as novas leis para a cidade. Pistetero manda-o embora. O inspetor e o vendedor de decretos regressam para ameaçar Pistetero mas este manda-os embora. Decide fazer os sacrifícios no interior.
 As aves decretam que aquele que tiver aves fechadas em gaiolas as deve soltar ou seriam eles presos. Chega um mensageiro a avisar a Pistetero que a muralha já estava construída e que tinha 100 metros. Chega um segundo mensageiro a dizer que um deus tinha voado para os céus através das portas deles sem que os gaios percebessem. Andavam todos a tentar apanhar esse deus. Pistetero vê Iris a vir do Olimpo e impede-lhe o caminho, tentando saber quem ela é. Íris ia ter com os mortais, por ordem de Zeus para lhes ordenar que façam sacrifícios aos deus do Olimpo. Pistetero avisa-a de que as aves eram agora os deuses dos mortais e manda-a embora, ignorando a ameaça de Iris de um castigo de Zeus.
 Aparece um arauto a oferecer a Pistetero uma coroa em nome de todos os povos por ter revolucionado a vida dos Homens, que agora baseiam o seu quotidiano no das aves. Algumas pessoas adotaram nomes/ alcunhas de aves. O arauto anuncia que milhares de homens se preparavam para ir para a nova cidade e Pistetero começa a preparar asas para os que aí vinham. Chega um Parricida que quer habitar a cidade por as aves não condenarem o ato de violência contra o próprio pai. Pistetero, no entanto, dá-lhe um escudo, uma espada e um capacete e diz-lhe para ir para o exército e deixar o pai em paz. Chega o poeta Cinésias a pedir umas asas para se inspirar para os seus poemas enquanto voa. Pistetero persegue Cinésias com um par de asas para lhe bater, quando este começa a dizer os seus versos. Cinésias sai. Chega um Sincofanta e pede asas a Pistetero para poder viajar de terra em terra a escrever processos contra estrangeiros mais facilmente. Pistetero agarra num chicote e bate-lhe até ele se afastar. Chega Prometeu com um chapéu, a tentar passar despercebido de Zeus, de quem tentava fugir. Pistetero reconhece-o e abriga-o no guarda-sol. Prometeu conta-lhe que Zeus andava atrapalhado, já que o fumo dos sacrifícios dos humanos não chegava aos deuses e os deuses bárbaros já ameaçavam Zeus. Prometeu avisa que iriam chegar embaixadores de Zeus e dos Tribalos (deuses do povo da Trácia) mas que as aves não deviam ceder aos seus pedidos a menos que Zeus lhes devolva o ceptro e dê a Realeza, deusa que é a personificação do poder de Zeus, em casamento a Pistetero. Prometeu parte.
 Chegam Posídon, Hércules e Tribalo. Pistetero e outras aves fingem estar a cozinhar aves que se preparavam para realizar um golpe contra o partido democrático das aves. Pistetero afirma que só aceita um acordo entre aves e deuses se Zeus restituir o ceptro às aves.Os deuses a princípio rejeitavam mas, quando Pistetero explica como as aves iriam ajudar os deuses quando algum humano não lhes prestasse o culto devido, os três aceitam. Pistetero pede ainda a Realeza em casamento. Posídon recusa o acordo, tentando convencer Hércules de que Pistetero os estava a enganar. Pistetero convence Hércules de que, por lei, ele não iria ficar com parte da herança de Zeus por ser bastardo mas sim Posídon. Hércules aceita entregar a Realiza a Pistetero e Posídon votou contra. Tribalo votou a favor e, por isso, foi acordado que Pistetero casar-se-ia com a Realeza.
 Os deuses vão avisar Júpiter e Pistetero prepara-se para o casamento. As aves cantam os hinos do casamento, alegrando-se pelo soberano que tinha tornado a cidade grandiosa.

sábado, 31 de agosto de 2019

O Banquete

Obra: O Banquete
Autor: Platão


Falando do autor, Platão nasceu numa família de boa linhagem e estava destinado à política até que os acontecimentos anárquicos de Atenas, o período de tirania e a morte de Sócrates o fizeram refletir sobre alguns valores e formas de governo
Esta obra, cujo tema é o amor, tem como local da ação, uma festa na casa do poeta Agatão. Certo dia Gláucon questiona Apolodoro sobre se este tinha estado no banquete organizado por Agatão. Apolodoro responde que não e começa a contar o que se tinha passado no banquete, que lhe tinha sido contado por Aristodemo.
 Sócrates preparava-se para ir ter com Agatão e convida Aristodemo para ir com ele. Vão para o banquete e Sócrates fecha-se no vestíbulo a pensar em algo. Chega mais tarde e começa o banquete. Erixímaco propõe falar sobre Eros, que nunca tinha sido louvado à sua medida. Começa por falar Fedro. Fedro procura provar que Eros era o deus mais antigo. Eros é também importante já que, para um jovem, não há nada melhor que um amante. Por isso, Eros proporciona virtude e felicidade aos homens na vida e na morte, já que o amor faz os homens serem justos e lutarem pelos seus amores.
 Segue-se o discurso de Pausânias, que procura provar que, tal como acontece com Afrodite, há um Eros mais antigo e um mais recente. Procura explicar que, tal como tudo, o amor não é bom em si, é bom se for bem operado. O Eros mais recente ama mais os corpos que as almas, procurando apenas satisfazer-se, não se preocupando com o bem ou mal. O Eros mais antigo não participa no princípio fêmea, apenas no macho, sendo o amor dos rapazes. Os que são inspirados por este Eros voltam-se para um carácter forte e espiritual. Estes têm interesse em passar a vida com os seus amores. Em países bárbaros, por terem tiranias, é desprezado este amor por não ser útil aos tiranos. No entanto, em Atenas, os pais impedem os filhos de se encontrarem com os amantes, como se fosse algo vergonhoso. Repudia o ceder por dinheiro ou poder político.
 Devia ter seguido Aristófanes mas este teve um ataque de soluços e Erixímaco substituiu-o. Era médico e vai provar como, no corpo, se encontra essa duplicidade de Eros. Na parte sã e na parte doente há amores diferentes. É preciso ceder ao bom e resistir ao mau. Deve levar amor a onde não o há e retirá-lo onde está a mais. Deve fazer as partes do corpo inimigas entre si amarem-se (frio, calor, seco e húmido). Na música, o grave e o agudo também se harmonizam apesar de opostos. Na medicina e na música temos que preservar os dois Eros pois estes podem trazer harmonia se equilibrados.
 Segue-se Aristófanes que defende que Eros é o deus mais filantropo. Começa por falar sobre a natureza humana. Originalmente havia três géneros: o masculino, o feminino e um terceiro, composto dos outros dois, o andrógino. Depois os humanos passaram a a ter 4 mãos, 4 pés e 2 cabeças. O macho era filho do sol, a fêmea era extraída da Terra e o terceiro era filho da Lua. Tinham forma esférica, força e vigor. Tentaram atacar os deuses. Os deuses não os podiam destruir porque precisavam do culto. Então Zeus pede a Apolo para os dividir em dois para assim diminuir a sua força e poder. O umbigo é a marca da separação. As metades andavam solitárias e Zeus, com pena, moveu os genitais para a frente para poderem reproduzir-se entre si. Assim, o amor procura restituir a natureza humana ferida. As mulheres puras procuram as mulheres e os homens, os homens.
 Segue Agatão que começa a explicar que Eros era o deus mais feliz e o mais belo. Discorda de Fedro e afirma que Eros não era o deus mais velho mas sim o mais novo e que as ações conotadas ao Eros antigo são obras do destino. É o mais terno, habitando apenas nas almas mais macias. É belo por viver entre as flores. Eros não age com violência nem a aceita. É o prazer mais forte. É o mais corajoso. Eros é poesia e qualquer que seja tocado por Eros torna-se poeta. Eros permite o convívio pacífico entre homens.
 Segue Socrates que prova que Eros é o amor a algo. Prova que apenas se pode desejar algo que já se tem se for para o continuar a ter no futuro. Ama-se, no presente, aquilo que nos falta e, por isso, Eros ama a beleza, já que não a tem. Passa a provar que, se Eros não é bom nem belo, não é um deus mas sim um demónio, uma divindade menor. Eros é filho da Miséria e de Poros e é o companheiro e servidor de Afrodite por se ter apaixonado pela beleza desta. Não é por isso belo nem terno. Procura o ser bom e belo mas nunca alcança. O Amor quer que o bem lhe aconteça sempre e por isso tem como objetivo a imortalidade. Procura procriar na beleza. Procriar é a forma de alcançar a imortalidade. Procuram procriar com corpos e almas belas para haver um aperfeiçoamento da raça, tornando-se melhores e mais resistentes à morte. Quando alguém se apaixona, passa a ver a beleza também nos costumes e nas leis. É por isso importante incentivar os amantes a estarem juntos para assim amarem mais a virtude.
 Chega Alcibíades, bêbedo e aos berros à procura de Agatão. Coroa Agatão e, ao ver Sócrates, coroa-o também. Elogios entre Alcibíades e Sócrates. Por insistência de Alcibíades, todos bebem. Erixímaco pede a Alcibíades que faça também um discurso a Eros mas este afirma que Sócrates iria ficar ciumento e faz antes um elogio a Sócrates. Compara Sócrates a um sátiro pela aparência, pela violência e porque os seus discursos se assemelham às flautas dos sátiros. Não se preocupa com a beleza nem riqueza das pessoas. Começa a contar episódios que passou com Sócrates.
 Chegaram mais convidados e beberam até adormecer. Enquanto todos dormem, Sócrates vai embora com Aristodemo, que tinha dormido um pouco.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Medeia

Obra: Medeia

Autor: Eurípides

Páginas:116

Personagens: Ama; Pedagogo; Medeia; Coro das mulheres de Corinto; Creonte; Jasão; Egeu; Mensageiro e filhos de Medeia.

 A Ama começa a obra a desejar que a nave de Argos nunca tivesse sido construída nem tivesse partido à busca do velo de ouro porque assim a sua ama nunca tinha saído do seu lar por amor a Jasão nem teria convencido as filhas de Pélias a cozerem o pai num caldeirão para alcançar a juventude. Ao chegarem a Corinto, livro o povo da fome. Nunca discordou com Jasão, obedecendo-lhe mas Jasão traiu Medeia e os filhos ao casar-se com a filha de Creonte. Medeia não comia, só chorava, não ouvindo ninguém. Lamenta o que deixou para trás por Jasão. A ama tem medo do que ela poderá fazer: pode suicidar-se ou matar o rei e a filha. Entra o Pedagogo com os filhos de Medeia. A Ama informa-o de que Medeia ainda estava num estado de lamentação. O Pedagogo informa que Creonte queria expulsar de Corinto Medeia e os filhos. A Ama decide que não iriam contar nada a Medeia para não piorar a dor desta e deseja que a raiva de Medeia caia sobre os inimigos e não sobre os amigos. Ouvem-se os lamentos de Medeia e a Ama manda o Pedagogo levar as crianças para o palácio e para não se aproximarem da mãe.
 Medeia deseja que os os filhos morram. A Ama teme que algo aconteça aos filhos de Medeia. Entra o coro, formado por quinze mulheres de Corinto, ao ouvirem os lamentos de Medeia. A Ama atualiza o Coro sobre o estado de Medeia. Medeia deseja que Jasão arda com a própria casa e lamenta ter abandonado o pai e a terra e ter morto o irmão. O Coro manda a Ama ir ter com Medeia para lhe dar confronto da parte dele. A Ama sai e chega Medeia que se dirige ao Coro para fazer um longo monólogo sobre a condição trágica da mulher. O Coro, ao ouvir os seus lamentos, apoia a sua decisão de se vingar do marido. Entra Creonte com os seus guardas e ordena a Medeia que saia da cidade com os filhos por ter medo que ela faça algum mal à sua filha. Medeia afirma que o seu ódio é para com Jasão e não para com a noiva. Creonte não cede e manda-os embora.
 Medeia pede-lhe que a deixe ficar na cidade só mais um dia para ela planear para onde irão e qual será o futuro dos filhos. Creonte aceita que ela fique até ao nascer do sol. Se for encontrado depois disso, será morta. Creonte sai e Medeia conta ao coro o seu plano de matar Jasão, a esposa e Creonte. Decide que vai usar veneno, arte na qual é experiente. O coro teme que aquela ação faça surgir uma má reputação das mulheres. Chega Jasão que se dirige a Medeia dizendo que ele sempre tentou convencer os reis a deixá-la ficar mas, eles expulsaram-na. Queria, no entanto, ajudar Medeia com o seu futuro no exílio. Medeia, irada, afirma que foi ela quem o salvou a custo de sacrificar tudo o que lhe era sagrado e que agora já não havia futuro para ela porque ninguém a ia aceitar. Jasão afirma que foi Afrodite quem o salvou e que Medeia ganhou mais do que sacrificar por ele, ao viver na terra dos helenos em vez da dos bárbaros. Afirma ainda que apenas se casou com a princesa para ter condições de vida, por ser exilado, e para ele e os filhos também terem uma vida boa. Apresenta as mulheres como cansa dos males dos homens. Jasão oferece-se novamente para contactar amigos que a recebessem mas ela afirma não querer ajuda de um malvado. Sai Jasão.
 Entra Egeu que tinha vindo de Delfos para falar com Piteu para melhor interpretar o oráculo de Delfos e assim saber o que tinha a fazer para conseguir ter uma linhagem. Egeu percebe que Medeia estava em baixo e pergunta-lhe o que se tinha passado. Medeia responde que Jasão tinha casado com a filha de Creonte e que ela e os filhos tinham sido expulsos da cidade. Medeia roga a Egeu que lhe dê hospitalidade em troca de ela usar os seus remédios para o ajudar a ter descendência. Egeu aceita e Medeia obriga-o a jurar pelos deuses nunca deixar que um inimigo seu a leve. Egeu sai e Medeia conta os Coro o seu plano: irá dizer a Jasão que aceita o casamento e enviará, pelas mãos dos filhos, presentes envenenados à noiva para mostrar que aceita o casamento. Depois fará o pior das ações (hesita por um tempo) que é matar os filhos para estes não sofrerem nas mãos dos inimigos. O coro aconselha Medeia a não realizar o plano, principalmente a morte dos filhos. Medeia não ouve ninguém e envia uma aia para chamar Jasão. O Coro suplica a Medeia que não mate os filhos mas esta não o ouve. Chega Jasão. Medeia pede-lhe que perdoe as suas palavras e admite que tinha sido cruel com quem lhe queria bem. Medeia pede a Jasão que convença a esposa e Creonte a deixar os filhos ficarem junto do pai em vez de serem exilados. Para convencer a noiva, Medeia irá enviar uns presentes, levados pelas crianças. Medeia envia os filhos para irem ter com a noiva, lhe entreguem os presentes e lhe roguem que os deixe ficar na cidade. Jasão sai com os filhos. 
 Entra mais tarde o Pedagogo com as crianças e avisa Medeia de que a princesa aceita com prazer os presentes e permitiu que eles ficassem na cidade. Medeia chora por ver o seu plano falhado. Manda o pedagogo reunir as coisas que os filhos mais precisavam e lamenta a sua vida sem os seus filhos e hesita se os deveria matar ou não. Chega à conclusão de que esta é a única solução para os livrar de caírem na mão dos inimigos. Saem os filhos e chega um criado de Jasão a correr. Anuncia a Medeia que ela tinha que fugir porque a princesa e o pai tinham morrido por causa dos venenos dela. O mensageiro, a pedido de Medeia, conta tudo com pormenor. Creonte morreu ao abraçar e beijar o cadáver da filha. O Mensageiro sai e Medeia percebe que tinha chegado a altura de matar os filhos porque, se eles têm que morrer, vão morrer nas mãos de quem os gerou. Medeia vai ter com os filhos. O coro pede aos deuses que a travem. No interior ouvem-se as crianças a tentar fugir da mãe e a pedir ajuda ao coro. O coro repreende Medeia.
 Chega Jasão, que pergunta ao coro por Medeia e principalmente pelos seus filhos para que nenhum parente do rei os mate. O coro informa-o de que Medeia tinha morto os filhos. Jasão, irado, abre as portas para ver Medeia e os filhos mas esta está na mechane (maquinismo que colocava as figuras no nível mais elevado) no carro do Sol com os cadáveres dos filhos. Jasão insulta Medeia e manda-a ir embora. Os dois começam uma discussão sobre qual era o culpado da morte dos filhos. Jasão pede para dar sepultura aos filhos. Medeia recusa e conta o que irá acontecer no futuro: ela vai sepultar os filhos no templo de Hera para que nenhum inimigo revolva os túmulos; aqui vai ser instaurada uma festa e ritos sagrados em nome dos filhos. Medeia irá para casa de Egeu e Jasão será morto por um fragmento da nau de Argos. Jasão pede para tocar os filhos mas Medeia recusa já que ele não se importou com os filhos em vida.
 O coro tem a fala final.

sábado, 18 de maio de 2019

Ájax


Obra: Ájax

Autor:Sófocles

Páginas: 119

Personagens: Atena, Ulisses, chefe dos Cefalénios; Ájax, rei de Salamina; Tecmessa, cativa, mulher de Ájax; Eurisaces, filho de ambos; Teucro, meio-irmão de Ájax; Menelau, rei de Esparta; Agamémnon, general de todos os gregos.

Ação:
 Ulisses andava à volta da tenda de Ájax para saber se ele lá estava. Atena vê-o e pergunta-lhe se precisa de ajuda. Ulisses procurava postas para saber se tinha sido Ájax quem tinha destruído tudo o que os Aqueus tinham tomado aos inimigos. Atena explica que tinha sido Ájax a cometer aquele crime e que o objetivo deste era atacar os generais troianos durante a noite mas Atena tinha-o travado e feito descarregar a raiva no gado. Ájax atacou este a pensar que eram homens e tinha-os levado para a tenda. Para provar, Atena chama Ájax para fora da tenda, lançando um feitiço para que este não consiga ver Ulisses. Atena questiona-o e Ájax responde que tinha morto os generais durante a noite e que Ulisses estava amarrado na sua tenda, pronto a ser torturado. Ájax retoma à tenda e Atena aconselha Ulisses a nunca desobedecer os deuses nem achar-se melhor que os outros para não lhe acontecer o mesmo. Ulisses e Atena saem de cena e chega Tecmessa e o Corifeu. Tecmessa lamenta a doença que tinha caído sob o marido e o Corifeu ouve-a. Tecmessa conta que o marido saiu a meio da noite sem explicar e regressou com cães de pastor, touros e outros animais. Começou a torturá-los enquanto os insultava como se fossem pessoas. Depois saiu da tenda para falar com uma sombra regressou. Aos poucos recupera o juízo e, ao ver a carnificina de animais que tinha feito, começa a lamentar-se. Pergunta à mulher o que é que se tinha passado e esta explica-lhe. Começa longos prantos, sentando-se imóvel entre os animais, sem comer nem beber. Por conselho de Tecmessa, o Corifeu, composto por marinheiros amigos de Ájax, entra na tenda. Ájax fica feliz por os ver mas pede que o matem para acabar com o seu sofrimento. Os companheiros rejeitam esta hipótese e Ájax reflete sobre como foi enganando por Atena e os Atridas, questionando se deveria regressar à pátria ou partir em combate contra os Atridas, que se estariam a rir dele. A esposa e os companheiros tentam convencer Ájax a não combater contra os Atridas por amor à família, já que a esposa e o filho se poderiam vir a tornar escravos deles. Ájax pede que chamem Eurisaces, seu filho. Ájax pede ao filho que cuide da mãe, caso lhe aconteça algo e que, se acontecer algo a Ájax durante a luta com os Atridas, o filho ficaria sob a responsabilidade do tio. Tecmessa tenta convencer o marido da ideia e este finge que decide que o melhor será ir ao rio purificar-se, enterrar a espada e fazer sacrifícios devidos aos deuses.
 Chega um mensageiro e diz ao coro que Teucro tinha chegado e que tinha sido atacado por apoiar um louco mas os anciãos pararam a confusão. Ájax já tinha saído da tenda. O mensageiro afirma que Calcante tinha feito uma profecia a Teucro na qual Ájax deveria aguentar na sua tenda aquele dia todo ou iria morrer. Ájax tinha provocado a ira da deusa Atena por ter afirmado que não precisava de ajuda divina para combater. O coro conta a notícia a Tecmessa e esta, desgostosa, ordena que se vá buscar Teucro e que se procure Ájax. Tecmessa também vai à procura do marido, deixando o filho ao cuidado de escravos.
 Ájax enterra a espada com a ponta para cima, pronto a cair sobre ele e a morrer. Depois de proferir o seu lamento aos deuses, Ájax cai sobre a espada. O coro e Tecmessa chegam ao local e Tecmessa vê o cadáver do marido. Chega Teucro e lamenta pelo irmão. Manda Tecmessa ao acampamento para ir buscar o filho para nenhum inimigo se apoderar dele agora que o pai estava morto. Teucro remove a espada do corpo do irmão. Chega Menelau, que proíbe quaisquer honras fúnebres a Ájax por ter sido um traidor do seu exército, quase o levando à morte ao atacar o inimigo. Teucro impôs-se, defendendo Ájax das acusações que Menelau lhe fazia. Menelau sai. Chega Tecmessa e o filho e começam a realizar as honras fúnebres. Chega Agamémnon que confronta Teucro sobre os insultos que lhe tinha feito. Teucro defende Ájax, afirmando que este tinha salvo Agamémnon e que tinha lutado pelos companheiros. Chega Ulisses que aconselha Agamémnon a diminuir a sua raiva do falecido, já que apesar de ser um inimigo dos dois, era um bom soldado e merecia ser honrado. Agamémnon mostra-se hesitante e aceita apenas se Ulisses se responsabilizasse pela ação. Ulisses assim faz e diz a Teucro para fazer as honras dignas da grandeza do irmão. Teucro, reconhecendo o gesto nobre do ex-inimigo, agradece-lhe e começa a fazer as honras fúnebres ao irmão.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Rei Édipo



Obra: Rei Édipo

Autor: Sófocles

Páginas: 145

Personagens: Édipo, rei de Tebas; Jocasta, esposa de Édipo, viúva de Laio; Creonte, irmão de Jocasta; Tirésias, adivinho cego e velho; Coro de anciãos Tebanos; grupo de suplicantes com um sacerdote; um pastor, antigo criado de Laio.

Ação: 
 Um palácio com escadas, junto das quais está uma estátua de Apolo. Junto da estátua está um grupo de suplicantes jovens e um sacerdote de Zeus. Édipo sai do palácio e vai ter com o grupo. Édipo pergunta ao sacerdote o que ele estava a fazer ali e este responde que toda a cidade fazia sacrifícios aos deuses por medo do castigo divino que lhe tinham mandado. Pede a Édipo que governe a cidade de forma justa e sábia para livrar esta da praga. Édipo responde que tinha enviado Creonte, seu cunhado, ao oráculo de Apolo para saber o que era preciso fazer. Chega Creonte que afirma que, segundo o oráculo, era preciso castigar quem matou Laio para salvar a cidade. Édipo, que não sabia como Laio tinha sido morto, procura obter informações para castigar os seus assassinos. O sacerdote e os jovens levantam-se e vão à procura de pistas sobre o assassínio de Laio. Édipo convoca uma assembleia e pergunta ao coro, que está a representar a voz do povo, se sabe alguma coisa sobre o assassino de Laio. O coro afirma nada saber mas que Tirésias, que tudo vê, poderia saber. 
 Tirésias chega e Édipo procura saber se ele sabe a resposta. Tirésias afirma que sim mas que não lhe iria dizer a verdade pois esta seria a ruína de Édipo e talvez a sua própria. Édipo insulta-o, acusando-o de trair a cidade e de ter sido ele a assassinar o rei. Tirésias acaba por revelar que foi Édipo quem matou o rei e que este vivia em relações imorais com os familiares. Édipo não acredita nele e suspeita que tinha sido Creonte a subornar o adivinho para dizer aquelas coisas e tomar posse do trono. Tirésias afirma que o assassino de Laio estava casado com a própria mãe, tendo filhos com esta e tinha morto o próprio pai. 
 Édipo e Tirésias saem e chega Creonte, que tinha ouvido falar sobre as acusações que Édipo lhe tinha feito. Chega Édipo e começa a acusar Creonte. Este defende-se mas Édipo não acredita nele e continua a querer a sua morte. Chega Jocasta que procura defender Creonte. O coro ajuda a tentar apaziguar a raiva de Édipo. Édipo aceita não matar Creonte mas ordena que este parta de Tebas tendo sempre o seu ódio. Jocasta pede a Édipo para lhe contar o que tinha acontecido, após Creonte ter saído, e este assim fez. Jocasta diz-lhe para não prestar atenção ao que os oráculos dizem porque nem sempre era verdade. Certa vez um oráculo tinha dito a Laio que este iria morrer nas mãos do seu filho mas este tinha sido morto por salteadores e Jocasta tinha abandonado o filho deles no deserto. Quando Jocasta mencionou o local, a data e como estava vestido Laio, Édipo percebeu que o tinha assassinado. Foi um escravo que informou Jocasta sobre a morte do marido e, ao ver Édipo no poder, pediu para ser enviado para o campo para não ver a cidade. Édipo conta a Jocasta que certo dia um bêbado o tinha acusado de não ser filho dos seus pais. Os pais negaram a ideia e Édipo decidiu ir ao oráculo de Apolo, que lhe disse que ele iria dormir com a sua mãe e matar o pai. Édipo preparava-se para regressar a casa quando encontrou um carro. O arauto tentou arredá-lo do caminho e bateu-lhe com o chicote na cabeça. Édipo matou-os a todos. Édipo abandonou a pátria para que a profecia não se cumprisse.  Édipo manda trazerem o pastor que tinha escapado para descobrir se tinha morto ou não Laio. Jocasta decide fazer oferendas a Apolo.
 Chega um mensageiro a avisar Jocasta de que Pólibo, pai de Édipo, tinha falecido. Jocasta manda chamar o marido e o mensageiro dá-lhe a notícia. Édipo afirma que já não sabe se pode confiar nos oráculos já que o seu pai tinha morrido de velhice. Édipo teme ainda pela profecia de se vir a casar com a sua mãe. O mensageiro afirma que tinha sido ele a entregar Édipo a Políbo, depois de o ter recebido de um pastor de Laio, não sendo por isso filho de Políbo. Foi o pastor que tinha informado Jocasta sobre a morte do esposo que tinha entregue Édipo. Jocasta procura convencer Édipo a não procurar mais a verdade para não sofrer. Jocasta sai a chorar.
 Chega o pastor. Édipo interroga este para saber quem eram os seus pais e o pastor mostra-se atrapalhado, não querendo dizer a verdade. Depois de Édipo muito insistir, o criado acaba por dizer que a criança era filha de Jocasta, e que lhe tinha entregado a criança devido à profecia do oráculo. Édipo percebe assim que a profecia se tinha cumprido. Saem todos, ficando apenas o coro. Chega um mensageiro que informa que Jocasta estava morta, tendo-se enforcado. Édipo agarrou nos alfinetes que prendiam o vestido de Jocasta e espeta-os nos olhos para assim não a ver nem aos males que tinha feito. Chega Creonte que acolhe Édipo apesar dos ataques anteriores. Édipo pede a Creonte que o mate ou que o afaste da cidade. Creonte quer primeiro consultar o oráculo. Édipo manda chamar as filhas para se despedir delas. Pede a Creonte para tomar conta delas e volta a implorar que o envie para fora de Tebas. Creonte assim faz e passa a governar ele a cidade. 
 A obra termina com a ideia de que ninguém se pode considerar feliz até morrer. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Satyricon



Obra: Satyricon

Autor: Petrónio

Páginas:248

Resumo:
A obra é iniciada com a apresentação das duas personagens principais que vão acompanhar a obra: Encólpio e Gíton, dois adolescentes belos que são amantes e partilham a sua relação, num triângulo amoroso, com Ascilto. Encólpio abre a obra com um discurso sobre os males do sistema educativo para conseguir impressionar o mestre-escola. Quando o seu mestre, Agamémnon, começa a responder ao seu discurso, Encólpio repara que Ascilto tinha desaparecido e pensa que este tinha ido ter com Gíton, Aproveita uma distração para sair mas perde-se. Vê uma velhota a vender hortaliças e pede-lhe ajuda. A velhota leva-o a um bordel e Encólpio, com a vergonha, cobre a cabeça e foge. Encontra Ascilto ofegante que lhe conta que andou perdido até encontrar um pai de família que o levou para o mesmo bordel, do qual ele também tinha fugido.
 Mais tarde, os dois passam pelo fórum e começam a vender uma túnica roubada. Encontram o vendedor a quem tinham roubado a túnica e que vendia a túnica deles, onde tinham escondido moedas de ouro. A mulher do vendedor vê a túnica dos jovens e acusa-os de serem ladrões. Os jovens decidem responder e acusam-nos de terem roubado a túnica deles. Os corretores, ao verem que a túnica que os jovens reclamavam era de qualidade muito inferior à do vendedor, riram-se e resolveram o assunto trocando as túnicas. Os dois recuperam o tesouro e vão para a locanda, rindo-se dos corretores e dos comerciantes.
 Uma mulher bate à porta da locanda, afirmando ser serva de Quartila, a quem os jovens tinham perturbado os rituais sagrados. Quartila entra mais tarde a chorar e lamenta a injúria que os jovens tinham cometido. Estes, com pena, dispuseram-se a ajudá-la nos rituais para curar a sua febre. Apesar de desconfiarem da falsidade de todo o ambiente, procuraram ver até onde ía. Quartila leva os dois jovens para o templo onde estes observam cenas de orgias, sendo obrigados a participar. Três dias depois, os três jovens conseguem escapar.
 Os jovens estavam a discutir com o mestre de retórica quando chegou um escravo a anunciar um jantar na asa de Trimalquião, um homem extremamente rico. Os três jovens e Agamémnon chegam a casa de Trimalquião e vêem-no a ter atitudes de riqueza e arrogância extremas. Chega a hora de jantar e Trimalquião aparece vestido de forma imponente. Encólpio começa a questionar o homem que estava ao seu lado na mesa e este conta-lhe toda a história do ex-escravo. Durante o jantar existiram vários pratos bastante elaborados e Trimalquião tinha sempre uma atitude rude, dizendo várias asneiras durante o jantar. No fim do jantar, quando todos se dirigiam aos balneários, os três jovens tentaram sair da casa mas um cão raivoso barrou-lhes a entrada, Ascilto deu-lhe as sobras do jantar para não serem atacados e pedem explicações ao responsável pelo átrio. Este explica que os convidados entram sempre por uma porta e saem por outra, Os jovens regressam ao banquete. Há uma grande marcha musical e um dos escravos emite um barulho tão forte que os bombeiros pensaram que a casa estava a arder e arrombaram a porta. Os três jovens aproveitam este momento para fugirem. Andam perdidos durante uma hora mas conseguiram chegar à locanda graças a Gíton, que tinha marcado as pedras do caminho com giz.
 Ascilto retira Gíton de junto de Encólpio durante a noite e dorme com ele. Encólpio acorda e, ao perceber o que tinha acontecido, expulsa Ascilto da locanda. Ascilto parte e leva consigo Gíton e Encólpio pensa em matar os dois. Um soldado, no entanto, impede-o.
 Encólpio estava a passear quando encontra um velho, Eumolpo, que contou a história do jovem com quem tinha relações em casa dele, sob a desculpa de ser seu professor. Encólpio ficou tão fascinado com Eumolpo que lhe perguntou qual a história por trás de cada um dos quadros que observava. Eumolpo explica uma obra através de versos e recebe pedradas de quem o ouvia. Cobre a cabeça e vai embora. Encólpio segue-o e encontra Gíton, que lhe suplica por perdão. Este perdoa-o e os três jantam na locanda. Encólpio sente ciúmes de Eumolpo com Gíton e tenta suicidar-se mas é impedido. Eumolpo repara que Ascilto daria uma grande recompensa a quem encontrasse Gíton e, para se vingar de Encólpio, que o tinha trancado na rua, invadiu o quarto para resgatar Gíton e ganhar a recompensa mas Gíton é gentil com ele, convencendo-o a cobrir o seu amor. Os três preparam-se para sair da locanda e entram para um barco para onde Eumolpo os levou. Encólpio estava quase a adormecer no navio quando ouve uma voz familiar. Era a voz de Licas, de quem eles estavam a dormir. Os dois jovens contam a razão de estarem a fugir e Eumolpo prontifica-se a ajudá-los na fuga. Eumolpo tem a ideia de lhes rapar o cabelo e escrever-lhes na face para parecerem fugitivos mas um passageiro do barco vê-os e denuncia a Licas, afirmando ser mau presságio. Eumolpo explica a Licas que aqueles eram seus criados e Licas condena-os a 40 chicotadas. Gíton, mal recebeu a primeira, começou a suplicar para pararem, Foi reconhecido pela voz e começa uma forte discussão. Eumolpo defende os jovens e acabam por fazer as pazes.
 Organizaram um jantar, onde Eumolpo conta a história de um soldado que se apaixona por uma viúva. Começa uma forte tempestade e o navio acaba por naufragar. Uns pescadores correm ao seu auxílio. Os três chegam a terra e, ao verem o corpo de Licas a flutuar sem vida, refletem sobre a brevidade da vida.
 Depois de muito deambularem chegam a Crotona. Um camponês explica que naquela cidade apenas existem dois tipos de pessoas: os que caçam e os que são caçados. Valorizam apenas os ricos sem descendência. O camponês compromete-se a criar uma farsa que os tornasse sem pessoas ricas. Eumolpo representou um homem extremamente rico e Encólpio e Gíton eram os seus escravos. Eumolpo teria perdido um filho e todas as moedas que tinha num naufrágio.
 Caçadores de herança, ao ouvirem a história de Eumolpo, viraram toda a atenção para ele, oferecendo-lhe serviços. Encólpio muda o nome para Polieno. Uma escrava de Circe, mulher rica, visita Polieno para confessar que a sua senhora apenas se atraía por escravos. Os dois preparavam-se para ter relações mas Encólpio teve impotência sexual. Circe ordena a Encólpio que se afastasse de Gíton por uns tempos para curar o seu mal e assim retomarem o ato amorosa. Encólpio assim fez mas, na segunda tentativa, voltou a acontecer o mesmo. Encólpio tenta ter relações com Gíton mas não consegue. Visita Enótea, sacerdotisa de Priapo, que lhe ordena que selecionasse grãos. Três gansos aproximaram-se e cercaram-no. Encólpio mata um e afasta os outros. Quando Enótea chega, ele conta-lhe o sucedido. Esta começa em pranto a maldizer a ação, dramatizando a situação. Encólpio oferece duas moedas de ouro e a ofensa é perdoada. Enótea cozinha o ganso com a desculpa de se estar a desfazer das provas do crime. Encólpio consegue fugir.
 Os caçadores de heranças já estavam a desconfiar da riqueza de Eumolpo já que nenhum barco tinha vindo da África. Eumolpo afirma que no seu testamento tinha escrito que ficaria com a sua fortuna quem comesse partes do seu corpo em públicos. Os caçadores de heranças mostraram-se interessados.
 Vale destacar que esta obra tem duas particularidades importantes de realçar: primeiramente, a obra encontra-se fragmentada, apresentado várias partes que foram destruídas; em segundo lugar, a obra apresenta uma crítica aos principais representantes morais da sociedade, numa época em que estes, em vez de serem um exemplo de boas ações, usavam o seu poder para benefício próprio.

domingo, 11 de novembro de 2018

Da Velhice

Obra: Da Velhice

Autor:Cícero

Páginas:70

Resumo:
 Esta obra, dedicada a Tito Pompónio Ático, grande amigo de Cícero, retrata um diálogo entre Marco Pórcio Catão, um homem já idoso, Caio Lélio e Cipião Emiliano, dois jovens, na casa de Catão. Cipião e Caio Lélio admiram bastante Marco Catão por este não permitir que a velhice seja algo negativo para si. Marco Catão afirma que os homens detestam a velhice porque não a compreendem, achando que esta chega sempre cedo demais, e explica que os sábios são os que compreendem a natureza e, consequentemente, o ciclo natural da vida, não se deixando perturbar pela ideia de velhice.
 Lélio pede a Catão para lhes dar argumentos para encarar a velhice de forma positiva. Catão defende que o problema não é a idade mas sim a forma como se vive. Se alguém viver de forma moderdada, terá uma velhice que pode ser facilmente tolerada; se alguém viver tratando os outros de forma desumana e cruel, vai sofrer as dores em qualquer idade. Catão defende ainda que a velhice não é mais agradável só porque a pessoa em causa possui riquezas e prestígio. A velhice é fortemente marcada pela virtude. Quando se viveu uma vida louvável, pode-se ser feliz na velhice. Catão dá o exemplo de Quinto Máximo, que sempre admirou. Enumera outros exemplos de homens que tiveram uma velhice feliz.
 Catão enumera as causas de a velhice parecer infeliz: Aparta da administração dos negócios; debilita o corpo; impede de desfrutar quase todos os prazeres e está próxima da morte. Explica o porquê de estas não serem causas válidas. Existem vários homens que, mesmo na velhice continuavam a ter cargos importantes, sendo um deles o próprio Catão que, com 84 anos ainda tem uma voz no senado. A velhice limita a força física mas reforça a força mental. Com a prática de exercício, ainda é possível manter a saúde e rigidez na velhice, sendo o exercício e a alimentação uma forma de lutar contra os sinais da velhice. O corpo envelhece mas o espírito deve manter-se jovem.
 Catão defende que a acusação de que a velhice não tem prazeres é mentira pois esta, na verdade, livra-nos do pior erro da juventude: cometer erros contra a pátria, contra o estado e contra si pelo prazer e pela paixão. O prazer é inimigo da dádiva divina, impedindo o homem de formular um pensamento ou juízo. A velhice elimina assim a vontade de fazer o que não devia ser feito. Catão defende que os que se dedicam à agricultura vivem uma vida parecida à dos sábios por não viverem comprazeres desnecessários. A velhice não debilita ainda de manter outras ocupações como a agricultura. A ideia de que as pessoas idosas são lentas, rabugentas e avarentas apenas está presente em pessoas que sofrem de defeitos de carácter e não culta da velhice.
 Por fim, Catão defende que se deve desprezar e ignorar a morte. A morte pode chegar tanto a jovens como aos idosos e viver com medo desta não é viver. Após a morte existe um destino e neste, ou não existe nada, ou existe felicidade. Tolo é aquele que pensa que vai viver eternamente.